O futuro do sacramento da penitência. Artigo de Agostino Marchetto

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30 Julho 2019

Para repensar o sacramento da penitência, é preciso permanecer na linha da justa hermenêutica conciliar, aquela “não da ruptura e da descontinuidade, mas da reforma e da renovação na continuidade do único sujeito Igreja”.

A opinião é do arcebispo emérito italiano Agostino Marchetto, considerado pelo Papa Francisco como o “grande hermeneuta do Concílio Vaticano II”, em artigo publicado em Il Sismografo, 29-07-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Recentemente, na revista Il Regno 14 (2019), p. 387 e ss., Ladislas Orsy dava um mergulho no futuro da penitência [sacramental] “no espelho do evangelho”, citando o número da Sacrosanctum Concilium do Vaticano II que assim afirma sob o entretítulo “Revisão do rito da penitência”: “Revejam-se o rito e as fórmulas da Penitência de modo que exprimam com mais clareza a natureza e o efeito do sacramento”.

No segundo ponto do seu procedimento, ele analisava aquilo que aparece na tradição a esse respeito, e sobre esse tema eu tomo a liberdade de me referir aos meus estudos publicados no livro “Chiesa e Papato nella storia e nel diritto. 25 anni di studi critici” [Igreja e papado na história e no direito. 25 anos de estudos críticos] (Cidade do Vaticano: LEV, 2002, pp. 33-59).

Em todo o caso, as cinco “tendências” de “história” delineadas pelo Prof. Orsy não são, para ele, uma linha de desenvolvimento coerente, não são “uma admirável sinfonia”. Para mim, ao contrário, sim. Dou um exemplo, na linha do Prof. G. G. Meersseman, isto é, aquilo que, “embora apresentando aos penitentes e aos disciplinados do século XII notáveis novidades (por exemplo, no que diz respeito à continência perpétua), não noto aí solução de continuidade em relação ao passado”. Naturalmente, o tema dos “Penitenciais” mereceria aqui uma menção.

No entanto, com base na observação de que a atitude dos fiéis mudou dramaticamente acerca da confissão privada nas últimas cinco a seis décadas, como “futuro jogo de imaginação”, o autor apresenta aquilo que poderia ser feito, com base em uma liturgia que, de fato – ele diz –, “já é feita, com absolvição individual [dos penitentes], mas sem acusação dos pecados”.

Andrea Grillo respondeu-lhe em 25 de julho, isolando imediatamente a questão de uma operação disciplinar (coisa estranha, porque já antigamente se falava precisamente de disciplina penitencial) ou de temas litúrgicos, fazendo disso, ao contrário, uma questão doutrinal. Como se vê, a coisa se complica ou, melhor, não é mais a mesma da reforma conciliar.

O Prof. Grillo revela, assim, que não está satisfeito com a segunda parte do texto de Orsy, porque a qualidade “pastoral do Concílio nos pede uma renovação do modo com que pensamos sistematicamente o sacramento da confissão”. E, posteriormente, A. Grillo explica a sua perplexidade.

Deixando de lado seus outros pontos de vista, detenho-me no ponto fundamental de interpretação do Vaticano II, isto é, o primeiro, sobre “Os sacramentos da misericórdia”, que, para o autor, “são, acima de tudo, o batismo, a crisma e a eucaristia. O sacramento da confissão é [assim reduzido a] um sacramento para recuperar uma experiência da misericórdia que eu já devo ter conhecido, de uma forma muito maior, na celebração eucarística dominical”.

Pois bem, perguntado com respeito, mas com franqueza, tal argumentação ainda está na linha da justa hermenêutica conciliar, aquela “não da ruptura e da descontinuidade, mas da reforma e da renovação na continuidade do único sujeito Igreja”?

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