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15 Outubro 2019

A economista francesa Esther Duflo acaba de receber o Prêmio Nobel, juntamente com Abhijit V. Banerjee, economista indo-americano (que também é seu marido), e Michael Kremer, economista americano, por seus trabalhos sobre a pobreza no mundo. Ela é a quarta economista de nacionalidade francesa a ser distinguida, depois de Gérard Debreu (1983), Maurice Allais (1988) e Jean Tirole (2014).

A reportagem é de Denis Clerc, publicada por Alternatives Économiques, 14-10-2019. A tradução é de André Langer.

Uma pesquisadora de campo

Ela merece essa distinção. É uma pesquisadora que vai a campo, identificando os males que sofrem, nos países pobres, as populações mais carentes que se debatem na miséria. Uma pesquisadora que analisa as “armadilhas da pobreza” e testa a eficácia deste ou daquele dispositivo destinado a permitir que saiam desta situação graças a uma melhoria em suas condições de vida. Para isso, ela utiliza métodos do mundo médico: a “randomização” ou a seleção aleatória de grupos de teste (beneficiários da medida) e de grupos de controle (não beneficiários). Seus campos experimentais são numerosos: subnutrição, saúde pública, combate à corrupção, microcrédito, escolaridade.

Os dois pequenos livros que ela publicou imediatamente depois de suas aulas no Collège de France, assim como aquele que ela escreveu em parceria com o marido[1], são muito esclarecedores. Eles apoiam a tese, ilustrada com muitos exemplos, de que o desenvolvimento está próximo, desde que as populações miseráveis constatem que podem melhorar sua sorte nesta ou naquela área. Isso permite romper com o fatalismo. Ou, como destacou Galbraith em A natureza da pobreza das massas (Editora Nova Fronteira, 1979) (que ela nunca cita!), quebrar o círculo vicioso daquilo que ele chamou de “acomodação”, o que podemos resumir nesta fórmula: eu me resigno a suportar minha situação por não poder alterá-la.

Portanto, esta é uma economista que aborda as questões da pobreza simultaneamente por razões éticas e econômicas: permitir que todos vivam decentemente é o melhor investimento para o desenvolvimento. Se eu acrescentar que Esther Duflo é uma colega (ela é professora adjunta de Ciências Sociais, como eu, mas, diferentemente de mim, ela defendeu – brilhantemente – uma tese de doutorado e ensina no MIT) e que recebeu o Prêmio Albert Hirschman, eu deveria ser seu fã!

No entanto, não estou totalmente convencido. Sua abordagem bottom up (de baixo para cima) é, sem dúvida, operacional (os mais pobres vivem melhor) e inovadora. Minha convicção é de que os obstáculos ao desenvolvimento advêm principalmente de três flagelos macrossociais: a má governança (o Estado enriquece aqueles que o capturam para benefício próprio), as guerras civis (com finalidades religiosas ou étnicas) e a insuficiência de meios financeiros (para implementar serviços públicos de saúde e educação e construir a infraestrutura necessária). Sem dúvida, sou muito “tradicional”, mas costumo pensar que a abordagem bottom up (de baixo para cima), embora melhore a vida dos pobres e libere suas habilidades, falha se não se inscrever ao mesmo tempo em uma abordagem top down (de cima para baixo).

“Virar a mesa” em benefício dos pobres é importante, mas não basta para remover os freios ao desenvolvimento. A economia do desenvolvimento não pode ser reduzida apenas à abordagem microeconômica.

Nota:

[1] DUFLO, E. Le développement humain. Lutter contre la pauvreté (I), Coll. La République des Idées, éd. Le Seuil, 2010, e Lutter contre la pauvreté, tome 2, la politique de l’autonomie, com Abhijit V. Banerjee; Repenser la pauvreté, éd. Le Seuil, 2012.

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