Cinquenta anos do Secretariado de Justiça Social e Ecologia: coração da missão jesuíta

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • Bartomeu Melià: jesuíta e antropólogo evangelizado pelos guarani (1932-2019)

    LER MAIS
  • Do samba ao funk, o Brasil que reprime manifestações culturais de origem negra e periférica

    LER MAIS
  • ASA 20 Anos: Água potável é vida e bênção para a infância do Semiárido

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

06 Novembro 2019

Um xale de seda feito pelas mulheres indígenas do Estado indiano de Jharkhand e doado aos oradores da sessão inaugural uniu idealmente o Sínodo sobre a Amazônia recém-concluído no Vaticano ao segundo Congresso do Apostolado Social da Companhia de Jesus, ato celebrativo do 50º aniversário do Secretariado de Justiça Social e Ecologia (SJES).

A reportagem é de Giovanni Zavatta, publicada em L’Osservatore Romano, 05-11-2019.

O encontro, intitulado “Um caminho de justiça e de reconciliação: 50 anos e além”, começou na segunda-feira, 4 de novembro, na sede da Cúria Generalícia em Roma, na presença do diretor do SJES, Pe. Xavier Jeyaraj, do prepósito geral dos jesuítas, Pe. Arturo Sosa Abascal, do prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, do subsecretário da Seção Migrantes e Refugiados do mesmo dicastério, cardeal Michael Czerny (durante 10 anos, de 1992 a 2002, à frente do SJES), e do arcebispo de Huancayo, cardeal Pedro Ricardo Barreto Jimeno, vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam). Diante deles, no hemiciclo, mais de 200 participantes, entre jesuítas, especialistas, ativistas provenientes de todos os continentes.

“Este congresso – disse o Pe. Jeyaraj – é fruto de 10 meses de preparação em centros sociais, províncias, conferências, capazes de desprender uma grande energia”, necessária para “continuar o caminho de forma mais decisiva”.

O diretor lembrou o Pe. Arrupe, que há 50 anos desejou fortemente a criação do secretariado, observando que “a nossa espiritualidade não pode ser compreendida sem uma dimensão social”, e mencionou os 57 jesuítas “mártires” (uma missa em memória foi celebrada no mesmo dia) que “sacrificaram as suas vidas na luta pela justiça e pelas igualdade nos locais onde operavam”.

Por fim, Jeyaraj sublinhou a importância dos dois Sínodos sobre os jovens e sobre a Amazônia, e o impulso à missão dado pelo magistério do Papa Francisco, “eco do grito dos pobres, especialmente de migrantes, refugiados e povos indígenas, eco do grito da Terra e do ambiente, exortando a encontrar o Deus que sofre e morre cotidianamente”.

A justiça social e preocupação com os pobres – explicou o cardeal Turkson – são temas presentes já nas Sagradas Escrituras, como em Amós e em Isaías, nos textos dos Padres da Igreja (João Crisóstomo, Ambrósio), nos documentos pontifícios, da Rerum novarum de Leão XIII à Mater et Magistra de João XXIII, da Gaudium et spes (constituição pastoral fundamental do Concílio Vaticano II) à Populorum progressio de Paulo VI, da Sollicitudo rei socialis de João Paulo II à Caritas in veritate de Bento XVI, até a Laudato si’ de Francisco.

“Estamos aqui para fazer memória – disse o Pe. Sosa na sua fala –, isto é, para renovar e fortalecer a fé que exige a justiça, o diálogo com as culturas, o compromisso em favor da ecologia integral e promover a nossa reconciliação. com Deus e com toda a sua criação. Fazendo memória, reconhecemos também os nossos erros e aceitamos as nossas quedas, tentando valorizar o que foi aprendido com as experiências vividas. Tomando consciência do nosso pecado e das nossas omissões, tornamos presente a nossa fragilidade necessitada de ajuda. Ao mesmo tempo, experimentamos a misericórdia que nos permite nos tornar ‘ministros da reconciliação’, contribuindo para construir o futuro guiados pelo Espírito.”

A missão do Secretariado de Justiça Social e Ecologia, especificou o prepósito geral dos jesuítas, “não é fazer do social e do ecológico a missão particular de uma parte ou de um grupo especializado da Companhia, mas sim promover o compromisso social e ecológico dentro de todo o corpo”. Como “input para estes dias”, Sosa assinalou 10 pontos, “a partir dos quais podemos nos examinar com transparência e coragem”.

O SJES nasceu em 1969, com o nome de Secretariado Jesuíta para o Desenvolvimento Socioeconômico (Jesedes), por iniciativa do então superior geral, Pe. Pedro Arrupe, que queria fortalecer a dimensão apostólica da Companhia.

O primeiro diretor foi o Pe. Francisco Ivern, da província do Centro-Sul do Brasil. Em dezembro de 1974, a 32ª Congregação Geral aprovou um dos principais decretos referentes ao compromisso social, “A nossa missão hoje: diaconia da fé e promoção da justiça”, que permaneceria na base da ação.

Desde 1975, com o novo diretor, Pe. Michael Campbell-Johnston, da província da Grã-Bretanha, o Jesedes foi rebatizado de Secretariado Social da Cúria Generalícia da Companhia de Jesus, que, em 14 de novembro de 1980, como prolongamento ideal, veria o nascimento do Serviço Jesuíta aos Refugiados.

Em 1985, o Pe. Henry Volken, da província de Pune, tornou-se secretário, tendo sido sucedido em 1992 pelo Pe. Michael Czerny, da província do Canadá inglês, que guiaria o órgão (renomeado, enquanto isso, como Secretariado de Justiça Social) durante 10 anos, até 2002.

O primeiro Congresso do Apostolado Social ocorreu em junho de 1997: ocorreu em Nápoles com o tema “Rumo à justiça do Evangelho na sociedade e na cultura”, e teve como resultado a definição das características da missão. Desde 2002, com o novo diretor, Pe. Fernando Franco, da província de Gujarat, o secretariado promoveu a participação em vários fóruns mundiais do setor e aprofundou os estudos sobre o apostolado social, concentrando-se na “globalização e marginalização” e na “missão jesuíta e ecologia”.

Em julho de 2010, o órgão assumiu o nome atual: Secretariado de Justiça Social e Ecologia. De setembro de 2011 a junho de 2017, o diretor foi o Pe. Patxi Álvarez, da então província de Loyola.

Na revista Promotio Iustitiae, são publicados dossiês sobre ecologia e espiritualidade, migração, educação nas margens, gestão de recursos naturais e minerais, e se reforça o compromisso com a justiça na economia global e o desenvolvimento de sociedades sustentáveis e inclusivas.

O sétimo e último diretor, desde junho de 2017, é o Pe. Xavier Jeyaraj, da província de Calcutá. Falando do congresso de Roma (que terminará no dia 8 de novembro), ele o definiu como um “momento histórico” para toda a Companhia de Jesus, “grande ocasião” para dar um novo impulso à dimensão social e ecológica, fazendo um balanço dos objetivos alcançados e dos objetivos ainda a buscar.

O objetivo geral é renovar o compromisso do apostolado social e contribuir para o seu alinhamento com as quatro Preferências Apostólicas Universais 2019-2029 (entre elas, lembramos “caminhar com os pobres, os descartados do mundo, os vulneráveis em sua dignidade em uma missão de reconciliação e justiça” e “colaborar no cuidado da casa comum”). Desafio que certamente vai receber um novo impulso da Global Ignatian Advocacy Network, ideia nascida em novembro de 2008 durante um seminário em Madri e que se tornou, ano após ano, uma forma concreta de ação em vários âmbitos, da ecologia ao direito à educação, da gestão dos recursos naturais e minerais à migração, da paz aos direitos humanos.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Cinquenta anos do Secretariado de Justiça Social e Ecologia: coração da missão jesuíta - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV