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05 Novembro 2019

"A mensagem orientada pelo espírito do Concílio Vaticano II, ao conclamar para a ação que realiza a paz por meio da justiça, já vinha precedida de uma institucionalidade pastoral que favorecesse essa atuação, se considerarmos a criação da Comissão de Justiça e Paz, gestada segundo esse espírito", escreve José Geraldo de Sousa Junior, ex-Reitor da UnB, membro da Comissão Justiça e Paz de Brasília.

Eis o artigo.

Com esse apelo, o Papa Paulo VI lançou sua Mensagem para celebrar o V dia mundial da paz, em 1º de janeiro de 1972. Nesse seu convite o Pontífice quis, antes de tudo, mobilizar para a prática da Justiça: “A Paz será obra da Justiça » (Cf. Is. 32, 17). E repetimo-lo hoje com uma fórmula mais incisiva e dinâmica: ‘Se queres a Paz, trabalha pela Justiça’”.

Para o Papa Paulo VI, conforme a sua mensagem, “trata-se de um convite que não desconhece as dificuldades para se praticar a Justiça: para a definir, num primeiro momento, e para a atuar, em seguida; o que não será nunca possível, sem alguns sacrifícios do próprio prestígio e dos próprios interesses”.

A mensagem orientada pelo espírito do Concílio Vaticano II, ao conclamar para a ação que realiza a paz por meio da justiça, já vinha precedida de uma institucionalidade pastoral que favorecesse essa atuação, se considerarmos a criação da Comissão de Justiça e Paz, gestada segundo esse espírito. Diz o texto da Gaudium et Spes (1965) no número 90: “Considerando a imensidade de sofrimentos que atormentam ainda hoje a maior parte do gênero humano e para fomentar em toda parte a justiça e o amor de Cristo para com os pobres, o Concílio julga muito oportuna a criação de um organismo da Igreja Universal com o fim de despertar a comunidade católica para a promoção do desenvolvimento das regiões empobrecidas e da justiça entre as nações”.

Inspirada no clima do Vaticano II (1962-65), na Populorum Progressio (1967), sob a influência da Conferência de Medellin (1968), a Igreja no Brasil através da CNBB criou já em 1968, com sede no Rio de Janeiro, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz, órgão subsidiário à Conferência episcopal, com a vocação de ser um órgão de estudo e ação com a finalidade de defender e promover a dignidade da pessoa, colaborar para edificar a paz e assegurar a presença dos cristãos frente à questão social, a partir do Evangelho e do Ensino Social da Igreja num momento delicado da realidade brasileira vivendo a ditadura militar. Daí surgem as Comissões Regionais de Justiça e Paz no Brasil e depois as comissões das Igrejas locais ou diocesanas, já no clima das posteriores Conferências latino-americana de Medellin (1968) e Puebla (1979), e também por elas influenciadas. A Comissão de Justiça e Paz de Brasília seguiu esses balizamentos, quando de sua criação em 1986 (cf. Cadernos de Justiça e Paz 1: Cidadania e Participação, CJP/DF, março de 1987).

Em 2020 a Arquidiocese de Brasília completará 60 anos de sua criação. Para comemorar essa data significante, vários eventos comemorativos estão sendo realizados durante esse ano de 2019, contando com a participação dos Movimentos, Pastorais e comunidades paroquiais da Arquidiocese.

A Comissão Justiça e Paz de Brasília, incorporando-se a essas comemorações, atribui a sua Conversa de Justiça e Paz, de 04/11/2019 (19:30, na Cúria Metropolitana, junto à Catedral, evento com transmissão ao vivo pelo perfil da Comissão Justiça e Paz de Brasília no Facebook), também em celebração aos 33 anos de sua fundação, com o tema “A Dimensão Social da Arquidiocese de Brasília”.

O evento presidido pelo Cardeal Arcebispo de Brasília, Dom Sergio da Rocha, permite apresentar as motivações e diretrizes que serviram de base para institucionalização da Comissão na estrutura da Arquidiocese, ocasião para oferecer breve histórico da CJP-DF em Brasília, ao longo de seus 33 anos de atuação, com depoimentos de personalidades que lideraram esse processo, bem como de pessoas que foram apoiadas pelas ações da Comissão.

Oportunidade, enfim, nesses tempos conturbados, para nos fortalecermos no compromisso com a causa da Justiça, erigida à condição de rosto da misericórdia, nos termos postos pelo Papa Francisco na Misericordiae Vultus, a Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, ela também um apelo para realizar a Paz como trabalho da Justiça.

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