Na América do Sul, a natureza queima e a política se esgota. Artigo de Eduardo Gudynas

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03 Setembro 2019

“É mais fácil atacar Bolsonaro, pois é machista, racista, violento e autoritário, mas é mais difícil assumir as sérias contradições em outros setores políticos. Para nós custa entender que estamos diante de uma crise ecológica em escala continental e que isso também expressa o esgotamento das ideologias políticas herdadas da Europa ilustrada. As velhas políticas, todas elas, caducaram. A questão é compreender isso para construir alternativas, antes que seja queimada a última árvore”, escreve o ambientalista Eduardo Gudynas, pesquisador vinculado ao Centro Latino-Americano de Ecologia Social (CLAES), em artigo publicado por Ctxt, 28-08-2019. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Nos primeiros dias, o fogo te encurrala, nos dias seguintes, as cinzas te entristecem. Assim posso descrever minhas sensações em uma de minhas visitas, anos atrás, às áreas amazônicas do Brasil, Peru e Bolívia. Estas coincidiram com incêndios como os que hoje causam alarme mundial.

Quando as chamas estão ativas, a fumaça inunda tudo, é perigoso transitar as estradas devido à pouca visibilidade. Há momentos difíceis de respirar, a garganta fica inflamada e os olhos lacrimejam. Quando as chamas se apagam, o ocre e o cinza dominam a paisagem. Aqui e ali permanecem restos de algumas árvores, enquanto no chão, entre as cinzas, aparecem, a cada passo, os cadáveres queimados de animais que não puderam escapar.

Essa destruição da fauna e da flora é o que está se repetindo, nesses dias, na América do Sul. Embora a imprensa convencional insista nas manchetes sobre a Amazônia e sobre o Brasil, a realidade é mais complexa e também mais dolorosa.

De fato, esses tipos de incêndios estão ocorrendo no momento em pelo menos quatro países da América do Sul. Além do Brasil, afetam a Bolívia, o Peru e o Paraguai. Por sua vez, está se queimando florestas tropicais úmidas, a Amazônia, mas o mesmo está acontecendo com florestas secas e savanas arborizadas, como Chiquitos, na Bolívia, e o Cerrado brasileiro.

Nos dados mais recentes, o número de incêndios no Brasil ultrapassou 82.000 focos (em 26 de agosto), o número mais alto desde 2010, e quase o dobro do registrado nessas mesmas datas no ano anterior. Na Bolívia, existem mais de 19.000 focos (o dobro de 2018), no Paraguai, mais de 10.000 (permanecendo em valores semelhantes ao ano anterior), e no Peru, mais de 6.000 (um pouco mais que o dobro).

Todas as grandes regiões ecológicas dos trópicos e subtrópicos da América do Sul são afetadas por incêndios. Por exemplo, no Brasil, aproximadamente metade dos focos estão localizados na Amazônia, mas quase um terço ocorre no Cerrado e 10% nas florestas atlânticas. Atualmente, a Bolívia está enfrentando o drama de ver como enormes áreas de florestas secas e até o Pantanal estão sendo devoradas pelas chamas (hoje as perdas são estimadas em 1,5 milhão de hectares). Portanto, pensar que somente a Amazônia brasileira está queimando é uma simplificação. As perdas ecológicas em todos esses ambientes são enormes. Por exemplo, a floresta seca de Chiquitos é única em todo o continente, e se estima que mais de 750.000 hectares já queimaram.

O ‘chaqueo’ de ontem e o desmatamento de hoje

A queima de florestas e campos, o chamado chaqueo em alguns lugares, foi uma prática tradicional, realizada especialmente por pequenos agricultores e povos indígenas. Afetava pequenas superfícies e estava diretamente ligada ao autoconsumo de alimentos e a limitações tecnológicas. Tudo isso mudou nas últimas décadas, na medida em que chegaram às áreas tropicais e subtropicais todos os tipos de colonos e empresas. Os incêndios de hoje não têm nada a ver com aqueles do passado.

Atualmente, são desmatadas e queimadas grandes áreas, quase sempre com o objetivo de liberar espaço para a pecuária extensiva, embora em outros lugares seja para agricultura. Para fazer isso em grande escala, são necessários importantes recursos materiais, como motosserras e máquinas pesadas, e muito capital para financiar uma engenharia de procedimentos legais ou ilegais, formais ou amparados na corrupção. Por trás disso não estão os indígenas, nem os pequenos agricultores.

Essa pressão da pecuária pode ser brutal. Por exemplo, na área de São Félix do Xingu (estado do Pará) se concentra um rebanho de gado com mais de dois milhões de cabeças. Fatores como esses empurram a agricultura convencional para áreas naturais tropicais e subtropicais.

Por sua vez, a disseminação de monoculturas, especialmente a soja, em outras áreas do Brasil, mas também na Bolívia e no Paraguai, faz com que os agricultores passem para novas áreas para desmatar. Tudo isso gera um enorme arco de desmatamento na Amazônia, que atravessa a América do Sul, desde a costa atlântica brasileira até o sopé dos Andes na Bolívia e no Peru. É uma faixa de quase 3.000 km de extensão, uma distância similar à que separa Madri de Varsóvia.

Bolsonarização para militarizar a Amazônia

Essa problemática foi agravada notavelmente pelo governo de Jair Bolsonaro. Por um lado, cortou os controles ambientais sobre questões críticas, como o desmatamento, reduziu o orçamento do Ministério do Meio Ambiente, cessou o pessoal-chave das agências de conservação ambiental e da biodiversidade, manobrou para cancelar multas a infratores ambientais e muito mais.

Por outro lado, Bolsonaro e sua equipe têm perseguido repetidamente ambientalistas, indígenas e pequenos agricultores, apresentando-os como obstáculos ao progresso, potenciais criminosos e até como responsáveis pelos incêndios. Como exemplo, em 27 de agosto, na reunião com os governadores dos estados amazônicos, em vez de analisar a crise ecológica, reclamou novamente que os índios já têm terra demais e anunciou que não aprovará novas áreas protegidas.

Bolsonaro também não hesita em repelir as críticas, dizendo que fazem parte de uma conspiração no exterior para ficar com a Amazônia brasileira. Essa retórica tem um antecedente que vem desde os anos 1970, quando o governo militar se opôs às primeiras negociações ambientais internacionais. Bolsonaro revive parte desse vocabulário, coloca militares em posições que afetam a gestão ambiental e mostrou sinais de ressuscitar um programa de controle militar nas fronteiras da Amazônia. Sob essas condições, não surpreende que tenha recebido algum apoio de outro governo muito conservador, o de Ivan Duque, na Colômbia. Este também apresentou um novo plano de desenvolvimento em que a gestão ambiental se torna parte da estratégia de segurança do Estado.

A geopolítica amazônica

A condição internacional da Amazônia voltou ao primeiro plano com a reação internacional frente aos incêndios. Uma circunstância da qual se aproveitou Emmanuel Macron, onde há pouco de ambientalismo e muito oportunismo comercial e político. Mas, o problema é que, pelo menos desde os anos 1980, os governos brasileiros insistem em controlar soberanamente sua Amazônia, mas ao mesmo tempo repetem que não têm dinheiro para protegê-la e exigem ajuda de países industrializados. A partir daí, foram construídos diversos mecanismos, financiados principalmente pela Europa.

Por exemplo, em 1992, foi iniciado o PPG7 (Programa Piloto para a Proteção de Florestas Tropicais do G7), que funcionou até 2009, com um orçamento de mais de 460 milhões de dólares. Quando se fazia lobby por esse dinheiro, do Brasil, insistia-se que a Amazônia era um ecossistema único no planeta e que os países ricos deveriam colaborar para protegê-lo. Também se incentivou uma visão distorcida, como se houvesse apenas a Amazônia no Brasil, deixando em segundo plano os outros países que compartilham a bacia. Dessa forma, as próprias autoridades brasileiras, por pelo menos 30 anos, contribuíram para esse entrevero que oscilava entre uma Amazônia “só minha”, a outra que seria “de toda a humanidade”.

A atual crise expôs em toda a sua rudez as tensões entre a soberania nacional e as responsabilidades ecológicas, não apenas dentro de um país, mas com seus vizinhos e com a saúde ecológica planetária.

As cinzas ideológicas

O problema se torna mais complexo quando se entende que as queimadas e a crise ambiental se repetem nos países vizinhos. Não é de surpreender que isso aconteça com governos conservadores, como os da Colômbia, Peru e Paraguai. Torna-se mais difícil assumir que na Bolívia, a partir de posições ideológicas que são apresentadas como opostas, os controles ambientais também foram enfraquecidos, as faltas dos desmatadores foram perdoadas e o progresso do agronegócio é incentivado.

O governo de Evo Morales cita a Pachamama, mas suas ações concretas têm sido as de promover a exploração mineira, petroleira e agropecuária e, por isso, enfrenta um desastre ecológico semelhante. Assim como Bolsonaro ataca os ambientalistas, o governo Morales zomba, assedia e ameaça expulsá-los do país.

Nos progressismos, a retórica se apoia em outros argumentos. Por exemplo, o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, cita Marx e Lenin, mas também argumenta que a proteção da natureza é uma invenção do Norte e, portanto, não deveriam ser o guarda florestal de ninguém. Tiveram sucesso nessa promessa: não cuidaram das florestas e agora estão pegando fogo. E, embora os adereços de seus discursos sejam opostos aos de Bolsonaro, as semelhanças em suas essências deixam um gosto muito amargo.

Por tudo isso, quando você lê as manchetes da imprensa em Madri, Londres e Paris, sempre há aquela sensação de que realmente não estão entendendo o que está acontecendo aqui no sul. É mais fácil atacar Bolsonaro, pois é machista, racista, violento e autoritário, mas é mais difícil assumir as sérias contradições em outros setores políticos. Para nós custa entender que estamos diante de uma crise ecológica em escala continental e que isso também expressa o esgotamento das ideologias políticas herdadas da Europa ilustrada. As velhas políticas, todas elas, caducaram. A questão é compreender isso para construir alternativas, antes que seja queimada a última árvore.

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