O Sínodo visto de São Gabriel da Cachoeira, a diocese “mais indígena” do mundo

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08 Outubro 2019

Uma área quase tão grande quanto a Itália, no estado brasileiro do Amazonas. Cem mil habitantes espalhados na floresta infinita e pertencentes a 23 etnias indígenas diferentes: no entanto, 98% da população é batizada. Esta é a diocese de São Gabriel da Cachoeira, que aguarda com esperança o próximo Sínodo sobre a Amazônia: entre a fé dos habitantes, a grande oportunidade de um clero indígena e a necessidade de garantir uma presença sacerdotal mais contínua em muitas comunidades distantes.

A reportagem é de Bruno Desidera, publicada por AgenSIR, 05-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Uma perspectiva única sobre o Sínodo amazônico. É a da diocese, talvez, a "mais indígena" do mundo. Olhando de São Gabriel da Cachoeira, o evento eclesial que está prestes a ser inaugurado no Vaticano assume uma profundidade e uma concretude singular. 290 mil quilômetros quadrados, uma área quase tão grande quanto a Itália, no estado brasileiro do Amazonas. Cem mil habitantes espalhados na floresta infinita. Praticamente todos indígenas, pertencentes a 23 etnias e que falam 18 línguas. Esse é o retrato da diocese de São Gabriel da Cachoeira, que possui dois primados únicos: a diocese "mais indígena" do Brasil também é a mais "católica", 98% da população recebeu batismo, testemunhando um ação missionária incansável.

Um rosto amazônico e indígena. É um canto muito vasto e ao mesmo tempo remoto da Amazônia brasileira, quase na fronteira com a Colômbia e a Venezuela, na bacia do Rio Negro, o grande rio que em Manaus, depois de 2.000 quilômetros, deságua no rio Amazonas enorme quantidade de água. Não são muitos os gigantes multinacionais e mineradores ilegais que chegaram até aqui. E nem mesmo os evangélicos chegaram. Mas os Salesianos chegaram mais de cem anos atrás, começando a escrever uma longa página de evangelização e missão. Agora, porém, está se abrindo uma nova fase, a do valorização do clero indígena, como explica ao SIR o bispo de São Gabriel da Cachoeira, Dom Edson Taschetto Darmian: “Aqui a Igreja está presente desde 1905, com a chegada dos Salesianos. Também vieram os Capuchinhos, os Carmelitas e outras congregações. Porém nunca faltaram dificuldades. A partir da língua, da integração, do reconhecimento das diferentes culturas. Mas aqui também houve uma longa tradição de protagonismo dos povos indígenas, que desde os anos 1970 se organizaram, inclusive com o apoio da Igreja, impedindo que o território amazônico fosse explorado e depredado. Desde 1992, 90% do nosso território está protegido". Após a longa fase da missão dos "brancos", está sendo escrita uma nova página, aquela, explica o bispo, "de uma Igreja que realmente tenha um rosto amazônico e indígena.

Já ordenamos 5 sacerdotes diocesanos indígenas, além de um padre franciscano.

No ano passado foi ordenado o primeiro sacerdote da etnia Baniwa. Em dezembro, será ordenado outro, de etnia Tukano. Celebramos a primeira missa na língua tukano, estamos traduzindo o missal também para outras línguas".

A oportunidade de um clero indígena. O primeiro sacerdote de etnia Baniwa chama-se Padre Geraldo Trindade Montenegro, mas todos o conhecem como Padre Geraldo Baniwa. Como os outros sacerdotes indígenas, ele estudou no Seminário da Amazônia em Manaus, e agora diz ao Sir o que significa para ele e para as comunidades ser um padre indígena: "No meu primeiro ano de ministério, posso afirmar estar bem inserido na cultura indígena, pois faço parte do povo Baniwa. Eu acredito que essa proximidade e familiaridade com as pessoas, com a cultura local e as comunidades facilitou uma presença efetiva na atividade missionária". O sacerdote continua: "No sangue temos as histórias ancestrais, a fé dos antepassados, o respeito pelos lugares sagrados, o significado das festas, as palavras das bênçãos, as palavras da bênção, as regras da convivência, os projetos da vida. A religião cristã integra e enriquece os valores aprendidos dentro da família. A formação teológica ajuda a iluminar essas realidades". Quais são, então, segundo o padre Geraldo, as características de uma "Igreja de rosto amazônico"? "Eu posso falar - ele responde - da paróquia da Assunção de Maria, onde trabalho. A Igreja, através dos sacerdotes locais, é capaz de operar integrando o modo de vida, a organização das pessoas e a participação de todos nas ações eclesiais. A Igreja de rosto amazônico mostra nas ações litúrgicas uma organização talvez menos rígida, mais simples e dialógica. Mas isso não significa que não operemos de acordo com as indicações da Igreja".

As esperanças para o Sínodo. O Sínodo sobre a Amazônia se encaixa nesta estação pastoral, com mais esperanças e perspectivas, como evidencia Dom Edson Taschetto: “É um momento profético, que está gerando muita esperança. Vivemos uma fase de extraordinária e capilar de escuta, sem precedentes. Em nível geral, em todo o Brasil, 87.000 pessoas participaram do processo de consulta, 22.000 participaram das assembleias. Cerca de metade das 390 etnias indígenas esteve envolvida". O bispo, ao destacar o papel central do clero indígena para o futuro desta Igreja, amplia a discussão para o grande problema de garantir uma presença sacerdotal mais contínua em muitas comunidades distantes", que veem um sacerdote a cada quatro meses". É nessa perspectiva que o próprio Instrumentum Laboris do Sínodo sugeriu que na assembleia seja abordado o tema de circunscritas ordenações sacerdotais de "anciãos, de preferência indígenas", os chamados viri probati. Dom Taschetto explica: "O tema é o de passar de uma Igreja que visita a uma Igreja que permanece, se estabelece e se encarna, é a de não deixar uma comunidade sem eucaristia. É difícil imaginar as distâncias que existem nesse território. Para chegar a algumas paróquias, tenho que viajar de barco por dois dias, para chegar a Manaus mais dois ou três dias. Precisamos ter uma Igreja que esteja ao lado das pessoas, os evangélicos também estão vindo para cá".

O Padre Geraldo também tem muitas expectativas: "O Sínodo nos oferecerá novas oportunidades para agir em nossas realidades. Em um contexto de imensas distâncias, acreditamos que será dada a oportunidade de estar mais presente em nossa ação missionária. Parece-me importante fortalecer a inserção dos laicos nas respectivas comunidades. Em geral, penso em uma Igreja que não apenas aceita pensamentos pré-confeccionados, mas que proponha novas maneiras para a evangelização do mundo.

A Amazônia não é mais um lugar para cumprir uma pena, mas um lugar que merece sacerdotes com melhor qualificação intelectual, também prontos para partir para a missão "ad gentes".

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