Ratzinger usado pelos anti-Francisco e o papel de Georg

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16 Janeiro 2020

O Vaticano em boa-fé tentou reduzir a mal-entendido o caso do livro de dupla assinatura do cardeal africano Robert Sarah e do pontífice emérito Joseph Ratzinger, com que eles pedem ao papa Francisco que impeça o sacerdócio aos casados, após que o recente sínodo dos bispos tratou do assunto para a Amazônia. Sarah havia conseguido uma série de anotações de Ratzinger; Ratzinger as havia fornecido sem estar ciente de estar escrevendo um livro inteiro junto com Sarah. Assim, Ratzinger, através de Monsenhor Ganswein, retirou o nome da capa com dupla assinatura e também com duplo retrato.

A reportagem é de Carlo Tecce, publicada por Il Fatto Quotidiano, 15-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

No entanto, Sarah mostrou indignado as cartas timbradas com “Bento” para demonstrar que ela havia envolvido Ratzinger e depois concedeu uma correção ao seu livro Da profundeza do nosso coração, não mais definido a quatro mãos, mas com uma contribuição de Ratzinger. Um joguinho de detalhes que deve ser considerado necessário, mesmo que vão. Porque o episódio, cristalino em sua obscuridade, tem como protagonistas os dois papas, já em si uma exceção extraordinária à rigidez estrutural da Igreja; um cardeal com um robusto séquito (ou apoio) entre os católicos de direita, que para simplificar definimos conservador e monsenhor Georg Ganswein, o bispo alemão que desde sempre é o secretário particular de Ratzinger e ainda não tem uma posição bem definida entre funcionário do pontífice na ativa e assistente do pontífice que renunciou. O sínodo inspirado por Francisco não removeu o vínculo de celibato para os sacerdotes, mas previu soluções especiais para situações especiais como a Amazônia: "Propomos estabelecer critérios e disposições por parte da autoridade competente para ordenar sacerdotes homens idôneos e reconhecidos da comunidade, que tenham um diaconato, podendo ter uma família legitimamente constituída e estável". O tema pode dividir e as "moções espirituais" alimentam o confronto, porém a distância teológica e política de Robert Sarah e Jorge Mario Bergoglio é ressaltada com uma constância impressionante na multidão de intervenções públicas e esforços editoriais do cardeal que ocupa o cargo de prefeito da Congregação para o Culto Divino. Ratzinger já colaborou em um livro de Sarah com uma introdução e o cardeal, com um detalhado comunicado, revelou ontem os contatos entre setembro e novembro com o pontífice emérito que reside no mosteiro do Vaticano. "Obrigado por sua oração pelo sacerdócio nesses tempos difíceis", diz Ratzinger em uma carta de 20 de setembro. Em 12 de outubro, Ratzinger entrega a Sarah "os meus pensamentos sobre o sacerdócio". Em 25 de novembro, agradeceu ao cardeal "a elaboração que fez" e autorizou-o a divulgar o texto "da forma que você programou". O período coincide com os trabalhos de preparação, abertura e fechamento com Francisco justamente do sínodo. Não foi necessário um especialista religioso para avaliar a explosividade do material de Ratzinger. O pontífice emérito, que se move há sete anos em um contexto não disciplinado do ponto de vista canônico, é um idoso de 92 anos que fala com dificuldade, que passa o tempo em uma cadeira de rodas, que não parou de ler e estudar, mesmo quando estava no palácio apostólico. Por sua fragilidade humana, a mesma que o levou ao gesto corajoso e revolucionário da demissão, Ratzinger deve ser protegido para não se tornar um fetiche dos opositores de Bergoglio. Monsenhor Ganswein tem o dever de proteger Ratzinger, o livro de Sarah certamente não é um exemplo de proteção eficaz. Ratzinger não estava ciente das intenções de Sarah, mas a voz de Ratzinger com o mundo é a de Ganswein. Que a produção editorial de Sarah não seja apenas útil para conter o que o cardeal africano chama de "apostasia silenciosa" foi explicado pelo escritor francês Frédéric Martel. Os livros de Sarah são "bombados" por organizações católicas de extrema-direita, especialmente estadunidenses, comprados em bloco para serem distribuídos na África, como aconteceu há cinco anos com as 10.000 cópias compradas pelos Cavaleiros de Colombo. A realidade é sem dúvida a série de TV mais emocionante sobre o Vaticano.

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