Depois da água, a areia é o segundo recurso mais explorado no mundo e está se tornando escasso. Era uma vez a praia

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11 Junho 2019

Em todo o mundo, devido ao aumento da urbanização e do desenvolvimento das infraestruturas, a demanda por areia e cascalho está aumentando desmedidamente, atingindo cerca de cinquenta bilhões de toneladas por ano.

A reportagem é de Francesco Citterich, publicada por L'Osservatore Romano, 8 e 9-06-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Trata-se de uma quantidade enorme, com um aumento anual de 5,5%, que é tirada das praias e dos rios e cuja extração prejudica seriamente o meio ambiente. Isso foi enfatizado por um recente relatório da ONU, que mostra que o empobrecimento desses elementos no ambiente está causando poluição, inundações, diminuição das águas subterrâneas e um drástico agravamento das secas. O relatório “Areia e desenvolvimento sustentável. Novas soluções para recursos ambientais globais”, destaca como os padrões de consumo devido ao crescimento demográfico, à urbanização e ao desenvolvimento de infraestrutura triplicaram a demanda por areia nas últimas décadas. A extração de areia, além da construção de barragens, reduziu o aporte dos sedimentos fluviais para muitas áreas costeiras, com a consequente redução do depósito nos deltas dos rios e aceleração da erosão das praias.

Ao comentar o relatório, a Diretora Executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Joyce Msuya, declarou: "Gastamos nosso orçamento de areia muito mais rápido do que podemos recriar". "Ao melhorar as regras dos recursos globais de areia - acrescentou - poderemos gerenciar melhor esse recurso essencial de forma sustentável e demonstrar que as infraestruturas e a natureza podem conviver".

Segundo o documento das Nações Unidas, areia e cascalho são o segundo recurso mais importante extraído e comercializado depois da água. E a falta de regulamentação uniforme - a extração de areia é de fato regulada localmente e não se beneficia das mesmas regras em todas as partes do mundo - leva a sérios problemas para o meio ambiente.

Atualmente, não tendo as mesmas regras, as regiões mais ricas desse elemento - importantes para a biodiversidade e os ecossistemas - são frequentemente as mais vulneráveis. Além disso, com o aumento da demanda, está crescendo a extração insustentável e ilegal de areia em ecossistemas marinhos, costeiros e de água doce.

A falta de regras comuns sobre extração de areia leva, também, a problemas transfronteiriços: os predadores ultrapassam as fronteiras nacionais para extrair onde as regras são menos drásticas. Ou menos aplicadas.

E as implicações sociais se adicionam aos danos ao meio ambiente. A extração de areia das praias, por exemplo, coloca em risco o desenvolvimento da indústria turística local. Enquanto a remoção da areia dos rios e dos manguezais está levando a uma diminuição das populações de caranguejos que vivem e afeta severamente as mulheres, cuja subsistência depende da coleta dos crustáceos.

Para alguns, indicam os especialistas, areia e cascalho são como o novo petróleo. Há anos, de fato, registra-se uma verdadeira corrida para a obtenção de licenças de extração. Todos os anos, mais ou menos 50 bilhões de toneladas de areia são retiradas do fundo do mar: 9% a mais do que o petróleo extraído no mesmo período de tempo. A areia é utilizada na indústria do vidro, para a produção de painéis solares e fotovoltaicos, mas também para os chips.

O principal consumidor de areia é o setor de construção. Para uma habitação de tamanho médio, são necessárias duzentas toneladas de areia, para um hospital são necessárias três mil toneladas, enquanto para um único quilômetro de autoestrada são necessárias 30.000 toneladas.

A areia também é usada no setor de mineração. Para cada jazida são usadas mediamente 1.800 toneladas de areia para o chamado fracking, uma técnica de fraturamento hidráulico que consiste em perfurar o solo para alcançar as rochas que contêm os depósitos de gás natural e depois injetar um jato em alta pressão de água misturado com areia e outros produtos químicos para provocar a emersão na superfície do gás.

Os especialistas apontam que, a essa taxa de extração, até 2100, as praias e o fundo marinho estarão sem grãos de areia. Um fato que afetará não apenas o setor de turismo, mas principalmente o setor agrícola. Os especialistas concordam que a perda de barreiras naturais provocará, de fato, o empobrecimento da terra, facilmente acessível a águas salobras, e o mercado de peixe. Com muitas espécies que, inevitavelmente, serão condenadas à morte.

O relatório ressalta, portanto, que - para atender às necessidades de areia e cascalho de um mundo com 10 bilhões de habitantes sem prejudicar o meio ambiente - é necessária uma política, um planejamento, uma regulamentação e uma gestão eficaz.

O relatório das Nações Unidas, destinado a ser um ponto de partida para um debate global sobre o uso da areia e para refrear a extração irresponsável e ilegal, sugere a adaptação das normas existentes e melhores práticas às circunstâncias nacionais; investir na medição, monitoramento e planejamento da produção e do consumo de areia e estabelecer um diálogo baseado na transparência e responsabilidade.

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