Bannon, Burke e Viganò: os vínculos começam a se desfazer

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30 Junho 2019

O cardeal Raymond Leo Burke se demitiu da presidência do Instituto Dignitatis Humanae (DHI) e se distanciou de Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump e grande apoiador das forças políticas soberanistas na Europa e na Itália (a Liga de Salvini e a aliança com o Movimento Cinco Estrelas).

A reportagem é de Lorenzo Prezzi, publicada em Settimana News, 26-06-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele anunciou isso em um comunicado no dia 24 de junho. A revista LifeSiteNews tinha publicado um artigo em que Burke era indicado como colaborador de Bannon em um projeto de filme baseado no livro de Frederic Martel, “Sodoma, poder e escândalo no Vaticano”, dedicado à corrente homossexual presente na Igreja e no Vaticano.

O cardeal, signatário da carta dos quatro cardeais de crítica à Amoris laetitia (os outros três eram: W. Brandmüller, C. Caffarra e J. Meisner) e notório opositor do Papa Francisco, protestou a sua discordância com a avaliação de Bannon relativamente ao livro, não compartilhando a ideia de torná-lo uma referência para um filme e se distanciamento totalmente “de um certo número de declarações de Steve Bannon sobre a doutrina e a disciplina da Igreja Católica Romana”.

A cúpula tradicionalista que liga a direita católica norte-americana ao tradicionalismo europeu perde (ocasionalmente) um dos seus elementos de destaque, assim como perdeu nas brumas da insignificância a denúncia antipapal de Carlo Maria Viganò que apareceu na mesma revista.

Enfraquece-se o projeto de formação das novas elites de direita do Instituto Dignitatis Humanae na Abadia de Trisulti (Frosinone), que, segundo o diretor, Benjamin Harnwell, abrirá as suas portas até o fim do ano.

É curioso que a discordância entre Burke e Bannon ocorra sobre temas ligados à denúncia da homossexualidade, que há muito tempo é o cavalo de batalha para indicar a insuficiência da obra antiabusos promovida pelo pontificado.

Esta última seria insuficiente no que diz respeito à erradicação da tolerância mais perigosa em relação à homossexualidade presente no clero. Na realidade, para o político Bannon, a referência à ética é instrumental em relação à política pró-trumpiana e antieuropeísta e, para o cardeal, está subordinada à vontade de interromper o impulso da reforma eclesial.

Ambos permanecem ancorados à afirmação da imutabilidade absoluta da Igreja, uma espécie de apocalíptica completa, conjugada em função estritamente política. A afirmação de uma ordem autoritária e iliberal é a verdadeira cola entre os diversos tradicionalismos. Do ponto de vista teológico, eles convergem na negação do universalismo da escatologia cristã. As discordâncias internas não nascem de visões conflitantes, mas sim da rigidez recíproca.

Mais do que de um choque, pode-se falar de uma briga, recordando o aforismo de E. Flaiano: “A função acabou. O órgão toca Bach. E o cardeal, obsequiado, parte novamente de Cadillac”.

 

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