10 ações da Igreja alemã para assumir sua responsabilidade com a criação

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02 Outubro 2019

A Conferência Episcopal Alemã propõe um decálogo em chaves ecológicas para contrapor os impactos socioambientais da mudança climática.

A reportagem é publicada por Vida Nueva Digital, 01-10-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Dar um bom exemplo em matéria de sustentabilidade, proteção ambiental e climática” foi a aposta da Comissão para a Pastoral Social.

“Assumir a responsabilidade pela criação como missão da Igreja” é o título do Documento de Trabalho Nº 103 da Conferência Episcopal Alemã, na qual oferece 10 recomendações – a modo de decálogo – para contrapor os impactos socioambientais da mudança climática.

Fruto de um trabalho coletivo que iniciou em 2017, as recomendações de ação que se propõem representam um esforço de "aterrissar" as grandes apostas da Laudato Si’ ao trabalho pastoral, à atividade administrativa diocesana e ao compromisso sociopolítico.

Compromisso socioambiental

“Como Igreja aspiramos dar um bom exemplo em matéria de sustentabilidade, proteção ambiental e climática”, disse Franz-Josef Overbeck, presidente da Comissão para a Pastoral Social do episcopado alemão, assegurando que “essas áreas representam a fé viva na criação e devem constituir um elemento central na atividade eclesiástica”.

Esse decálogo de ações adotadas pela Igreja alemã, estão alinhadas com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, e representam, sem dúvidas, um conjunto de exigências específicas e ambiciosas para o cuidado da “Casa Comum” desde as práticas permanentes que impactam a vida das paróquias e das jurisdições eclesiásticas em geral.

Decálogo em chaves eco sustentáveis

1. Integrar a espiritualidade da Criação na pregação e na liturgia. A responsabilidade pela Criação deve ser abordada na pregação, a catequese e se deve reservar um espaço regular na celebração do culto.

2. Arraigar uma consciência da Criação ao interior da Igreja. Se sugere que cada diocese ofereça orientações nesse sentido a quais trabalham para a Igreja, tanto em trabalhos pastorais e educativos, como administrativos, incluindo os futuros sacerdotes.

3. Sensibilizar e motivar mediante a educação. Concretamente, se propõe incluir o tema “responsabilidade pela Criação” nos planos de estudos para as aulas de religião nos programas de teologia, entre outras ações.

4. Redescobrir as próprias tradições. As antigas tradições eclesiásticas de vida espiritual são uma oportunidade para tomar consciência de que todos somos parte da Criação. Práticas como o jejum ou o dia da abstinência (alimentação sem carne) podem assumir a partir dessa perspectiva.

5. Estabelecer a responsabilidade pela criação como prioridade diocesana. A sustentabilidade, como tarefa transversal da ação eclesial, inclui todas áreas e deverá se manifestar como prioritária na administrativa diocesana.

6. Administrar os prédios de maneira sustentável. Renovar as edificações existentes a partir de uma perspectiva pastoral e ecologicamente viável, supõe levar a cabo processos de modernização com os mais altos padrões técnicos no referente ao consumo energético.

7. Administrar de maneira sustentável nas instituições da Igreja. A gestão sustentável inclui a compra e o uso de bens, mercadorias e artigos de consumo, como também a contratação de serviços, sob critérios qualidade e durabilidade, evitando a acumulação de resíduos.

8. Administrar de maneira sustentável os terrenos da Igreja. Corresponde ao imperativo de conservar os solos e as águas, e preservar a biodiversidade nos terrenos da Igreja, incluindo a manutenção das áreas que circundam seus edifícios, assim como os cemitérios sob sua gestão.

9. Planificar uma mobilidade respeitosa com o meio-ambiente. Priorizar o deslocamento ao lugar do trabalho em bicicletas, veículos compartilhados, ônibus, trens, de modo que resulte menos atrativo o uso individual do automóvel.

10. Assumir uma responsabilidade sociopolítica e internacional. Junto com outros atores, esse compromisso em torno a um maior impacto sociopolítico e internacional pode se manifestar na modernização ecosocial, o trabalho eclesial a nível mundial, eventos educativos e na oração.

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