Greccio e o presépio de Francisco. A “forma” do essencial

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28 Novembro 2019

Não disse nada. E foi. Ele realmente não queria que fosse sabido. Para deixar que sua visita a Greccio - pensada para este Natal jubilar - naquele canto selvagem, escondido e amado pelo Pobre de Assis, conservasse toda a sua simplicidade, a simplicidade no silêncio de uma oração pessoal e íntima. Lá, onde São Francisco quis reviver no presépio o amor infinito, que chegou a revestir-se de nossa carne mortal para ser fonte de perdão e nova vida.

A reportagem é de Stefania Falasca, publicada por Avvenire, 01-05-2016. A tradução é de Luisa Rabolini.

Francisco desceu à gruta esculpida na rocha, beijou comovido o pequeno altar sobre a rocha que serviu de manjedoura na franciscana representação viva da Natividade e parou sem dizer uma palavra diante dos afrescos da escola de Giotto da Nossa Senhora amamentando o Menino e do presépio de Greccio. A crônica dos instantes, que fala surpresa do padre guardião do santuário, quase nos faz ver como o Papa Francisco quis depois percorrer o ambiente humilde, encostado na rocha nua, onde o santo repousava junto com seus primeiros irmãos, a pequena capela, as celas de madeira dos frades foram construídas mais tarde sobre o dormitório original.

Francisco atravessou, num instante, esse lugar vazio que, em sua sóbria essencialidade, conta também tudo dos últimos e nada fáceis anos do santo vividos plenamente "segundo a forma do santo Evangelho", como ele escreve em seu testamento. Greccio é, por assim dizer, um espaço evocativo dessa "forma" que atravessa os séculos e ainda hoje chama. "Forma" que o primeiro Papa de nome Francisco imprimiu à "Santa Igreja Romana" de hoje. Justamente Tommaso da Celano, em sua biografia do santo, conhecida como Vita Prima, explica o significado daquela sagrada representação de Natal desejada por São Francisco em 1223 após seu retorno da Terra Santa: "Naquela cena é honrada a simplicidade, exalta-se a pobreza, louva-se a humildade”.

E na Vita Prima, novamente Tommaso da Celano escreve referindo-se à vida do Pobrezinho: “Sua maior aspiração, seu desejo dominante, sua vontade mais firme era observar perfeitamente e sempre o santo Evangelho e imitar fielmente com toda a vigilância. com todo o empenho, com toda a energia da alma e do coração, a doutrina e os exemplos de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele meditava continuamente as palavras do Senhor e nunca perdia de vista as suas obras. Mas, acima de tudo, a humildade da Encarnação e a caridade da Paixão ele as tinha impressas tão profundamente em sua memória que ele mal conseguia pensar em outra coisa".

Papa Francisco em Greccio, em 2016 | Foto: L'Osservatore Romano

E "a esse respeito - afirma o biógrafo - é digna de memória perene o que o santo realizou três anos antes de sua gloriosa morte, em Greccio, o dia do Natal do Senhor ... ele próprio saboreou uma consolação nunca provada antes". Francisco falou ao povo e lembrou que "o pobre rei recém-nascido e a pequena cidade de Belém", o Filho de Belém ", e cada vez que dizia "Menino de Belém" ou "Jesus" passava a língua pelos lábios, como se quisesse provar e reter toda a doçura daquelas palavras. Os dons do Todo-Poderoso ali se manifestaram em abundância, e um dos presentes teve uma visão maravilhosa. Pareceu-lhe que o Menino estivesse sem vida na manjedoura, e Francisco se aproximou dele e o acordou daquela espécie de sono profundo. Nem a visão discordava dos fatos, porque, pelos méritos do santo, o menino Jesus foi ressuscitado no coração de muitos, que o haviam esquecido, e a memória dele permaneceu profundamente gravada em sua memória".

O papa Francisco, antes de descer as escadas de pedra para a gruta, parou brevemente de surpresa num grupo de meninos reunidos no santuário. E com a familiaridade habitual, ele lhes disse algumas palavras que são o sumo dessa esperança no ano da misericórdia: "O esplendor do palácio de Herodes era grande ... mas os Magos foram espertos porque se deixaram guiar pela estrela que os trouxe ao Menino ... Desejo-lhes que sua vida seja sempre acompanhada por esses dois sinais que são um dom de Deus: que nunca lhes falte a estrela, que nunca lhes falte a humildade de descobrir Jesus nos pequeninos, nos pobres, naqueles que são descartados na sociedade e na vida”.

 

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