Pedro Arrupe fez um voto de perfeição

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06 Fevereiro 2020

Por ocasião do 29º aniversário da morte de Pedro Arrupe, o jornalista Pedro Miguel Lamet, jesuíta, relembra “um aspecto admirável da sua vida que quase ninguém conhece”: o voto de perfeição.

O artigo é publicado por Religión Digital, 04-02-2020. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Hoje, 5 de fevereiro, marca o 29º aniversário da morte de Pedro Arrupe, cujo processo de canonização foi iniciado no ano passado. É uma boa ocasião para lembrar um aspecto admirável da sua vida que quase ninguém conhece. Fez um “voto de perfeição”, pelo que parece, no último estágio de sua formação espiritual, enquanto realizava sua Terceira Provação (espécie de segundo noviciado que se usa na Companhia de Jesus) nos Estados Unidos.

Quase ninguém geralmente sabe no que consiste esse voto de perfeição, que apenas alguns santos pronunciaram em suas vidas. Trata-se de se obrigar mediante o voto a que, entre duas opções lícitas que apareçam na vida, escolher a mais perfeita. Penso que é uma chave importante para compreender em profundidade muitas das atitudes daquele que foi geral dos jesuítas em situações difíceis.

Por exemplo, quando seu secretário pessoal e amigo, Cándido Gaviña, revelava decisões secretas da cúria jesuítica ao Vaticano, sob sua perspectiva conservadora, Arrupe ficava em silêncio. E jamais o destituiu como secretário pessoal, que era seu acusador e uma espécie de Judas. Ou quando respondeu com bondade a alguns ataques e calúnias que o desprestigiavam por parte de alguns bispos e jesuítas espanhóis, diante dos papas Paulo VI e João Paulo II.

Como sabemos que Arrupe fez esse tremendo voto? O subsecretário da Companhia de Jesus, Nicolás Verástegui, narra em uma carta dirigida a Ignacio Iglesias que, ao desencadear a doença final de Pedro Arrupe, ele, a pedido do geral Kolvenbach, recolheu seus pertences pessoais, e acrescenta: “Na caixinha do genuflexório, junto à porta de comunicação com o escritório, encontrei, entre outras coisas, um cartão postal com a imagem do Senhor (acredito que do Sagrado Coração), impressa em tom verde-escuro, onde havia escrito a fórmula de seu voto de perfeição. Tenho a impressão e deduzi que isso foi feito no final de sua Terceira Provação. Agora, depois de vinte e três anos, não posso especificar mais”. Portanto, parece que o texto original existe e é possível que esteja no arquivo da causa.

Em suas constantes e velozes anotações de Villa Cavalleti, após ser eleito geral, reaparece sua particular devoção ao Coração de Jesus e à Eucaristia:

Padre Pedro Arrupe no Monte Fuji. Missa assim que chegou ao Japão: "Nunca pensei que ao levantar aquelas mãos que ira sofrer tanto" (Fonte: Religión Digital)

“Presença real de Cristo, de meu amigo, de meu grande chefe, mas, ao mesmo tempo, meu íntimo confidente. A obra pertence a nós dois: ele me comunica seus planos, seus desejos. A mim cabe colaborar externamente em seus planos, que ele deve realizar internamente com sua graça. Que obra grandiosa coloca em minhas mãos! Isso exige uma união de corações completa, uma identificação absoluta, sempre com ele! E ele nunca se afastará! Eu tenho que mostrar confiança e fidelidade. Nunca me separar dele. Mas a raiz está nesse amor amicitiae (“amor de amizade”), em sentir-se o alter ego de Jesus Cristo. Com uma humildade profundíssima, mas com alegria e felicidade imensas também. Eu sempre com ele! Sempre entregue a seus lábios e desejos! Que vida feliz! Graças ao meu Deus! Aqui, me tens, Senhor!

Copio outro fragmento, imprescindível para entender o motor de toda a vida de Arrupe, o que ele chama de “Jesus Cristo e eu: a relação pessoal única: esse amor pessoal tem um caráter de exclusividade e de unicidade muito importante. Afinal, a única coisa que permanece é Jesus Cristo. O resto da colaboração, estima pessoal e até amor sincero fica como algo contingente limitado, temporal, variável. A única coisa que permanece sempre e em toda parte, que me guiará e me ajudará sempre, mesmo nas circunstâncias mais difíceis e nas incompreensões mais dolorosas, é sempre o amor do único amigo, que é Jesus Cristo”.

“Isso não diminui em nada as outras amizades, as relações verdadeiramente caridosas, de uma sinceridade e valor por parte dos seres humanos. A vida é assim, os homens são assim, e as dificuldades pessoais subjetivas são tais que só pode contar sempre e em todas as circunstâncias com Jesus Cristo. Ideia de um valor imenso. É preciso chegar ao convencimento, teórico e prático disso. Jesus é meu verdadeiro, perfeito e perpétuo amigo. A ele devo me entregar e dele devo receber sua amizade, apoio, sua direção. Mas também sua intimidade, o descanso, a conversação, a consulta, o desafogo...; o lugar é diante do sacrário: Jesus Cristo nunca pode me deixar. Eu sempre com ele. Senhor, que eu não te deixe et numquam me a Te separare permittas”.

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