Com a Terra em perigo, devemos agir em nome da Criação

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24 Julho 2019

"Se, de fato, Cristo está em tudo e dá forma a tudo o que fazemos, o ato da Criação e as consequências das nossas ações sobre essa Criação devem despertar a nossa atenção neste tempo de crise", é o alerta do editorial do National Catholic Reporter, 23-07-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Alguém poderia pensar que, com um esmagador consenso entre os cientistas do planeta que concordam que a Terra está em perigo por causa da atividade humana e que a janela de tempo que temos para amenizar o dano está se fechando rapidamente, haveria pouca discordância sobre qual deve ser a prioridade para a humanidade.

No entanto, como demonstrou recentemente um pequeno, mas essencial, congresso na Creighton University, em Omaha, Nebraska, ainda estamos procurando formas de persuadir o governo e o oficialismo religioso dos EUA a demonstrar uma liderança mais ousada em nome de um mundo natural que sustente a todos nós.

Nossas igrejas e escolas têm que se tornar centros de informação da verdade sobre o que está acontecendo com a Criação de Deus, disse o bispo de San Diego, Robert McElroy, um dos principais conferencistas do encontro. Temos que encarar o fato de que “deixamos que os Estados Unidos, que há muito tempo têm sido líder em investigações científicas, favorecessem a disseminação indiscriminada de pseudociência criada por aquelas e a serviço daquelas indústrias e interesses econômicos que despojam o nosso planeta”.

McElroy é um forasteiro episcopal nesse assunto. Embora outros possam compartilhar os sentimentos dele – e mesmo quando os bispos dos EUA vão à discussão armados com uma encíclica papal detalhada e poderosamente argumentada sobre o assunto –, eles têm estado relativamente silenciosos.

Tudo isso torna o congresso em Creighton, intitulado “Laudato si’ e a Igreja Católica dos EUA”, uma referência à encíclica do Papa Francisco de 2015, ainda mais significativo. É impossível separar a importância desse assunto e a falta de atenção dada a ele por causa dos atuais problemas da hierarquia católica, especialmente nos EUA, e do clima político do país.

A questão reside no nexo dessas forças predominantes, presas nos ventos crescentes e cada vez mais fortes das divisões dentro da Igreja e daqueles que rompem a nossa cultura cívica. Não é pouca coisa que parte da discussão em uma sessão abrangente sobre as mudanças climáticas foi sobre o modo como falar sobre isso. Suavizar o tom, levando em consideração as sensibilidades políticas? Escolher palavras com cuidado, para não assustar com uma espécie de sobrecarga de medo? Ou subir o tom – emergência climática, justiça ambiental e afins – deixando de lado a restrição da linguagem que expressa a severidade do momento? Falar disso como uma questão científica ou como um desafio político?

Todas as opções anteriores, é claro. O modo como falamos sobre isso é muitas vezes uma questão de circunstância e de tática. Os católicos e outras pessoas de fé, no entanto, têm uma contribuição a mais para fazer a essa conversa. A nossa linguagem, incorporando ciência e espiritualidade, pode dar voz, como fez Francisco em sua encíclica, às expressões de reverência e admiração que fazem parte, eloquentemente, da abordagem do seu padroeiro à Criação.

“Ele era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e em uma maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo”, escreve o papa sobre o santo. “Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior.”

Se, de fato, Cristo está em tudo e dá forma a tudo o que fazemos, o ato da Criação e as consequências das nossas ações sobre essa Criação devem despertar a nossa atenção neste tempo de crise.

Em uma entrevista há alguns anos, o padre franciscano Richard Rohr, discutindo a erosão da autoridade nos âmbitos civil e eclesiástico, foi perguntado sobre onde residia a nova autoridade. A questão é perene, disse ele, acrescentando que ele acredita que “a nova autoridade virá da natureza ou do cosmos, o mundo natural. Eu sei que, quando os católicos ouvem isso pela primeira vez, parece ‘Nova Era’, mas me parece que essa é a primeira Bíblia, como acreditavam os franciscanos”.

De fato, a nova cosmologia, disse ele, entende que a Bíblia escrita foi reunida “no último nanossegundo do tempo planetário geológico (...) Você realmente acha que Deus não falou nos primeiros 14 bilhões de anos ou algo em torno disso?”.

As comoções e as distrações criadas pelas nossas divisões não podem nos distanciar do propósito ou nos tirar do foco em relação à questão definidora da nossa era. É por isso que o NCR redobrou o seu esforço para aumentar a preocupação com a Terra e os efeitos climáticos ao mais alto nível possível. A evidência de uma ampla coalizão católica em torno da questão, incluindo uma forte presença de católicos mais jovens, é aparente nos relatos do congresso de Creighton.

O site do NCR também contém, de forma contínua, mais do que jamais poderíamos inserir nestas páginas [impressas]. O que publicamos pode servir como material convincente para um grupo de discussão católico. Nossas reportagens e comentários também podem ser repassados a párocos e diáconos. Aqueles que têm acesso ao púlpito também podem se mexer se aqueles que estão nos bancos escutando defenderem fortemente as questões que desejam ver abordadas. Você também pode nos ajudar a moldar a nossa cobertura climática daqui para frente respondendo a uma breve pesquisa: NCRonline.org/survey.

Deus tem falado através da Criação há muito tempo. Deus continua falando. Se estamos ouvindo, não há nenhum mandato mais claro do que agir em prol da Criação de Deus, de todas as suas dimensões e criaturas.

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