México. O zapatismo cresce e “rompe o cerco”

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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 24 Agosto 2019

O Exército Zapatista de Libertação Nacional — EZLN anunciou em um comunicado oficial o crescimento do número de municípios autônomos no Estado de Chiapas. Somam-se ao total 43 territórios da organização zapatista, sem o controle do Estado Mexicano ou de partidos políticos. No comunicado, o EZLN também reforçou sua oposição à dita “Quarta Transformação” do presidente Andrés Manuel López Obrador.


Mapa dos estados mexicanos, em destaque Chiapas. Fonte: San Cristobal Language School

25 anos os povos indígenas mexicanos constituem ao sul do país, no estado de Chiapas, comunidades autônomas. Territórios que foram reivindicados pela luta armada no período de acentuação da economia neoliberal em todo o continente, e no México, sob o governo de Carlos Salinas de Gortari, a assinatura do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, com Estados Unidos e Canadá, o NAFTA. A insurgência zapatista não foi apenas uma resistência à ordem que se constituía, mais que isso, significou uma alternativa dos povos originários de garantirem sua independência e auto-organização.


Escola Zapatista no Caracol Resistencia y Rebeldia por la Humanidad, em Oventic, Chiapas. Foto: Protoplasmakid | Wikicommons

O anúncio desta semana representa o avanço do trabalho articulado do movimento pela região sudeste do país. Andrés Manuel López Obrador deu as “boas-vindas” às novas comunidades e caracoles, ao tom de quem “outorga” a organização. As comunidades autônomas, diferentemente do anunciado pelo presidente, são, literalmente, autônomas em relação ao poder do Estado. A “outorga” é mais um símbolo dos conflitos entre o EZLN e o atual presidente, eleito com o discurso de ser o primeiro representante da esquerda a chegar à presidência, e com o projeto de “Quarta Transformação”.

Para os zapatistas, AMLO é de formação “priista” (foi membro do Partido Revolucionário Institucional - PRI, de 1970 a 1988), como relembram no Comunicado Oficial. Para a organização, a dita “Quarta Transformação” envolve em dividir o zapatismo e “compra-lo com esmolas”. O avanço do exército autônomo, conforme analisa o jornalista e analista político Raúl Zibechi, se dá por conta do diálogo entre iguais. “As mulheres e os jovens são os que foram conversar com seus semelhantes de outras comunidades, para se organizarem e autogovernarem juntos”. Ao se referirem a Obrador, os zapatistas o alcunham de "Mandão" e atacam com ênfase o projeto do "Trem Maia", que atravessaria áreas tradicionais da população maia, com uma extensão total de 1.500km de ferrovias, e também o projeto de construção de um muro no Istmo de Tehuantepec, no extremo sul do país, que seria para "barrar migrantes e separar os povos do sul dos povos do norte". Para os zapatistas, esses projetos visam tornar os indígenas peças de museu para o que os turistas se deleitem com suas ruínas.

O crescimento do zapatismo representa a vitória dos movimentos de insurgência aos poderes institucionais e centralizados. “A mobilização silenciosa entre os ‘de abajo’ comprovaram que as esmolas dos governos ferem a dignidade pelo desprezo e o racismo que implicam. Os mundos novos nascem por contágio e por necessidade, sem seguir as instruções dos manuais partidários, nem as receitas predeterminadas de velhos líderes”, constata Zibechi.

O EZLN enfatiza no comunicado que seguirá na oposição ao governo AMLO e a qualquer que esteja no Palácio Nacional. “O cerco governamental ficou para trás, não serviu e nunca vai servir. Seguimos caminhos e rotas que não existem nem nos mapas, nem nos satélites, e que só se encontram no pensamento de nossos anciãos”.


Mapa com os novos territórios sob o governo autonômo do Exército Zapatista de Libertação Nacional. As áreas em vermelho são as zonas originais, em amarelo as novas localidades, e as listradas representam locais que ampliaram a influência. Fonte: Jornal Excelsior

O comunicado dos novos caracóis e municípios autônomos assinado pelo Subcomandante Moisés descreve um processo amplo com diversos atores e eventos e convocando uma mobilização constante para a construção dos centros e dos governos autônomos. Enfatizando, sempre, a necessidade de distanciamento dos poderes do Estado mexicano. “Ao invés de subir nos cargos dos maus governos ou de nos convertermos em uma cópia malfeita daqueles que nos humilham e oprimem, nossa inteligência e sabedoria se dedicou ao nosso próprio crescimento e fortaleza”, declaram.

A extensão do zapatismo compõe mais 7 novos caracóis e 4 municípios autônomos, totalizando 43 territórios autogovernados.

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