França: Cardeal Barbarin absolvido

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31 Janeiro 2020

“Acusar um homem não significa defender uma causa, é apenas acusar um homem. E este homem é inocente." Assim, o advogado de defesa do cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon (França) encerrou seu discurso perante o tribunal de apelação de Lyon, que devia confirmar ou não uma sentença de seis meses com condicional pela acusação de não denunciar um padre agressor, Bernard Preynat.

A reportagem é de Gabriele Passerini, publicada por Settimana News, 30-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

A sentença de absolvição de hoje, no final do processo de apelação, tem um significado jurídico evidente no que diz respeito à interpretação do crime de "falta de denúncia". Tem um peso na consciência eclesial, perturbada pelo tema dos abusos e dividida sobre o comportamento do cardeal. Tem um impacto na opinião pública após anos de informações que despejavam sobre o cardeal de Lyon todo o peso do atraso da Igreja institucional a esse respeito.

É também uma resposta à vontade persistente das associações de vítimas de ver reconhecidas suas boas razões, mesmo além do caso individual.

Humildade e reconhecimento

As vítimas e suas associações obtiveram que a opinião pública e eclesial tomasse consciência do problema e das violências. É um mérito amplamente reconhecido.

No discurso final da última assembleia episcopal em Lourdes (5 a 10 de novembro de 2019), o presidente, Mons. Eric de Moulin-Beaufort, arcebispo de Reims, disse: "Entendemos que as vítimas não pedem compaixão, nem compensação por seu sofrimento. Elas pedem a verdade. O que elas nos relatam nos fez entender isso: elas sofreram e, muitas vezes, ainda sofrem com os atos que sofreram, mas também com os silêncios, as cegueiras, os obscurecimentos, às vezes voluntário, de muitos ao seu redor, incluindo a esfera eclesial e as autoridades da Igreja. Comprometemo-nos a retomar os contatos, cada um com as vítimas que conhecemos, a manifestar-lhes concretamente que reconhecemos a dupla causa de seu sofrimento (...). Estamos cientes de que nenhuma providência pode recuperar o que aconteceu. Nem aplainar o que foi vivenciado. Pedimos humildemente tentar renovar a relação”.

Por parte da Igreja, não haverá nenhum uso da sentença contra as vítimas, nenhuma tentativa de justificar a cegueira e os atrasos com que os abusos foram enfrentados. Também porque provavelmente haverá um recurso na cassação e, portanto, o procedimento ainda não terminou. Mas sobretudo porque o processo do padre acusado, Bernard Preynat, acaba de terminar com o pedido de oito anos de prisão pelos fatos criminosos que afetaram dezenas de meninos, reconhecidos pelo próprio acusado. Encontrará confirmação o caminho eclesial de purificação, de memória penitente, de medidas relativas à plena proteção dos menores.

As decisões mais recentes sobre o tema tomadas pelos bispos franceses foram a ativação das "células de escuta" nas dioceses, a formação de uma comissão nacional independente (liderada por Jean-Marc Sauvé) para esclarecer os fenômenos criminais a partir da década de 1950 até hoje, o início da colaboração entre algumas dioceses e o Ministério Público para a investigação preliminar após a denúncia dos abusos, a oferta às vítimas de um ressarcimento financeiro independente dos procedimentos judiciais civis.

A mudança de sensibilidade é bem expressa pela presidente dos religiosos e religiosas franceses, irmã Veronique Margron: “Diante da extensão do mal cometido, da cumplicidade ativas ou passivas, aqui e em qualquer lugar, é indispensável remover a pretensão de qualquer presunção ou excelência na santidade, na verdade, na moralidade, no humanismo. Procurar dolorosamente a precisa dimensão de nossas torpezas. Tornar-se novamente servidores do ser humano em sua intangível dignidade”.

Inversão de tendência?

No caso específico de Barbarin, julgado em fevereiro de 2016 por eventos realizados na década de 1990, em geral se reconhece um atraso no entendimento da gravidade do drama das vítimas e de uma inadequada gestão da comunicação. Libertado das acusações, foi novamente chamado ao tribunal da associação La Parole libérée e condenado a seis meses em março de 2019. Sua renúncia foi rejeitada pelo Papa Francisco no aguardo da conclusão do processo.

A partir de 24 de junho de 2019, a diocese tem um administrador apostólico, Dom Michel Dubost. É improvável que o cardeal possa continuar sua função de arcebispo, ferido e devastado pelas acusações às quais nos últimos meses ele sempre respondia: "Realmente não sei o que ele não tenha feito". Sua absolvição, solicitada pela defesa e pelo promotor público, permitirá a ele outro serviço eclesial.

A sentença representa um primeiro e relevante sinal de inversão de tendência, não apenas nos tribunais franceses, mas mais amplamente na opinião pública. A devastação dos abusos pode conhecer um resgate e uma instituição que se encarregue dela pode recuperar a confiança. E isso graças a aqueles que perderam no tribunal, ou seja, as vítimas.

Nota da IHU On-Line:

Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove o seu X Colóquio Internacional IHU. Abuso sexual: Vítimas, Contextos, Interfaces, Enfrentamentos, a ser realizado nos dias 14 e 15 de setembro de 2020, no Campus Unisinos Porto Alegre.

X Colóquio Internacional IHU. Abuso sexual: Vítimas, Contextos, Interfaces, Enfrentamentos

 

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