A carta do Papa Francisco aos padres

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06 Agosto 2019

"Mesmo reiterando o seu desprezo pelos padres que violentam menores e a urgente necessidade de curar esse flagelo, o Papa reitera que seria insuportável se as vergonhosas ações de alguns poucos fizessem esquecer a generosa dedicação de muitos padres à sua comunidade."

O comentário é de Luigi Sandri, publicado por L'Adige, 05-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o comentário.

Seria realmente injusto que os padres pedófilos - uma pequena minoria do clero - fizessem recair sobre os padres e párocos do mundo a vergonha da desonra, esquecendo com quanto empenho e coragem essa grande maioria realiza sua missão. Este pensamento é o coração de uma carta que no último domingo, 160º aniversário da morte do Cura de Ars, o Papa dirigiu a todos os sacerdotes. Ele viveu em tempos perigosos (1786-1859), caracterizados pelas revoltas sociais causadas pela Revolução Francesa, João Maria Vianney por muitos anos foi pároco zeloso em Ars, um vilarejo não muito distante de Lyon. Por isso Pio XI canonizou-o em 1925 e depois o escolheu como padroeiro dos párocos.

Atualmente, na Igreja católica existem cerca de 450 mil sacerdotes: aqueles latinos (ou seja, 95%) todos celibatários, enquanto são casados muitos daqueles pertencentes às Igrejas católicas orientais.

A questão do celibato sacerdotal obrigatório - que Francisco diretamente não aborda - tem sido debatida há algum tempo; no Sínodo sobre a Amazônia, que será realizado em outubro, será discutido se, para aquela vasta área (mais de sete milhões de quilômetros quadrados), seria útil admitir os "viri probati", ou seja, índios casados e com uma vida cristã exemplar, que possam ser consagrados sacerdotes. A hipótese tem boas probabilidades de ser aceita.

Bergoglio evita o problema; e insiste, ao contrário, em encorajar todos os padres dado que, devido ao escândalo dos padres pedófilos - que, de acordo com as estatísticas do Vaticano, diz respeito apenas a 4 ou 6% do clero - são frequentemente acusados em bloco de tais infâmias. O pontífice escreve: “Algum tempo atrás, expressei aos bispos italianos a preocupação de que, em não poucas regiões, nossos sacerdotes se sentem ridicularizados e ‘culpabilizados’ por crimes que não cometeram e eu lhes dizia que precisam encontrar no seu bispo a figura do irmão mais velho e do pai que os encoraja nestes tempos difíceis, os estimula e os apoia no caminho”.

Mesmo reiterando o seu desprezo pelos padres que violentam menores e a urgente necessidade de curar esse flagelo, o Papa reitera que seria insuportável se as vergonhosas ações de alguns poucos fizessem esquecer a generosa dedicação de muitos padres à sua comunidade.

"Como irmão mais velho e pai - conclui Francisco - eu também quero estar perto e, em primeiro lugar, agradecer em nome do santo Povo fiel de Deus por tudo o que ele recebe de vocês e, por minha vez, encorajar-vos a renovar essas palavras que o Senhor proferiu tão ternamente no dia da nossa ordenação e constituem a fonte da nossa alegria: ‘Já não vos chamo servos, mas amigos’". Na sua carta Bergoglio não entra nos temas que, em um mundo - pelo menos no Ocidente - secularizado, se impõem para a formação dos futuros padres e, portanto, para um repensamento dos seminários (instituição projetada há cinco séculos atrás pelo Concílio de Trento) e do "status" sacerdotal. Mas a questão urge.

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