Para Francisco, salvar a Amazônia é evangelização em movimento

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18 Setembro 2019

Uma linha persistente de críticas que levam ao próximo Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, em geral vindas dos círculos mais conservadores e tradicionais do catolicismo, é a de que todo este exercício é, na verdade, uma distração da missão católica fundamental de evangelização, qual seja, a de trazer almas para Cristo.

O comentário é de John L. Allen Jr., publicado por Crux, 17-09-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Mapa: Área Amazônica | América do Sul (Foto: Il Sismografo)

Este foi, por exemplo, o centro de queixa apresentada pelo cardeal alemão Walter Brandmüller, quem assim se perguntou: “O que a ecologia, a economia e a política têm a ver com o mandado e a missão da Igreja?”

O que às vezes se ignora é que, para o Papa Francisco, tais temas não constituem uma alternativa à evangelização. Da maneira como o papa vê, eles são evangelização, ou pelo menos um prolegômeno essencial a ela. Quando os cristãos se põem ao lado das pessoas que enfrentam problemas tais, acredita o papa, eventualmente elas acabarão se perguntando por que estão fazendo isso, e é aí onde começa a conversa.

Uma das expressões mais claras desta visão de Francisco veio em uma audiência no sábado com os membros da Comunidade de Abraão, grupo carismático fundado no norte da Itália em 1989 e hoje presente na Espanha, Suíça, Ucrânia e Hungria. A audiência marcou o 30º aniversário da comunidade.

“A mansidão que o Espírito Santo nos dá torna-nos testemunhas, porque o caminho do Espírito Santo não é o proselitismo, é o testemunho”, contou Francisco ao grupo. “Se alguém vier fazer proselitismo, não é a Igreja, é uma seita”.

É interessante que esta admoestação tenha vindo em uma sessão com os carismáticos, os quais, ao longo dos anos, foram acusados de praticar uma forma bastante dura de proselitismo e de, às vezes, atrair uma mentalidade sectária. Com o tempo, Francisco passou a admirar o movimento carismático, chamando-o de uma “corrente de graça” dos nossos tempos, mas claramente também quer garantir que o grupo não tenha recaídas.

“A Igreja que o Senhor quer, como disse o Papa Bento XVI, não cresce através do proselitismo, mas pela atração, quer dizer, a atração do testemunho, e por trás deste testemunho existe sempre o Espírito Santo”, disse Francisco.

“É essa a metodologia a que somos chamados a viver no trabalho de evangelização”, acrescentou. “Precisamos conversar com as pessoas do nosso tempo, ouvir o que trazem em seus corações, a fim de oferecer e elas a resposta mais confiável com a nossa vida, isto é, a vida que vem de Deus através de Jesus Cristo”.

“Sempre me faz bem”, continuou o papa, “ouvir aquele conselho que São Francisco de Assis deu a seus irmãos quando começou a evangelizar: Vão, preguem o Evangelho e, se necessário, usem palavras”.

“Comecem com o testemunho e, então, elas vão perguntar: ‘Por que vocês são assim?’ Esse é o momento de falar”, explicou Francisco.

É impossível acusar Francisco de não fazer aquilo que diz. Consideremos as suas atividades nos últimos dias, das quais quase nenhuma constituiria aquilo que tradicionalmente se considera “evangelização” no sentido restrito:

• Na última quarta-feira, que marcou o 18º aniversário do 11 de Setembro, Francisco recebeu um grupo chamado “Comitê Superior da Fraternidade Humana”, fundado na esteira do “Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz Mundial e da Convivência Comum” assinado pelo papa e pelo Dr. Ahmed At-Tayeb, grande imã de Al-Azhar, durante a viagem de Francisco a Abu Dhabi em fevereiro. Ao chamar o grupo de “artesãos da fraternidade”, o pontífice encorajou os membros – representantes do Vaticano e líderes muçulmanos – a trabalharem pela implementação dos objetivos do documento.

• No dia seguinte, Francisco convidou os líderes mundiais e os jovens para virem ao Vaticano, no dia 14-05-2020, participar de um evento chamado “Reinventando a Aliança Global pela Educação”. O objetivo é “despertar uma consciência e uma onda de responsabilidade pelo bem comum da humanidade, partindo da juventude e alcançando todos os homens de boa vontade”, a começar com a visão ecológica delineada na encíclica de Francisco Laudato Si’, que está completando o seu quinto aniversário.

• Na sexta-feira, o Vaticano anunciou as datas das viagens de Francisco à Tailândia e ao Japão. Ele visitará os dois países asiáticos de 19 a 26 de novembro, numa viagem que provavelmente transmitirá a sua mensagem antiguerra com paradas em Hiroshima e Nagasaki, bem como o seu trabalho na área do diálogo inter-religioso em encontros com líderes das grandes tradições asiáticas como o budismo, o xintoísmo e o confucionismo.

• No sábado, Francisco enviou mensagem a um encontro organizado pela Comunidade de Sant’Egidio dedicado à harmonia inter-religiosa e à busca da paz. Encontros deste tipo começaram em 1987 como o resultado de uma cúpula inter-religiosa promovida por João Paulo II em Assis, no ano anterior. Francisco disse ao grupo reunido: “Todos devemos nos unir – eu diria com o mesmo coração e a mesma voz – para gritar que a paz não tem fronteiras”.

Essa preocupação com as fronteiras ecoou na assembleia de Madri, quando Filippo Grandi, comissário da ONU para os refugiados, falou sobre a estimativa de 71 milhões de refugiados e pessoas deslocadas internamente como um “teste, um barômetro para as nossas sociedades” e cumprimentou a Sant’Egidio pelas iniciativas de promover corredores humanitários garantindo uma passagem segura nas zonas de perigo.

Isto, aliás, são apenas alguns exemplos da atuação de Francisco como papa. Alguém poderia perguntar o que tudo isso tem a ver com a promoção de uma vida de fé, ou seja, fazer as pessoas irem à missa, confessar seus pecados, rezar o rosário e fazer todas as outras coisas que a Igreja tradicionalmente definiu como marcas de santidade pessoal.

Temos aqui uma questão discutível, é claro, mas parece bastante claro como o próprio Francisco responderia à pergunta do que é preciso fazer com a fé: “Praticamente tudo”.

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