Nicarágua. “Fui perseguido e me protegestes...”

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23 Julho 2019

No momento em que os olhares do mundo estão no que acontece na Nicarágua, é necessário conhecer os fatos pelos nicaraguenses anônimos, a consciência de um povo.

Ao longo desse mês de julho, e por toda Nicarágua, se celebram eucaristias em diferentes templos do país fazendo memória dos jovens assassinados durante a “operação limpeza” lançada pelo regime de Ortega, para acabar com as barricadas e protestos que a população levantou por todo o país, como expressão de resistência cívica.

A reportagem é publicada por CPAL Social, 21-07-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Uma das mais destrutivas e brutais operações de “limpeza” foi a que os paramilitares e policiais do regime lançaram contra a Universidade Nacional Autonoma de Nicaragua — UNAN de Manágua e contra a igreja vizinha Jesús de la Divina Misericordia.

Na UNAN, desde maio, estavam entrincheirados centenas de jovens reivindicando liberdade para a Nicarágua, o cessar da repressão e da restituição da autonomia universitária nas universidades públicas. Apesar de que já estava em marcha a entrega pacífica da UNAN, em 13 de julho, o regime decidiu atacar o recinto universitário e derrubar suas barricadas. Paramilitares e policiais usaram armas de guerra durante 15 horas consecutivas, na tarde e até a madrugada, disparando contra a UNAN e contra o templo, onde dezenas de jovens buscaram refúgio em momento em que cessava o fogo. A igreja conserva o impacto das poderosas armas de fogo que lançaram contra suas paredes e seu interior. A imagem de Jesus também foi impactada com três balas. Os sacerdotes decidiram conservá-la assim, “ferida”, para a memória do que não deve se repetir nunca mais.

No ataque morreram dois jovens, Francisco Flores e Gerald Vásquez, os quais a Nicarágua inteira viu morrerem ao vivo, porque no interior do templo havia jornalistas nacionais e internacionais. Sua mãe, Susana López, é hoje uma das mais ativas na organização Madres de Abril.

No último 13-07, ela e centenas de pessoas recorreram ao templo para recordar aquelas intermináveis horas de angústia vividas em Manágua. Em sua homilia, o pároco, Raúl Zamora, recordou daquele dia e da decisão que tomaram os padres, colocando suas vidas em risco, de acolher os jovens que fugiam das balas e abrindo-lhes a igreja. “É o que teria feito o Mestre”, disse.

Ele, nessa ocasião, e em tantas outras, padres e religiosas nicaraguenses, cumpriram com o que Jesus, o Mestre, nos disse que nos examinaria ao fim da vida: “Tive fome e me deram de comer, estava ferido e me curaram, era perseguido e me protegeram”.

Nicarágua faz memória de todo o ocorrido em 2018 e continua resistindo à repressão do regime. Em média, dez pessoas são sequestradas pela polícia ou por paramilitares encapuzados. Golpeadas e ameaçadas, são detidas durante vários dias. O novo padrão repressivo é o desses contínuos “encarceramentos express”.

A repressão também afeta aqueles que foram libertados depois de suportar meses de cárcere e torturas. São assediados e hostilizados em seus lares. São ameaçados continuamente nas redes sociais. Também sofrem tentativas de assassinato, como no caso de José Alejandro Martínez, 27 anos, solto no mês de março, recebeu em julho três tiros em Wiwilí. Um paramilitar disparou com a intenção de mata-lo. Não conseguiu. Porém deixou uma bala alojada na sua coluna, que o deixou inválido por toda a vida.

O mundo não deve deixar de olhar para a Nicarágua.

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