Dos oceanos ameaçados até à Amazônia. O Papa conclama a rezar e agir

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02 Setembro 2019

É um "Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação" especial aquele que se comemorou neste último domingo. Instituído pelo Papa em 2015, a iniciativa deste ano precede por poucas semanas o Sínodo especial dos bispos sobre a "Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral" a ser realizado no Vaticano de 6 a 27 de outubro e que verá precisamente o tema da criação no centro dos trabalhos. Para enfatizar ainda mais o quanto seja importante para Francisco a "conversão ecológica" da Igreja, há sua vídeo-mensagem para apresentar a intenção de oração do Pontífice para o mês de setembro, sobre a proteção dos oceanos, relançada pela jesuítica Rede Mundial de Oração do Papa dirigida por Frédéric Fornos.

A reportagem é de Andrea Galli, publicada por Avvenire, 01-09-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Rezamos este mês para que os políticos, os cientistas e os economistas trabalhem juntos para a proteção dos mares e dos oceanos", diz Bergoglio no vídeo, "A criação é um projeto do amor de Deus pela humanidade" e os oceanos hoje, que guardam "a maior parte da água do planeta e até a maior variedade de seres vivos", estão "ameaçados por diversas causas". "A nossa solidariedade com a ‘casa comum’ - insiste o Papa - nasce da nossa fé". O que Francisco quer é uma atenção ecológica e ecumênica juntas. Hoje, de fato, inicia-se também o "Tempo da Criação", iniciativa compartilhada pela Comunhão Anglicana, pela Federação Luterana Mundial, pelo Conselho Mundial de Igrejas, pela Aliança Evangélica Mundial e pela Igreja Católica. Trata-se de um mês de "oração e ação" para Criação, que terminará em 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis. O site SeasonOfCreation.org oferece recursos e ideias para participar. Os promotores no âmbito católico são especialmente o Dicastério para o Serviço do desenvolvimento humano integral, juntamente com o Movimento Católico mundial pelo clima e a Rede Eclesial Pan-Amazônica. Em uma carta enviada pelo dicastério do Vaticano aos bispos do mundo em junho passado, recorda-se que a escolha de 1º. de setembro como Dia de oração pela criação nasceu no mundo ortodoxo, como uma ideia do então Patriarca de Constantinopla Dimitrios em 1989. É um comitê diretivo ecumênico que sugere a cada ano um tema para a celebração. O de 2019 é "A rede da vida", com referência à biodiversidade. E a biodiversidade é dedicada por fim também a mensagem para o Dia Nacional pelo cuidado da criação da Conferência Episcopal Italiana (o dia foi este último domingo, de fato, mas a celebração nacional será realizada no próximo domingo na diocese de Cefalù). "Quantas são as tuas obras, Senhor (Salmo 104, 24). Cultivar a biodiversidade" é o título oficial. Em sua mensagem, os bispos escrevem que é "importante incentivar práticas de cultivo realizadas de acordo com o espírito com que o monaquismo tornou possível a fertilidade da terra sem alterar seu equilíbrio". E eles entram em detalhes específicos, quase técnicos: "Será necessário usar novas tecnologias destinadas a valorizar, na medida do possível, o orgânico. Também será importante conhecer e incentivar instituições universitárias e entes de pesquisa, que estudam a biodiversidade e trabalham para a conservação de espécies de plantas e animais ameaçadas de extinção. Também trata-se de uma questão de se opor a tantas práticas que degradam e destroem a biodiversidade: basta pensar no land grabbing, no desmatamento, na proliferação das monoculturas, no aumento do consumo de solo ou na poluição que a envenena; também se pensa nas dinâmicas financeiras e econômicas que buscam monopolizar a pesquisa (desencorajando a pesquisa livre) ou até se propõem a privatizar algumas tecno-ciências relacionadas com a preservação da biodiversidade".

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