Os indígenas se dão as mãos para lutarem juntos contra o Governo. Relato de Roma

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09 Outubro 2019

Pela manhã participamos do momento de mística e espiritualidade que aconteceu na Igreja de la Traspontina. Foi um momento de prece a Deus pelo bom êxito do Sínodo. Os elementos centrais nesta mística foram a mãe-terra e água que lhe dá vida.

O relato é de Aloir Pacini, SJ, professor da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT. O primeiro relato pode ser lido aqui.

Às 13 horas de Roma são permitidas as visitas aos hospitais de Roma. Aproveitamos o momento para visitar o Roberto Malvezzi (Gógo) que teve um infarto depois da Missa de Abertura do Sínodo. Ele está se recuperando muito bem de sua cirurgia.

 (Foto: Paulo Tadeu Barausse)

Pela tarde aconteceu a Celebração dos Mártires. Recordamos a vida da Ir. Dorothy Mae Stang (mártir da ecologia, Anapu-PA, 12/02/2005). Nesta tarde também fizemos a recordação da vida do casal José Cláudio e Maria do Espírito Santo (mártires da terra, Nova Ipuxuna-PA em 24/05/2011).

A forma como o Marco Temporal está sendo pensado pelo judiciário tem a influência da articulação dos fazendeiros e um equívoco antropológico por não considerar a complexidade da existência indígena no Brasil. Esta visão chapada e superficial de uma data como um momento histórico sem precedentes, também não tem futuro. A isso os indígenas respondem que não passaram a existir no Brasil em 1988 e nem em 1500. Eles dizem que já estavam aqui antes disso e se insurgem com coragem e falas fortes na Mesa de Debate: Experiências dos povos indígenas na defesa e cuidado dos territórios (17 horas na Sala Marconi, sede da Rádio Vaticano).

(Foto: Paulo Tadeu Barausse)

Os indígenas contam suas lutas pela demarcação e manutenção de suas terras que estão sendo invadidas de muitas formas com o incentivo do governo atual. A argumentação mais contundente: a terra é nossa mãe, a floresta é nossa casa. Por isso não pode ser destruída. Vou trazer aqui uma das falas para que vocês possam compreender essa sensibilidade diferente de Leila Guarani Nhandeva:

Boa tarde, estou aqui agradecendo. Estou numa retomada, em 2003 fomos despejados. Aty Guasu Guarani na fronteira com o Paraguai. São 9.800 hectares, já foi demarcado em 2005, mas agora foi paralisado. Esse marco temporal que o governo jogou em cima dos índios é para despejar nós de nossa terra. Meu povo esteve em Brasília para acompanhar julgamento, mas foi adiado. Quando um indígena for morto todos os indígenas morrem, 424 indígenas nossos já foi morto no Mato Grosso do Sul [499 no MS de 2003 a 2018, segundo o Relatório de violência do CIMI]. Nossa mãe reclama para a família, pediu socorro, ela não quer morrer ainda. Nossa mãe não pode deixar sozinho, tem que cuidar [...]. Sem terra, sem água nós não somos nada. Como ela cuida de nós, nós queremos cuidar de nossa mãe. Polícia quer matar nós, fomos muitas vezes no Supremo, mas a resposta sempre vem com a morte dos nossos parentes. Povos indígenas não vivem tranquilo [...]. Nós somos raízes dessa terra, somos filhos dessa terra. Estamos morrendo, mas não vamos deixar nossa mãe morrer, a terra é nossa mãe e vamos viver por ela. Nós somos a família que ela deu de mamar para nós, agora não podemos abandonar. Fala que nós indígenas não temos direito, mas nós sabemos que o governo não usa do Direito. Fazendeiros já estão matando nossa mãe, e ela pede para nós salvar nossa mãe. Parente Xokleng estão sofrendo como nós. Pede: por favor, ajuda nós para salvar nossa terra!

Concluímos o dia, fazendo memória do Pe. Ezequiel Ramin (Comboniano – assassinado em Cacoal/RO - 24/07/85). Estiveram presentes a família Comboniana e dois irmãos do Pe. Ezequiel, um deles, seu Antônio, falou do jovem Ezequiel antes de entrar para vida religiosa. Isso tocou profundamente o coração das muitas pessoas ali presentes. Quando ele nasceu, sua mãe pediu para que seu irmão Filippo abrisse a bíblia e abriu no livro do profeta Ezequiel

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