O Sínodo Pan-Amazônico foi bom para o Brasil

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03 Novembro 2019

"O Sínodo realizado em Roma traz o caráter de universalidade da igreja, que assume as 'alegrias e as dores do povo', neste caso particular, as dores e as alegrias dos povos originários e amazônicos", escreve Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho – RO e presidente do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, em artigo publicado por Neo Mondo, 01-11-2019.

Eis o artigo.

Como arcebispo de Porto Velho – RO e presidente do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), renovamos o compromisso com a causa indígena dentro da perspectiva que os povos indígenas e amazônicos são interlocutores e protagonistas na Amazônia, na igreja e sujeitos de sua própria história.

O rosto que os povos indígenas trazem para a igreja, neste tempo sinodal, é a imagem de uma igreja com uma diversidade cultural, social, linguística e territorial, chamada a viver a unidade na diversidade. Os povos indígenas, trazem a alegria, a luta, a resistência e requer de nós uma voz profética na defesa da vida, dos territórios e dos direitos tão desrespeitados. O papa Francisco na abertura do Sínodo, já acentuava que “provavelmente, nunca os povos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como o estão agora. A Amazônia é uma terra disputada em várias frentes…” (06/10/2019). Que o Sínodo para a Amazônia, concluído na semana passada, seja o início de “novos caminhos para a igreja e para uma ecologia integral”.

O Sínodo realizado em Roma traz o caráter de universalidade da igreja, que assume as “alegrias e as dores do povo”, neste caso particular, as dores e as alegrias dos povos originários e amazônicos. Mesmo o Sínodo tendo ocorrido fora do Brasil, ele estava profundamente enraizado aqui, na Amazônia, pois tratamos temas relacionados à vida que acontece na Pan-Amazônia, com todos os desafios e alegrias que vivemos localmente. Todo o processo sinodal foi muito participativo e envolveu um grande número de pessoas, comunidades e grupos. O Instrumentum Laboris coletou quase em sua totalidade as contribuições feitas pelas comunidades e orientou as discussões durante os dias do Sínodo.

Os povos originários e amazônicos, esperam que a igreja tenha uma voz firme de denúncia das permanentes ameaças e violações de direitos, que sofrem os povos em seus territórios, a discriminação e o preconceito, a falta de políticas públicas, bem como, a criminalização dos defensores de direitos humanos e líderes indígenas. Uma igreja que assuma uma opção preferencial pelos e com os povos originários, com uma presença inculturada, encarnada e numa permanente atitude de diálogo intercultural, pois a evangelização ocorre mediante uma escuta atenta, numa relação de reciprocidade, permitindo um diálogo inter religioso e ecumênico, onde os povos indígenas são interlocutores e protagonistas.

No Brasil, os povos indígenas estão certamente entre os mais vulneráveis da população brasileira. Dados de satélite revelam que o desmatamento no país quase dobrou sua taxa de um ano atrás. O desmatamento está em ascensão e é impulsionado por explorações ilegais de mineração, pecuária, madeira e a grilagem de terra. Os líderes indígenas, em eventos paralelos e no próprio Sínodo, denunciaram que a mineração, pecuária, exploração de madeira e a grilagem de terra são “indústrias da morte” em suas regiões.

O Sínodo da Amazônia, nos convocou a uma conversão pessoal, pastoral, ecológica, pois o planeta já não suporta o consumismo desenfreado e nos convoca a uma conversão ecológica integral. As florestas, as águas, a Terra, os animais e a natureza como um todo tem direito à vida e a existir, assim como os seres humanos. Destruir a Terra é destruir os filhos/as da Terra, “tudo o que fizermos à Terra, estaremos fazendo a nós mesmos”.

O Sínodo é um presente para todos nós, um momento oportuno para a igreja. Isso nos ajuda a refletir sobre o fato de que a Amazônia e seus povos são verdadeiros sujeitos de sua história.

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