Cientistas da ONU pedem uma mudança urgente na dieta mundial para frear a crise climática

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09 Agosto 2019

Cessar a crise climática obriga a mudar o modo de se alimentar. A fórmula atual para produzir a comida supõe quase um terço das emissões de gases do efeito estufa, razão pela qual é impossível conter o aquecimento global sem que o mundo – sobretudo o rico – modifique sua dieta com urgência: mais vegetais e carne produzida com sistemas que utilizem menos energia, segundo o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), publicado nesta quinta-feira.

A reportagem é de Raúl Rejón, publicada por El Diario, 08-08-2019. A tradução é do Cepat.

O documento, aprovado na quarta-feira, aponta que não basta aplicar medidas à produção de energia nas centrais elétricas ou nos motores dos veículos. Não basta a mudança para a eólica e solar. Em outubro de 2018, o IPCC já tinha avisado que apenas medidas urgentes e drásticas, na próxima década, poderiam evitar o pior da mudança climática, limitando o aumento da temperatura global a 1,5 grau. Este novo relatório acrescenta outro pacote de medidas cruciais.

Os especialistas calculam que a produção de comida lança 11 gigatoneladas de gases na atmosfera. São 11 milhões de toneladas de gases do efeito estufa com base em práticas agrícolas, mudança no uso do solo, armazenamento, transporte, processamento, empacotamento e consumo dos produtos. A ministra em exercício da Transição Ecológica, Teresa Ribera, após conhecer o relatório, destacou que o estudo demonstra “como é fundamental o solo. Um bem precioso e escasso que deixou de ser um sumidouro de gases para ser um emissor” pelo uso intensivo que a humanidade impôs.

O que vai para o prato

Os cientistas pedem para se adotar o que chamam dietas mais saudáveis. Quais alimentos citam? Falam de cereais, legumes, verduras, frutos secos e sementes. Também carne, mas com métodos de produção que permitam um uso “menos intensivo” de energia. Um dos coordenadores do relatório, Jim Skea, advertiu que eles não recomendam uma dieta às pessoas. “Destacamos que, segundo a evidência científica, há dietas que têm uma menor pegada de carbono”. Ou seja, um impacto climático menor.

O IPCC considera que estas mudanças têm um potencial para evitar que entre 1,8 e 3,5 gigatoneladas de CO2 acabem na atmosfera. E acrescentam outro aspecto: frear o desperdício de comida. Ao se desperdiçar menos alimentos, reduz-se a necessidade de consumir mais, sendo assim, há uma diminuição na expansão de terras dedicadas à produção. Os cientistas calcularam que um terço dos alimentos que são produzidos acabam sendo desperdiçados. Uma boa proporção do efeito estufa é gerada para nada.

Fatura climática da comida

A maioria da superfície terrestre do planeta é dedicada para a produção de alimentos e roupas. Até 72% do solo livre de gelo é destinado para manter a população. O relatório explica no que implica esta pressão: o aumento na produção de comida acelerou o uso intensivo das terras. Também obrigou a aumentar a aplicação de fertilizantes a base de nitrogênio e o consumo de água para a irrigação.

Tudo isto multiplicou as emissões. A mudança no uso dos solos para sustentar este crescimento global contribuiu para a quantidade de CO2 lançado “sobretudo pelo desmatamento”, explicam. Ou seja, o desaparecimento de árvores para dar lugar a campos de cultivo ou pastos para o rebanho. Também subiu a quantidade de óxido nitroso emitido (N2O) pela agricultura e a de metano (CH4) pelo gado. Até metade deste gás, de grande potencial estufa, sai dos rebanhos de gado.

As medidas que colocam sobre a mesa abarcam desde a redução nas emissões de N2O dos fertilizantes, a do metano dos arrozais, a melhora genética para que os cultivos suportem melhor as secas e que o gado tenha uma melhor alimentação, além da gestão de seus dejetos. Atribuem a isso um potencial de poupança de 1,4 a 4 gigatoneladas de gases ao ano.

A mudança climática degrada os campos

A influência entre a obtenção de comida e a mudança climática é de ida e volta. Na medida em que a temperatura cresce, aumentam os danos: maior desertificação, mais degradação do solo... Isto se traduz em piores rendimentos das colheitas. Como consequência, um previsível encarecimento do produto. As previsões apontam que os preços dos cereais podem subir 29%, até 2050.

Além disso, também afetará a própria qualidade da comida, já que a maior concentração de dióxido de carbono influenciará na composição dos nutrientes como, por exemplo, as proteínas.

Freio à fórmula da bioenergia

O biodiesel em escala mundial toma o lugar da comida, adverte o relatório. Uma das soluções geralmente adotadas pelos estados para cumprir o seu compromisso de emissões foi a aposta nos biocombustíveis. A bioenergia que se obtém com base em cultivos como a palma ou a colza. Os especialistas advertem sobre os riscos e afirmam que há limites para o cultivo destas variedades. Por quê? A proliferação destas plantações pode significar efeitos “irreversíveis” na desertificação da terra.

O que o IPCC descreve é que a ideia de cortar emissões de CO2 baseada na substituição de combustível fóssil por biodiesel, por exemplo, tende a criar uma concorrência pelo solo entre os cultivos para energia e os destinados a produzir variedades que alimentem à população.

O documento inclui uma advertência: “Muitas das respostas levam tempo para produzir seus efeitos”. Pedem paciência. Sem ir muito longe, destacam que medidas como mudar a maneira de produzir ou variar a dieta precisam de um período de adaptação. Inclusive, o reflorestamento da coberta vegetal não se consegue rapidamente. As plantas precisam crescer.

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