Solução ‘Qiao Shi’ para Hong Kong? Artigo de Francesco Sisci

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20 Agosto 2019

"Pequim parece perceber que há dois problemas sociais dramáticos que alimentam o protesto. Eles devem ser resolvidos, independente das exigências de uma maior democracia no território."

O artigo é do sinólogo italiano Francesco Sisci, professor da Universidade Renmin, em Pequim, na China. O artigo foi publicado por Settimana News, 19-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

A manifestação pacífica de domingo em Hong Kong poderia talvez abrir um cenário de uma solução diferente para os protestos, enquanto até ontem tudo parecia preso na dura alternativa entre a oposição violenta dos manifestantes e a repressão sangrenta das autoridades.

Ontem, de fato, 1,7 milhão de pessoas marcharam sem atos de agressão por parte dos manifestantes e, portanto, sem distúrbios policiais. Isso aconteceu depois que os protestos foram realizados de maneira pacífica há três dias e o aeroporto, bloqueado por manifestantes, havia sido evacuado.

Isso dá a Pequim a confiança de que a situação em Hong Kong poderia ser levada de volta à normalidade gradualmente, sem intervenção militar. Tal intervenção também poderia depois levar à explosão dos tantos problemas que a China tem hoje e a exacerbar as contradições com os Estados Unidos, com os quais uma dura negociação comercial está em andamento.

Está se prospectando a perspectiva de uma espécie de "solução Qiao Shi" para os protestos. Em 1989, durante os protestos de Tiananmen, Qiao Shi, segundo rumores da época, propunha uma solução mediana entre aqueles que se alinhavam com os manifestantes, como o então secretário do PC Zhao Ziyang, e aqueles que queriam uma dura repressão com a intervenção do exército, como o então premier Li Peng.

Qiao teria sugerido deixar o protesto acontecer e depois evacuar a praça, acolhendo unilateralmente alguns dos pedidos dos estudantes. De fato, na noite de 3 de junho, quando as tropas marcharam sobre Tiananmen, a praça havia sido praticamente abandonada pelos estudantes. Não havia serviços higiênicos e o calor começava a ser implacável. Talvez mais alguns dias de espera, e teriam sido suficientes poucos agentes para ter a situação sob controle.

No entanto, isso teria dado a Qiao uma importante vitória política, superando a linha dura do partido. A intervenção militar mudou muitas coisas.

A mesma lógica parecia estar em jogo nas últimas semanas em Hong Kong, com duros confrontos entre manifestantes e parte das autoridades em busca de um confronto sangrento que teria dado início a revolução (segundo os manifestantes) ou teria imposto uma linha de confronto muscular em todos os sentidos (de acordo com a linha dura de Pequim).

Claro que isso é hoje apenas uma brecha; não exclui que manifestantes violentos e "duros" contra Pequim não voltem objetivamente a se aliar para trazer a tensão de volta ao estado de ebulição.

Aqui, talvez, também seria necessário um esforço de análise e visão política de parte dos manifestantes que apresentaram os cinco pontos de exigências. Tais pedidos não podem ser algo para pegar ou largar; pode ser uma ideia para uma negociação política.

Pequim também deveria buscar interlocutores políticos entre os líderes dos protestos e legitimá-los, dando-lhes credibilidade.

Na década de 1970, na Itália, quando grupos extremistas pressionavam para a radicalização dos protestos, a DC, então no poder, buscou e encontrou interlocutores no PCI para isolar os elementos mais violentos e acolher parte das demandas vindas das ruas. A situação não foi resolvida em um dia, mas evitou dramáticos levantes políticos, que na época teriam sido possíveis.

Além disso, com o recente plano de ajuda para as classes mais fracas em Hong Kong, Pequim parece perceber que há dois problemas sociais dramáticos que alimentam o protesto. Eles devem ser resolvidos, independente das exigências de uma maior democracia no território. Os problemas são o poder esmagador de um grupo de super ricos, que bloqueia as possibilidades de avanço social da classe média. Na prática, não existe mais a possibilidade de ascensão social, que ao contrário existia até uma década atrás.

Além disso, há uma polarização da sociedade com pessoas que ganham nominalmente nos níveis ocidentais, mas que têm um padrão de vida cada vez mais baixo, dados os custos crescentes do território. Esses problemas não estão nas demandas dos manifestantes, mas são uma questão cada vez mais candente para o território.

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