Organizações denunciam prisão de Brigadistas de Alter do Chão e perseguição contra ONGs

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29 Novembro 2019

A prisão de quatro integrantes da Brigada Alter do Chão – responsáveis em combater os incêndios que atingiram a região em setembro – e a apreensão de equipamentos da organização Alegria e Saúde nesta terça-feira (26) surpreendeu pessoas de todo o Brasil. A falta de provas contundentes e de elementos que justifiquem a prisão dos brigadistas motivou um conjunto de organizações, entidades e movimentos sociais a divulgarem uma nota de repúdio às prisões.


Incêndio em Alter do Chão. Foto: Leila Verçosa

A reportagem é publicada por Terra de Direitos, 27-11-2019.

Na manhã do dia 26 de novembro computadores e documentos foram apreendidos pela Polícia Civil nas dependências do Projeto Saúde Alegria (PSA), em Santarém (PA), por ação determinada pelo juiz Alexandre Rizzi, por motivos ainda não esclarecidos. Além disso, quatro integrantes da Brigada Alter do Chão foram presos preventivamente acusados de organização criminosa pela alegação de que seriam suspeitos de participarem dos incêndios criminosos na Área de Proteção Ambiental Alter do Chão. No documento, as organizações - entre elas a Terra de Direitos - destacam que as prisões são mais um caso de criminalização de movimentos sociais e ativistas ambientais, uma vez que os verdadeiros culpados não são responsabilizados.

"A tentativa de imprimir uma narrativa que vire o jogo a favor dos destruidores da Amazônia e criminalizar as ONGs, movimentos sociais e ativistas ambientais que historicamente se dedicam à luta pela preservação da floresta e de seus povos é um claro ataque dos adeptos do presidente Bolsonaro que precisavam repercutir a ofensiva bolsonarista contra as ONGs publicizadas desde a campanha eleitoral", indica a nota.

Além disso, mais de 60 organizações, coletivos e movimentos populares também se solidarizaram com a perseguição ao Projeto Alegria e Saúde em um manifesto de apoio.


Brigadistas, bombeiros e voluntários combatem o fogo que se alastrou desde sábado (14) no distrito de Alter do Chão, Santarém, no Pará. Foto: Brigada De Alter.

No documento, as organizações indicam que esperam que o caso não se trate de uma estratégia de “perseguição aos povos tradicionais e agricultores familiares que estão ocorrendo na região oeste do Pará e em toda a Amazônia e, por outro lado, proteger os verdadeiros responsáveis por esse grave crime de degradação sociocultural e ambiental”.

Além disso, as organizações reivindicam que a “polícia investigue e prenda os grileiros, os especuladores, as quadrilhas que invadem e roubam as terras e florestas públicas, usando o fogo como estratégia para limpar a área”. Uma reportagem do jornal Folha de São Paulo publicada um dia antes das prisões denunciou a relação dos incêndios com a especulação imobiliária na região. Segundo a notícia, o Ministério Público Federal suspeita que um dos focos dos incêndios tenha começado em área invadida por grileiros, nas margens do Lago Verde.

Leia a nota de repúdio à prisão abusiva dos Brigadistas de Alter.

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