“Também aqui na clausura somos primeiro mulheres e depois freiras. O erro é acreditar-se santas”

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12 Novembro 2019

Fui ao mosteiro de Santa Lucia em Città della Pieve ouvir a voz de mulheres que fizeram uma escolha existencial e religiosa muito radical. Tenho em minha memória um belo documentário de rádio de Sergio Zavoli dedicado a essas pessoas.

Encontro a Madre Superiora Manuela Corvini e a irmã Fedele de Walter Veltroni depois que uma irmã me entregou, através de uma "roda", a chave de uma pequena sala no fundo da qual há uma grade. Por trás dela, ficaram sentadas por um bom tempo, com paciência e sorriso, duas mulheres italianas que concordaram em contar sua escolha e suas vidas.

A entrevista é publicada por Corriere della Sera, 10-11-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Quantas irmãs vocês são aqui?

Vinte e oito: dos 104 aos 32 anos. A faixa média está entre cinquenta e sessenta anos.

Irmã Fedele, como é um dia aqui dentro?

Começa muito cedo, às cinco e meia com a celebração das Laudes matutinas. Depois rezamos o dia todo, exceto nas refeições e no horário de trabalho, que são das nove às doze e das dezesseis a dezoito. Depois do jantar, temos 45 minutos de recreação para ficarmos juntas e depois da oração da noite, às nove e meia, nos retiramos para nossas celas.

Madre Manuela, o que diferencia um dia dos outros?

A intenção com a qual você o vive, acredito. Começando de novo todas as manhãs, com o Senhor e com as irmãs.

Posso perguntar como vocês chegaram a essa escolha radical?

Nunca é uma iniciativa pessoal, a pessoa não diz: ‘Pois bem, agora vou entrar em um mosteiro’. É como quando você conhece uma pessoa e se apaixona, da mesma maneira. Se raciocinarmos pela perspectiva da fé, existe um chamado. É uma iniciativa de alguém, com a A maiúscula. Lutei com o Senhor antes de dizer sim a essa vocação. A iniciativa não foi minha, eu estava direcionada para outra coisa na vida. Mesmo dentro de uma formação mais ou menos religiosa, lutei com o Senhor porque lhe dizia: tudo, mas não isso. Mas a certa altura você recebe um amor tão grande que não pode deixar de retribui-lo.

Com que idade você entrou?

Vinte e sete.

Como era sua vida antes?

Eu estava estudando. Fiz literatura clássica, me formei na Raimondi em Bolonha. Eu estava noiva, com planos para o casamento e o ensino.

E então o que aconteceu?

O Senhor interveio.

Em que momento? Como se manifestou?

A certa altura, o relacionamento com esse namorado acabou, mas não porque havia outra pessoa, nem de minha parte, nem dele. Para mim, esse relacionamento não era mais suficiente. Eu tinha tudo, tinha o carinho de um namorado, da minha família, perspectivas seguras para o futuro, tudo o que você poderia desejar. O serviço na paróquia, tantas coisas gratificantes, mas sentia uma insatisfação por dentro, uma sensação de vazio profundo ao qual, em alguns momentos, não sabia dar nome. Dei o nome mais tarde, a posteriori.

Então não houve um momento específico em que você ouviu esse chamado?

Não fui derrubada de um cavalo como São Paulo. Foi uma coisa lenta e gradual e, repito, lutei com o Senhor. Somente no final, quando eu disse que aceitaria, desisto, você venceu, encontrei a paz e uma paz profunda. Como um mar: pode haver tempestades na superfície, mas as águas por baixo são calmas.

E por que a escolha da clausura no mosteiro e não outra forma de compromisso?

Ao Senhor eu disse: ‘Tudo bem, vou ser freira, mas não de clausura’, justamente porque essa escolha me atraía, mas ao mesmo tempo me afligia. Só que qualquer outra forma não me restituía a radicalidade que eu estava procurando. Eu estava procurando um amor radical pelo Senhor, pela Igreja, e os encontrei na clausura, porque se eu tivesse escolhido a forma de vida ativa, não poderia estar ao mesmo tempo onde eu queria estar. Se eu estava em uma escola, não estava na África, se estava na África, não estava na paróquia ... Embora seja um paradoxo, como há muitos em nossa fé, essa foi a única maneira que me permitiu alcançar todos.

Irmã Fedele?

Para mim, foi a queda de São Paulo. O oposto da Madre.

De onde você é?

Tortona, na província de Alexandria. Entrei aos 24 anos, doze anos atrás, em 2007. Depois dos anos de catecismo, depois da Confirmação, fiz o mesmo que muitos outros. Comecei minha vida, o ensino médio. Eu realmente não pensava mais na igreja. Depois, em 2006, vim para cá porque sabia que havia uma irmã da minha cidade. Era a manhã de Páscoa. Eu entrei na igreja. Na missa, abrimos a grade, é puxada e se abre. E fiquei emocionado ao ver as freiras com aquele sorriso verdadeiro, não forçado. De anfitriã, como diria o papa Francisco. E pensei: como elas conseguem esse sorriso ficando trancadas lá atrás? Enquanto elas sorriam, eu chorava. E foi assim que o trabalho interior começou. Retomei o caminho catequético, tinha apenas as noções de base. Mas eu tinha me apaixonado por esse lugar, pela sua vida e teria entrado imediatamente. Lembro que aquela irmã me disse: ‘Pelo menos aprende quando se reza o Pai Nosso na missa’ ... Eu fazia loucuras para vir: terminava de trabalhar às seis da tarde, dormia algumas horas, e saía a uma hora para estar aqui para as Laudes.

Que trabalho você fazia?

Durante o dia, trabalhava com minha irmã, que tem uma empresa de aquecimento e ar condicionado. Eu a ajudava, especialmente cuidando da assistência. Eu marcava as visitas dos técnicos e de noite a gente tinha até um pub. O período da minha conversão foi o ano do boom do nosso trabalho. Eu estava no auge da minha carreira. A vida corria muito bem e então o Senhor chegou.

Você se lembra do momento em que disse à sua família que tinha feito essa escolha?

Eu contei isso à minha mãe. Lembro que era o dia das mães. Ela já tinha entendido, porque foi uma conversão radical: mudei de vida, às seis saía de casa para ir à missa. Ainda me lembro da manhã de domingo em que lhe disse: ‘Mãe, preciso falar com você’. Ela olhou para mim: ‘Você quer se tornar freira’ e eu respondi que ‘sim’. ‘Faça o que você quiser, mas não de clausura’. Minha mãe é inválida, então eu fiquei com muito medo. Em vez disso, o Senhor lhe deu tanta graça que nunca criou empecilhos.

E como sua irmã entendeu isso?

Mal. Entre outras coisas, eu tinha pedido um sinal ao Senhor. Minha irmã é oito anos mais velha que eu. Ela queria ter um filho e não conseguia engravidar. Essa freira havia citado uma frase de Dom Bosco, quando eu estava no caminho do discernimento, que dizia: ‘Quando o Senhor chama a si uma jovem de uma família, sempre envia um anjo em seu lugar’. E eu realmente acreditei nessa frase. Pensei: ‘Então faça minha irmã engravidar’. E ela ficou grávida.

Madre Manuela, houve momentos em que o sofrimento a fez ter dúvidas tão radicais quanto a escolha feita?

Na superfície, sim, esta absolutamente não é uma vida tranquila. Não, há cansaço, há momentos de dúvida, de escuridão. Pior se realmente não existissem, seria uma vida falsa. Pode haver uma tempestade em nosso mar, mas no fundo continua a paz. Esse relacionamento com o Senhor é tão profundo que nada pode desafiá-lo.

Irmã Fedele, como tem notícias do mundo exterior aqui?

Temos alguns jornais católicos: o L'Osservatore e o Avvenire e depois temos algum acesso à Internet, especialmente a madre".

Vocês não assistem televisão?

Não, apenas na enfermaria. Quando houve um terremoto em Amatrice, três anos atrás, vimos um noticiário para entender o que estava acontecendo. Temos muitos contatos telefônicos. Estamos bastante vivas. Concretamente, o exterior entra assim, então cabe a você lembrar qual é o seu serviço para aquele mundo.

Madre Manuela, então vocês têm a percepção do que está acontecendo lá fora?

Eu diria que sim. Além disso também são muitas pessoas que telefonam, escrevem ou vêm nos entregar suas intenções de oração. O mundo entra com as suas palavras.

É justo que Deus peça renúncias na relação de amor com ele?

Depende do que se entende por renúncia.

É paradoxal, mas a sua pode parecer, vista de fora, uma escolha egoísta: afastar-se das relações com os outros, da ajuda, do apoio. Existe esse risco?

O risco existe. O problema do homem, de Adão e Eva, é o individualismo. Você pode viver isso no casamento, no trabalho, no mosteiro, como freira clarissa. Nunca se entra e não se permanece em um mosteiro para si mesmos, nunca. É claro, aos olhos apenas humanos, é uma loucura ou uma forma refinada de egoísmo. A clausura foi para mim a ‘maneira’ concreta para alcançar todos. Qualquer outra forma de consagração me parecia limitada, circunscrita. Radicalidade de amor ao Senhor e amor à Igreja, pela humanidade caminham juntas. Uma vida aparentemente ‘perdida’ para Ele, para poder Nele alcançar todos. É um paradoxo, como é um paradoxo que Cristo tenha salvado o homem do alto de uma cruz. O coração de uma freira não é mais apenas o coração de uma mulher, feita para acolher e doar amor. Além das fraquezas humanas, torna-se o campo do mundo, o campo de Deus, no qual, diante de seus olhos, ocorrem as labutas e lutas de todos. Nada que é humano é estranho para nós. Quando - não importa se será visto apenas no céu - uma pequena esperança brota repentinamente no coração de um irmão, atrás dele existe um coração que se abriu para todos. Já houve um momento em que a necessidade disso foi mais sentida? Hoje, o homem busca a vida, aquela verdadeira, tem sede de beleza autêntica, da positividade do real. A noite avançou demais.

Existe alguma diferença entre a clausura dos homens e o das mulheres?

Existem tantas formas, mesmo as cláusulas das mulheres não são todas iguais, por exemplo, temos a cláusula papal que talvez seja a mais rígida.

Não existe uma regra universal?

Não. Existem monges que vivem em clausura, existem os cartuxos ...

Mas por que as grades para as mulheres sim e para os homens não?

A grade é acima de tudo um sinal. Portanto, um sinal é sempre algo visível e que deve falar, deve remeter a alguma outra coisa. A grade remete a Deus. O motivo é esse, não é sinal de defesa, de proteção ou não sei o quê.

A pergunta é: por que um sacerdote homem não deveria aceitar o mesmo sinal? Se é um sinal ...

Também existem religiosas que não vivem em clausura. São formas de vida diferentes. Acho que os cartuxos têm a forma mais rígida inclusive que a nossa. Não sei se você queria dizer que a clausura imposta às mulheres ...

Não, eu só queria entender o motivo dessa diferença. Como é bom o silêncio em uma sociedade barulhenta como a nossa? Há muito silêncio?

Há silêncio e silêncio. Há um silêncio que é igual ao mutismo e isso é egoísta tanto no mosteiro quanto no mundo lá fora: coloco os fones e não ouço ninguém e cuido apenas dos meus assuntos. E há um silêncio habitado por uma presença forte. Esse é o verdadeiro silêncio que nos preenche.

Você já ficou com raiva de Deus?

Claro que sim. 

Por exemplo?

Quando te desmonta, quando te diz ‘você não é quem pensa que é, mas é quem eu escolhi’. Só podemos acolher. Eu acredito que a vida para cada cristão mude quando se torna acolhimento e não conquista. Um pouco como: ‘Senhor, eu sirvo você, vou à missa aos domingos, faço esta oferta para que você me ajude nas provas, me cure das doenças e talvez no final você também me dê o paraíso’. Isso não é fé, no máximo pode ser religião, portanto, algo construído pelo homem. Mas não se chama fé, a fé é confiar-se a uma pessoa, um pouco como a criança que aprende a andar. Por que a criança aprende a andar? Porque ela sabe, ela experimentou, que se cair, há os braços do pai ou da mãe que a levantam. A fé é isso, ou seja, confiar-se.

Um dos elementos essenciais da vida humana é a dúvida, no sentido de que a dúvida é a viagem, a dúvida é a busca do outro de si. Como existe a dúvida na sua escolha?

É negativa se leva você sempre a questionar tudo: também existe a moda hoje de questionar tudo, não há certezas. E isso também se torna um dogma, o dogma de não ter certezas. E isso é negativo. A dúvida se torna positiva se me faz questionar, isto é, se não acho que atingi a meta. Se é algo que me faz recomeçar todos os dias em direção a um objetivo adicional, em direção a uma meta que se desloca m pouco mais para frente.

Madre Manuela, por que essa paixão pelo Infinito de Leopardi?

Eu não sei, vem do ensino médio. O infinito é precisamente isso, talvez pensar nessas colinas que lá no fim se transformam em um mar, através da palavra que atravessa o limite, a cerca e se abre para o infinito. E depois há aquele verbo ‘se afoga’ que havia me chamado tanto à atenção e que encontrei em Zibaldone uma frase que dava uma explicação: Leopardi fala da compaixão e diz que compaixão é quase uma negação que o homem faz de si mesmo e do próprio egoísmo. Pareceu-me que o ‘se afoga’ do último verso não estivesse apenas ligado à dimensão semântica de ir ao fundo, mas de negar a si mesmos. A partir dali, então, o naufragar do último verso.

Algumas pessoas tentaram questionar a existência de Deus com Auschwitz. Existe algo em que lhe parece que o homem traiu Deus no mais alto nível?

Traímos continuamente o Senhor. Mas Deus não renuncia à nossa liberdade. Somos nós que muitas vezes não nos importamos com a nossa liberdade e vamos atrás dos vários tireteiros de plantão. Dizemos ‘não tenho fé’, mas acreditamos em horóscopos, noticiários, slogans publicitários. Acabamos acreditando em tudo. Deus, porém, nos deixa livres, prefere que pequemos em vez de desistir de nossa liberdade. Ele não quer marionetes. O homem é livre, isso deve sempre nos questionar e nos chamar à responsabilidade.

O que você pensa do racismo ressurgente?

Ter excluído Deus nos leva a excluir também o homem: se eu tiro Deus da minha vida, por que devo amar o meu irmão? Vou tentar dominá-lo, pegar o que é dele, conseguir tudo para mim. Ou seja, o eu no centro. Eu, eu, eu.

Quanto sofrimento causa a vocês que fizeram uma escolha tão radical ver comportamentos intoleráveis na igreja?

Muito sofrimento, muita dor. Especialmente se pensamos no Papa. É claro que o escândalo na igreja é ainda pior que aquele fora da Igreja. A Igreja é santa e pecadora. O pecado permanece, o espírito santo deve trabalhar com o material que colocamos à sua disposição. E nós somos homens, pecadores. O pecado nunca deve ser escondido e parece-me que o Papa está dando sinais claros nessa linha.

Irmã Fedele, como chegou aqui a notícia da renúncia do Papa? Como vocês a comentaram?

Chegou por telefone, alguém nos ligou, fomos ver na Internet. Ficamos de boca aberta. Inesperado. Uma coisa nova. Mas depois lemos com muita sabedoria.

Vocês sabem o que é um celular?

Sabemos sim.

Você tem, Madre Manuela?

Sim, temos três telefones celulares que usamos para ligar. Existem muitos mosteiros onde as abadessas carregam consigo um celular. Eu me recuso, sou uma abadessa alternativa, sem celular. Está à disposição para as irmãs fazerem ligações.

Não receber?

Não, o mantemos desligado. Agora temos uma irmã no hospital e o usamos para ligar para ela.

Parlatório, celas e grades são coisas que existem em outras instituições. Qual é a diferença, Madre Manuela?

A escolha.

Para você, a grade é um ponto do horizonte, não é uma reclusão?

Não, de forma alguma, É a cerca.

Leopardi para a irmã Manuela, para você, irmã Fedele, qual é a referência literária mais importante?

A música de Jovanotti, ‘Penelope’. Quando eu estava seguindo o caminho, saiu a música que dizia: ‘Clara era uma jovem rica que ficou mais rica quando ganhou a pobreza’. Jovanotti é meu poeta favorito. Eu gostaria que viesse nos visitar.

A renúncia à maternidade, não é a renúncia a uma parte das possibilidades humanas?

A maternidade não é apenas física; o coração de uma mulher é feito para amar e ser amado; portanto, há problemas se o amor não estiver presente. Se não estiver presente a fecundidade que é espiritual. A mãe é aquela que se doa. Quem dá a vida, que renuncia a algo de si própria para seu filho. E isso inclusive nós somos chamadas a fazê-lo. Se não o fizermos, ficamos solteironas. E é um pecado a ser confessado.

A renúncia à sexualidade é difícil? Faz parte dessa troca?

Existe uma maneira diferente de vivê-la. Existe uma sexualidade que não é apenas genital, mas é muito mais profunda e faz parte de ser homem e ser mulher. Eu continuo sendo uma mulher completa: antes de ser clarissa, sou mulher, depois sou uma mulher cristã e depois clarissa. Na minha maneira de abordar as irmãs, na minha maneira de abordar as pessoas que vêm aqui, na minha maneira de me comportar com o Senhor, continuo sendo uma mulher, portanto também com minha sexualidade, minha afetividade, minha racionalidade. Tudo de mim permanece. Isso também se aplica para as pessoas de fora: o amor nunca pode ser apenas genital. Ir atrás da emoção do momento para satisfazer a emoção do momento. Isso não é vida. O amor é algo mais. Lembro-me da imagem do meu pai, que morreu há dois anos. De repente, ele foi hospitalizado e morreu no dia seguinte. Eu sempre tenho comigo uma foto tirada com o celular por meu irmão. Na véspera, ele estava na cama do hospital recebendo oxigênio e com os olhos fechados. Essa foto mostra minha mãe curvada sobre meu pai - o pai estava com 86 anos e minha mãe cerca de oitenta - e ela toca a máscara de oxigênio, algo que nunca tinha feito. Um gesto de ternura. Isso me ensinou muito: depois de uma vida inteira juntos, você se curva sobre o homem com quem você compartilhou todos os dias e o acaricia, é isso ... 

Foi difícil para você não o visitar?

Eu fui ao funeral. Não cheguei a tempo para vê-lo vivo, mas fui ao funeral. Somos livres para ir, por ocasião da morte dos pais”.

Que impressão lhe causou sair daqui?

Saímos para votar e consultar o médico, o dentista, então é normal.

Vocês falam sobre política entre si?

Claro. Dois domingos atrás, fomos votar. Nesses casos, nos reunimos e uma irmã busca informações, imprime algo da Internet e discutimos. Depois votamos livremente. Quem quer dizer em quem vota diz e quem não quer não diz. Também votamos para prefeito. Os candidatos vieram e se apresentaram. Trinta votos. Não são poucos.

Que impressão lhe causou a decisão do sínodo de abrir a sacerdotes casados?

Eu só pude dar uma olhada rápida no documento final do sínodo. O fio condutor, que salta imediatamente aos olhos a partir dos títulos dos capítulos, é ‘conversão’. Devido às enormes dificuldades de ter acesso aos sacramentos no território da Amazônia, o documento propõe ‘estabelecer critérios e disposições’ para que diáconos permanentes casados possam ser ordenados sacerdotes. Portanto, não é o padre que se casa, mas o casado que pode se tornar padre. São duas realidades diferentes. Em vez de invocar o cisma ou conjecturar cenários apocalípticos, aguardamos os pronunciamentos do Santo Padre. Com muita paz e muita serenidade.

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