Cardeal mexicano chama ladrões de estátuas de ''ovelhas negras'' da família católica

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25 Outubro 2019

De acordo com o mais importante cardeal do México, os católicos que furtaram as pequenas estátuas de madeira de uma mulher grávida nua e os membros da Igreja que são negacionistas climáticos são a “ovelha negra” da família de 1,3 bilhão de membros que é a Igreja Católica.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 24-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Carlos Aguiar Retes, da Cidade do México, atualmente em Roma participando do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, de 6 a 27 de outubro, disse aos jornalistas nessa terça-feira que o furto da estátua, que alguns católicos tradicionalistas definiram como um símbolo pagão, foi “triste, uma pena”.

“Nas melhores famílias, há uma ovelha negra”, disse ele. “E, na comunidade internacional, também existem pessoas que não acreditam nos danos que estamos causando [ao planeta].”

O cardeal estava conversando com um pequeno grupo de jornalistas, incluindo do Crux, em um evento organizado pelo recém-chegado embaixador mexicano junto à Santa .

Ele também disse que, com base no que os especialistas e cientistas participantes do Sínodo disseram, os bispos têm um “consenso generalizado” sobre a necessidade de estimular a consciência dos fiéis sobre o cuidado “da nossa casa comum” e de dar um impulso prático à encíclica Laudato si’, do Papa Francisco, de 2015.

Há duas “coisas fundamentais” que a Igreja Católica pode promover nessa área, disse Aguiar. A primeira é gerar uma “conversão ecológica”, para que as pessoas possam perceber a inter-relação dos ecossistemas, dos biomas e da atividade humana.

“Estamos em um ponto de alerta máximo”, disse. “Os especialistas nos disseram que há um ponto de não retorno, mas ainda estamos a tempo de parar os processos que degradam a nossa casa comum.”

E a Igreja – de cima para baixo – precisa exigir que os governos gerem políticas que favoreçam o cuidado do ambiente e fornecer a eles toda a assistência possível. Como Igreja, disse, “queremos ajudar a gerar uma consciência em favor da casa comum”.

“A pessoa humana é o único ser que pode cuidar ou prejudicar a ecologia”, disse. “Eu não gostaria que as cenas apocalípticas do livro do Apocalipse começassem a acontecer neste século.”

Falando sobre o trabalho que está sendo realizado pelo Sínodo, ele disse que os mais de 180 bispos participantes deverão votar o documento final no sábado de manhã. O documento foi redigido por uma comissão liderada pelo cardeal brasileiro Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e relator do Sínodo, e os participantes passarão a maior parte da semana sugerindo emendas.

Aguiar iniciou sua conversa com os jornalistas observando que um Sínodo não é um parlamento, mas sim um órgão consultivo e, como tal, não tem o poder de tomar decisões. Em vez disso, eles farão uma série de sugestões que serão entregues a Francisco. Se a tradição se mantiver, ele, então, produzirá aquela que é conhecida como uma exortação pós-sinodal.

O cardeal mexicano não disse praticamente nada sobre as sugestões que estão sendo feitas a Francisco, embora tenha revelado a ideia de criar uma instituição com nível jurídico para reunir todos os bispos das mais de 70 dioceses que estão na região amazônica.

Essa ideia também foi divulgada na terça-feira por Dom Miguel Cabrejos Vidarte, presidente da Conferência dos Bispos do Peru e do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam).

Uma das questões mais debatidas em todo o Sínodo foi a possibilidade de ordenar homens casados ao sacerdócio. Isso tem sido referido como a opção “viri probati” – ou “homens de virtude comprovada”.

“Dentro do Sínodo, a questão dos viri probati é marginal”, afirmou Aguiar. “É algo que preocupa as dioceses dentro do território amazônico, a escassez de padres. Observou-se durante o Sínodo que esse é um problema que também ocorre em outros lugares, principalmente na Europa. Deveríamos nos perguntar qual é a causa da escassez e procurar soluções.”

A discussão até agora, disse ele, se restringiu a abrir essa possibilidade na Amazônia, mas não além dela. Ele disse acreditar que haverá um consenso sobre a sugestão de se estudar a possibilidade, mas, no fim das contas, será Francisco quem decidirá se o assunto merece ser levado em consideração.

No que diz respeito às causas da escassez de padres, Aguiar disse que os bispos da Amazônia disseram que, no centro do conflito, está a ausência de um ministério adequado que possa inspirar vocações entre os povos indígenas. Há uma intenção de trabalhar nisso, mas se trata de um objetivo de longo prazo, e a possibilidade de ordenar diáconos permanentes ao sacerdócio poderia ser útil nas próximas duas décadas.

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