Jesuítas recordam companheiros mortos na luta pela justiça ecológica e social

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08 Novembro 2019

“Danos un corazón grande para amar. Danos un corazón fuerte para luchar!” “Dai-nos um coração grande para amar. Dai-nos um coração forte para lutar.” Mais de 200 jesuítas e companheiros e companheiras no apostolado social de 62 países cantaram esse refrão em espanhol com força e emoção no dia 4 de novembro, na abertura da celebração do 50º aniversário do Secretariado de Justiça Social e Ecologia (SJES).

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 06-11-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eles cantaram esse refrão 57 vezes na cerimônia de abertura da Aula Magna da Cúria Generalícia dos Jesuítas em Roma, junto com o superior geral dos jesuítas, Arturo Sosa, e os dois cardeais jesuítas presentes, Pedro Barreto Jimeno e Michael F. Czerny.

Eles cantaram o refrão após a projeção de uma foto e de breves detalhes biográficos de cada um dos 57 jesuítas que foram mortos na luta contínua pela justiça e pela proteção da nossa casa comum ao longo dos últimos 50 anos. Mais tarde, concelebraram a missa em sua honra.

A memória desses “mártires” jesuítas (entre aspas, porque a Igreja ainda não os reconheceu como tais) está contida em um livro publicado para a ocasião pelo SJES. Mas, como o Pe. Sosa disse aos jornalistas mais tarde, o livro não conta a história toda, porque “muitos, muitos mais companheiros e companheiras leigos” também foram mortos nessa mesma luta de fé por justiça e reconciliação.

“Eu sinto vergonha”, disse ele, porque um livro ainda não havia sido compilado para eles, mas ele admitiu que é uma tarefa complexa.

O secretariado foi uma ideia de Pedro Arrupe, SJ, que sobreviveu ao bombardeio de Hiroshima em 1945 e foi eleito superior geral da Companhia de Jesus em 1965. Ele atuou nesse cargo até 1983.

A seu pedido, o órgão foi instituído em 1969 como Secretariado para o Desenvolvimento Socioeconômico e, ao longo dos anos, tornou-se o núcleo de uma rede de subsecretarias jesuítas em países de todos os continentes.

Seu atual secretário, o jesuíta indiano Xavier Jeyaraj, acolheu os delegados de seis conferências da Companhia, assim como ex-funcionários do secretariado central.

O Pe. Jeyaraj lembrou-lhes que “a nossa espiritualidade não pode ser entendida sem a dimensão social”. Eles se reuniram, disse ele, “para celebrar a fidelidade de Deus na nossa jornada de 50 anos e também para celebrar a nossa fidelidade ao seu chamado”, assim como para celebrar o Pe. Arrupe e os 57 jesuítas que “sacrificaram suas vidas na luta pela justiça e pela igualdade”.

Eles vieram não apenas para ouvir uns aos outros, mas sobretudo para “ouvir a Deus que está presente no nosso mundo hoje (...) e para discutir o que Deus está nos chamando a fazer”.

Ele disse que a celebração não tem como objetivo “focar no que realizamos nos últimos 50 anos, mas sim nos pobres e vulneráveis”. Ele pediu a todos os presentes que levassem a sério o chamado do primeiro papa jesuíta “a não ter medo e a ir às fronteiras” e o seu apelo “à conversão pessoal, comunitária e institucional”. O Pe. Jeyaraj concluiu convidando-os a “sonhar o improvável, talvez o impossível, e planejar o futuro”.

Em seu discurso, o Pe. Sosa disse aos delegados que ele os havia convidado para esse evento “não apenas para compartilhar memórias preciosas dos nossos compromissos passados, mas também para comemorar os primeiros 50 anos do Secretariado de Justiça Social e Ecologia Integral (...) um ‘kairós’ para agradecer juntos pelos muitos dons recebidos” e discernir os próximos passos na renovação do seu “compromisso com a promoção da justiça e da reconciliação”.

Ele lembrou que, há 50 anos, “estamos em um processo vinculado a eventos sociais e eclesiais importantes, tanto fora quanto dentro da Companhia de Jesus, que foram desencadeados pelos ventos cheios de frescor do Vaticano II”.

O Pe. Sosa mencionou alguns deles: as conferências dos bispos latino-americanos em Medellín e Puebla; a carta do Pe. Arrupe enviada do Rio de Janeiro sobre o compromisso social da Companhia de Jesus; o quarto decreto da 32ª Congregação Geral, que declara o “serviço da fé e a promoção da justiça” como requisitos absolutos da missão jesuíta; a “síntese inspiradora” da 36ª Congregação Geral, que chamou os jesuítas a serem “companheiros em uma missão de reconciliação e justiça”; e “o vento forte” que vem do Sínodo da Amazônia, que pôs em marcha “um processo de aprofundamento do compromisso com a vida das pessoas, dos povos e do planeta”.

Ele lembrou que esses eventos “estão associados a rostos específicos que nos movem profeticamente”, como Dom Hélder Câmara, cuja causa de beatificação está agora em Roma; São Óscar Romero; Rutilio Grande, SJ, cuja causa de beatificação está quase concluída; Frans van der Lugt, SJ; o arcebispo Christophe Munzihirwa; A. T. Thomas, SJ; Richard Fernando, SJ; Thomas Gafney, SJ; e Pedro Arrupe, SJ, cuja causa de beatificação foi aberta.

O Pe. Sosa disse aos delegados: “Aproveitemos, então, esse momento tão especial em que Deus mais uma vez está falando conosco e nos convidando a lembrar, a agradecer, a discernir e a tomar decisões audazes, ousadas e arriscadas para acompanhar Jesus e o seu povo nas realidades de fronteira, junto com os mais excluídos, pobres e vulneráveis”.

Ele os exortou a “aproveitar esse ‘kairós’ para lembrar, agradecer e discernir o chamado de Deus à luz das Preferências Apostólicas Universais 2019-2029 da Companhia de Jesus, do Sínodo da Amazônia, dos convites que são feitos pelo magistério do Papa Francisco e dos movimentos e instituições sociais mais comprometidos”.

Em uma nota mais pessoal, o superior jesuíta de origem venezuelana lembrou que, desde que ingressou na Companhia de Jesus há 53 anos, “a minha vocação, formação e missão apostólica (...) foram marcadas e nutridas por aquilo que chamamos de ‘apostolado social’”. Ele disse que esse congresso mundial ofereceu-lhe a oportunidade de “expressar gratidão por essa experiência e, ao mesmo tempo, ser confirmado na centralidade dessa dimensão da missão da Companhia de Jesus hoje e no longo prazo”.

Ele encorajou os delegados, dizendo: “Abramos as nossas mentes e corações aos sinais dos tempos por meio dos quais o Senhor nos mostra que está agindo na nossa história e nos move a colaborar com ele, uns com os outros e entre os outros”.

Ele concluiu lhes dizendo: “A missão do Secretariado de Justiça Social e Ecologia Integral não é tornar as questões sociais e ecológicas a missão específica de uma parte ou de um grupo especializado da Companhia, mas sim promover o compromisso social e ecológico em todo o corpo”.

Entre os outros oradores da sessão de abertura estavam os cardeais Peter Turkson e Michael F. Czerny. O cardeal Turkson, nascido em Gana, biblista e prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, lembrou que o trabalho pelo desenvolvimento humano integral, que está no centro da missão do seu dicastério e do SJES, está profundamente enraizado na Escritura e no magistério de todos os papas desde Leão XIII.

Curiosamente, o cardeal Czerny, atualmente subsecretário da Seção Migrantes e Refugiados do dicastério e ex-secretário do SJES, concentrou sua fala na “Igreja hoje” – particularmente desde o dia 13 de março de 2013, “quando o nosso companheiro Jorge Mario Bergoglio, que participou da 32ª Congregação Geral [1974-1975] como delegado, tornou-se o Papa Francisco”. Ele lembrou que, quando Francisco se encontrou com os jesuítas em Vilnius, na Lituânia, em setembro de 2018, e um deles lhe perguntou o que ele mais esperava da Companhia de Jesus, o papa respondeu:

“O que precisamos fazer hoje é acompanhar a Igreja em uma profunda renovação espiritual. Eu acredito que o Senhor está pedindo uma mudança na Igreja. (...) Cinquenta anos atrás, o Concílio Vaticano II disse claramente que a Igreja é o povo de Deus [Lumen gentium, n. 12]. Eu sinto que o Senhor quer que o Concílio abra espaço na Igreja. Os historiadores dizem que, para que um Concílio seja aplicado, leva 100 anos. Estamos no meio do caminho. Então, se vocês querem me ajudar, atuem de modo a dar continuidade ao Concílio na Igreja.”

O cardeal Czerny disse aos delegado que “o Vaticano II procurou explicar e aplicar o ensino da Igreja às circunstâncias em constante mudança do mundo moderno depois da Segunda Guerra Mundial”, e disse: “Uma experiência muito intensa do Papa Francisco implementando o Vaticano II e realizando reformas é o recente Sínodo sobre a Amazônia”. Em sua fala, o cardeal continuou “correlacionando” os resultados desse Sínodo com as quatro Preferências Apostólicas da Companhia de Jesus.

Durante o segundo e terceiro dias do congresso, 5 e 6 de novembro, os delegados se concentraram nos desafios do tempo presente. Na manhã de quinta-feira, 7 de novembro, o Papa Francisco recebeu-os em audiência. Depois disso, eles usarão o restante do tempo, até a conclusão do congresso no dia 8 de novembro, renovando o seu compromisso com a missão pela justiça social e a ecologia, pela justiça e a reconciliação.

Jesuítas relembram seus mártires:

 

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