Eleições europeias, Hollerich: na Itália os católicos são levados pouco a sério, então seguem quem mostra rosários

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28 Maio 2019

"Precisamos fazer uma análise muito detalhada dos resultados das eleições. Mas acredito que sem os apelos do Papa para o acolhimento, e também de muitos bispos, paróquias e comunidades na Europa, o resultado teria sido pior”. O arcebispo de Luxemburgo Jean-Claude Hollerich, presidente da Come (Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia), comenta os resultados das eleições europeias de 26 de maio, durante a apresentação na Sala de Imprensa do Vaticano da mensagem do Papa para o Dia Mundial do migrante e do refugiado 2019.

Questionado por jornalistas, o bispo responde: "Não fazemos política e não temos uma mensagem oportunista, mas, como bispos, devemos proclamar o Evangelho de Cristo e não outro". No entanto, ele não se recusa a responder a algumas perguntas à margem sobre o presente e o futuro da Europa e, em particular, da Itália.

A entrevista é de Luca Attanasio, publicada por Vatican Insider, 27-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Que Europa saiu das urnas com estas forças que entram agora no parlamento?

Em primeiro lugar, devemos salientar que há muitos novos eleitores que participaram da votação. É um aspecto muito positivo. Nós, como bispos, chamamos os cidadãos a votar e eles fizeram isso. Como esperado, há um fortalecimento dos partidos populistas, mas não é uma tendência registrada em todos os países: na Itália, aconteceu, mas, por exemplo, na Espanha, Dinamarca, Áustria, Holanda e em outros países onde tais partidos tiveram papéis de responsabilidade do governo, é evidente que as pessoas mudaram de rumo. Também é positivo que em vários lugares numerosos jovens votaram nos partidos ecológicos, o que significa que os temas de meio ambiente e da criação poderão se tornar importantes no futuro.

Isso para nós, como Igreja, solicitados sobre o tema pela Laudato si', deixa-nos contentes. No entanto, vamos ver o que será feito nas próximas semanas. Quando leio nos jornais sobre maiorias, grupos fortes, e assim por diante ... Não sabemos se são fixos ou não. Claro, a presença de um grupo fortalecido de partidos soberanistas e populistas certamente será um obstáculo, mas não uma dificuldade insuperável, também porque essas forças políticas não expressam uma minoria tão forte a ponto de bloquear o Parlamento da UE. Em qualquer caso, uma análise mais aprofundada poderá ser feita nas próximas semanas.

Afinal, como descreveria os resultados dessas eleições: positivos ou negativos?

Não completamente negativo. Talvez na Itália, como católicos, seja mais difícil ver o resultado, mas na Europa não é.

Em que sentido "mais difícil" na Itália?

Acho que na Itália, assim como em muitos países, os católicos foram levados pouco a sério. A opinião deles não conta, por isso, se alguém mostra - por exemplo - um rosário ou algo semelhante, as pessoas dizem: ‘Ah, finalmente há algum político que olha para nós’. Eu também poderia exibir uma bandeira comunista, mas isso não significa que eu seja comunista. Tudo isso, no entanto, serve aos outros partidos que se dizem democráticos: deve-se considerar o voto católico e ouvir o que pensam e pedem os cidadãos católicos de um país.

Sempre olhando para a Itália: nos últimos anos, o Papa chamou a atenção para a questão dos migrantes e para o dever do acolhimento. Aqui venceu o partido que proclama o fechamento dos portos. Como isso deve ser interpretado?

Sim, ganhou o partido mais forte, mas não é a maioria da população. Ok, é mais de 30%, mas isso não significa que todos os italianos pensem da mesma maneira. Estamos ainda em uma democracia e devemos considerar as opiniões dos outros partidos que expressam as de todo o povo italiano. Eu acredito na democracia como forma de um estado mais justo. Como eu disse antes, vamos ver o que vai acontecer ... Nesta época pós-moderna há uma certa instabilidade política: o voto um dia vai para um partido, dois anos depois aquele mesmo partido não conta mais nada. Precisamos redescobrir uma estabilidade política que não seja feita com grandes declarações, mas com políticas para as pessoas. Para a Itália, permita-me então fazer uma observação.

Por favor.

Noto que os italianos percebem um sentimento de abandono por parte da Europa e que há descontentamento após o Acordo de Dublin. É claro, além disso, que no país nunca houve um verdadeiro crescimento da economia, as pessoas estão mais pobres. Então as pessoas votam naqueles que prometem alguma coisa, mas é preciso ver se depois eles conseguem cumprir as promessas.

Falar que muitos católicos não seguiram o Papa, na sua opinião, é, portanto, um exagero?

Absolutamente sim, também porque a mensagem do Santo Padre e a nossa mensagem como Igreja vem do Evangelho, não é uma mensagem política ou midiática. Depois, deve ser dito que há católicos e católicos. Temos uma grande transformação da sociedade e da civilização na Europa, mas também temos uma transformação da Igreja. Estou me referindo, por exemplo, ao meu país, Luxemburgo: no passado, foi extremamente católico, como a Irlanda, todos eram católicos. Hoje não é assim, somos uma minoria, mas as pessoas que se dizem católicas realmente o são, estão convencidas de sua fé. Não existe mais aquele catolicismo ‘cultural’ ou de costume.

A secularização, portanto, é um problema superado?

O nosso grande inimigo hoje é o materialismo, que é enorme na Europa. Expressa-se nos populismos, mas também com um liberalismo econômico demasiado grande. Precisamos reencontrar um verdadeiro humanismo, isto é, que toda pessoa humana é importante. E a política deve, aliás, deveria estar centrada na pessoa humana concreta.

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