Espiões chineses tentaram invadir uma cúpula ultraconservadora em Fátima com Orbán e o chefe de gabinete de Trump

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09 Setembro 2019

Espiões chineses tentar rebentar uma reunião secreta ultraconservadora no santuário de Fátima, em Portugal, devido a preocupações sobre a presença de políticos e um cardeal de Hong Kong, críticos do regime comunista.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 08-09-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

De 22 a 25 de agosto, a Rede Internacional de Legisladores Católicos (ICLN, por suas siglas em inglês) celebrou sua décima Cúpula Internacional de Peregrinação para Políticos e Famílias em um hotel junto ao monumento religioso mais famoso de Portugal.

Foi a primeira vez que a ICLN celebrou sua reunião anual fora do Vaticano.

As discussões nas cúpulas da ICLN se mantém no mais estrito segredo, para que os convidados possam “debater e trocar livremente seus pensamentos sobre os temas discutidos”, em palavras da própria ICLN.

Entre os aproximadamente 200 participantes na peregrinação este ano se encontravam Viktor Orbán, o controverso primeiro ministro húngaro de extrema-direita, e Mick Mulvaney, chefe de gabinete do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Porém foi a presença do cardeal de Hong Kong Joseph Zen, assim como de outros dois deputados nacionais – todos eles defensores dos contínuos protestos anti-China – o que fez soar alarmes da embaixada chinesa em Portugal.

O semanário português Sábado, revelou na quinta-feira que a equipe da embaixada chinesa tentou várias vezes acessar à cúpula da ICLN para compreender o que se estava discutindo em suas reuniões.

Também trataram de fotografar aos participantes da cúpula, o que fontes portuguesas descreveram como comportamento “inaceitável” de representantes diplomáticos estrangeiros.

O embaixador dos EUA em Portugal, George Glass, que assistiu à reunião de Fátima, disse ao Sábado que “infelizmente, houveram tentativas de interrupção da reunião, das quais presenciei pessoalmente, por pessoas que queriam bloquear a participação do cardeal Joseph Zen Ze-kiun, de Hong Kong”.

“As autoridades portuguesas impediram essas tentativas”, explicou Glass.

O Ministério de Relações Exteriores de Portugal agora está investigando a tentativa de espionagem chinesa, que vê com uma grande preocupação.

Uma fonte do escritório do ministro de Assuntos Exteriores, Augusto Santos Silva, disse que o ministério “é consciente de que havia empregados da embaixada chinesa em Fátima, porém desconhece qual era seu propósito”.

Dito isso, essa fonte explicou que Portugal não restringe os movimentos de diplomatas estrangeiros no país.

“Portugal tem boas relações com a República Popular da China e quer que continue assim”, adicionou a fonte.

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