Número de deslocados forçados no mundo supera um novo recorde e chega a 70,8 milhões

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20 Junho 2019

O número de vítimas de deslocamento forçado atingiu novamente um recorde em 2018, chegando a 70,8 milhões entre refugiados, solicitantes de asilo e deslocados internos, um fenômeno para o qual a crise na Venezuela teve uma influência notável, apesar de não refletir em toda a sua magnitude.

A reportagem é publicada por El Diario, 19-06-2019. A tradução é do Cepat.

Isso ocorre porque, dos mais de quatro milhões de venezuelanos que deixaram seu país, a partir de 2015, menos de meio milhão solicitou a condição de refugiado, cerca da metade deles no Peru.

De maneira global, o número de pessoas que foram forçadas a se deslocar duplicou em questão de vinte anos e, em 2018, foram 2,3 milhões a mais do que no ano anterior, explicou o alto comissário das Organização das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi.

De acordo com os dados mais recentes, 37.000 pessoas foram obrigadas, a cada dia, a abandonar suas casas por causa de conflitos, violência ou violações de seus direitos humanos.

A crise na Venezuela dominou amplamente a coletiva de imprensa que Grandi ofereceu por ocasião da publicação do relatório anual da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que detalha as últimas tendências do deslocamento forçado no mundo, na véspera do Dia Mundial do Refugiado, dia 20 de junho.

A esse respeito, destacou que, embora uma minoria de venezuelanos que deixaram seu país tenha solicitado asilo, a maioria precisa de proteção internacional, já que seu êxodo é devido à insegurança, medo de ser alvo de represálias por suas opiniões políticas, a escassez de alimentos, medicamentos e serviços públicos, e a incapacidade de sustentar a si mesmos e suas famílias.

De todas as pessoas do mundo que sofreram deslocamento forçado, a maioria (41,3 milhões) permaneceu em seu próprio país.

De sua parte, os refugiados (aqueles que atravessaram uma fronteira internacional) totalizaram 25,9 milhões, em 2018 (500.000 a mais do que um ano antes), enquanto há 3,5 milhões de solicitantes de asilo.

Outro dado que emerge do relatório é que metade dos refugiados são crianças, o que desmente o discurso anti-imigração que tenta confundir refugiados com migrantes para fins econômicos.

"As crianças não fogem para buscar melhores oportunidades, elas simplesmente fogem em busca de segurança", disse o italiano Grandi.

A proporção da humanidade que são refugiados, solicitantes de asilo e pessoas deslocadas internamente é agora de 1 em cada 108 pessoas, enquanto há 10 anos era de 1 em cada 160 pessoas.

A tendência de aumentar os deslocamentos forçados é explicada pela incapacidade de se resolver conflitos armados ou situações de violência, para as quais a condição mínima - grandiosamente enfatizada - é a cooperação política entre as principais potências.

Sobre a problemática da migração para a Europa pelo Mediterrâneo, uma rota onde os naufrágios dos navios migrantes são frequentes, Grandi considerou incompreensível que os países europeus ainda não concordem com um sistema de distribuição de refugiados e imigrantes quando estes são resgatados.

"Não entendo porque não há acordos mais previsíveis e que se evitem negociações inúteis". Os ministros passam horas no telefone para negociar que três imigrantes vão para um país e cinco para outro, que em geral são a Itália e Malta", lamentou.

A razão, explicou, é que o debate sobre a migração é totalmente politizado porque se considera que "distribuição" é equivalente a "compromisso" e os governos "têm medo de que isso seja usado politicamente".

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