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10 Setembro 2019

O mundo inteiro agora sabe que o Papa Francisco está mais ou menos farto de alguns de seus críticos. Seu comentário sobre ser uma “honra” ser atacado pelos católicos conservadores dos EUA deixou isso claro para todos.

O comentário é de Michael Sean Winters, publicada por National Catholic Reporter, 09-09-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Francisco acabara de receber uma cópia de um novo livro do autor francês Nicolas Senèze, que cataloga os esforços católicos conservadores, em grande parte norte-americanos, para influenciar este papa ou para limitar a sua influência e minar os seus esforços.

As consequências do comentário do papa foram divertidas de assistir. Na semana passada, o apresentador Raymond Arroyo, da rede EWTN, começou seu programa de uma hora com um “comentário” de oito minutos que definiu a afirmação do papa como “perturbadora”. Na verdade, eu achei refrescante a sinceridade do papa.

Arroyo se referiu a uma “série de artigos preguiçosos”. Ele continuou: “Essa é uma narrativa cansativa e, francamente, sem fatos”. Ele se queixou de que essa narrativa foi fomentada principalmente por “europeus e norte-americanos progressistas” e afirmou que esses críticos “cometem o erro de alistar os católicos ortodoxos dos Estados Unidos como direitistas, atores de um plano político para desfazer a agenda de Francisco”.

Ele rebateu esse retrato, dizendo: “A verdade é muito mais simples. Os católicos norte-americanos realmente acreditam no que a Igreja sempre ensinou e se pronunciam alto o suficiente e têm plataformas grandes o suficiente para transmitir essa crença”. Arroyo insistiu que “o que todos os católicos tradicionais fizeram foi fazer perguntas”.

Arroyo confirmou involuntariamente a tese que estava tentando desmascarar ao concluir: “A verdade é que tudo isso é uma tentativa covarde de demonizar e expurgar vozes da Igreja que se atrevem a questionar as mudanças radicais que estão em andamento e as táticas brutais usadas para implementá-las”. Mudanças radicais? Táticas brutais?

Para provar essa sua reivindicação ao equilíbrio editorial, Arroyo mostrou uma gravação dele da noite de um ano atrás quando ele relatou sobre o arcebispo Carlo Maria Viganò, na qual disse: “Eu sou um pouco melindroso em relação a um papa renunciar novamente”. Hã? Um ex-núncio exigiu publicamente que o Papa Bento XVI renunciasse? Por que acrescentar a palavra “novamente”?

Na realidade, ele reconheceu que houve críticas a Viganò, mas, um ano depois, em um programa de apenas duas semanas atrás, Arroyo e seu pelotão papal, Robert Royal e o Pe. Gerald Murray, passou mais da metade do programa defendendo Viganò e argumentando que a maioria das suas alegações se provou verdadeira, quando, na verdade, a maioria delas se provou falsa.

Arroyo disse: “Não criemos tolas teorias da conspiração”.

Eu acho que o papa tocou em uma ferida. O longo discurso de Arroyo parecia nada mais do que as desculpas selvagens que uma criança dá quando é pega roubando o pote de biscoitos. Para ser claro, se eu estivesse em seu lugar, eu também ficaria chateado. Eu ficaria chateado se eu pensasse que meus amigos eram donos da Igreja, e alguém havia aparecido e a tirado de nós.

De fato, existe um conluio entre os católicos de direita para minar ou minimizar esse papa e seus ensinamentos, e você poderia descobri-lo simplesmente assistindo a EWTN ou lendo suas publicações auxiliares. Ninguém convidaria o cardeal Raymond Burke ou o cardeal alemão Gerhard Müller para o seu programa como convidado de autoridade, a menos que o objetivo fosse essa demolição. Ninguém convidaria Phil Lawler, que foi o primeiro convidado do programa de Arroyo na semana passada, como especialista, a menos que o objetivo fosse minar o papa. Os dois se uniram ao reclamar de todo o dano que eles acham que Francisco está causando à Igreja.

Desejo enviar a Arroyo e a outros católicos conservadores um convite que recebi há muito tempo e do qual obtive enormes benefícios. Durante os pontificados mais conservadores de João Paulo II e de Bento XVI, alguns amigos me incentivaram a ler os escritos deles com a mente aberta, a não descartá-los por serem tão conservadores.

Obviamente, na área do ensino social católico, houve uma enorme continuidade, não apenas ao longo dos últimos três pontificados, mas também remontando até o Papa Leão XIII. Mas, quando eu li alguns dos escritos do cardeal Joseph Ratzinger, desde a sua primeira obra, “Introdução ao cristianismo”, até a trilogia sobre Jesus de Nazaré que ele escreveu como papa, eu não apenas aprendi muito, mas também fortaleci a minha fé com as intuições que ele teve.

Eu publiquei uma coluna no dia seguinte à sua renúncia [disponível aqui, em inglês]. Eu ainda não era escritor quando o Papa João Paulo II publicou a Novo Millennio Ineunte, mas eu me lembro de pensar que era um documento magnífico que me ajudou a crescer de maneira que eu não teria crescido se tivesse simplesmente me apegado aos meus textos católicos mais liberais.

Então, em vez de pintar Francisco sob uma luz tão severa e negativa, em vez de debochar dos Sínodos, ou em vez de destacar e até de defender um texto de acerto de contas como o “testemunho” de Viganò, eu convido os católicos conservadores a irem ao encontro de Francisco e seus ensinamentos com um coração aberto e uma mente aberta.

Eu espero que eles possam encontrar, assim como eu fiz com os seus antecessores conservadores, uma oportunidade de expandir a sua fé, o que sempre leva a uma expansão e a um aprofundamento dessa fé também.

É uma Igreja grande, e há espaço para todos. A alternativa é o surgimento de uma Igreja sectária e paracismática nos Estados Unidos. E, se um cisma total ocorresse, a sua fonte poderia ser amplamente encontrada na EWTN.

 

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