Os lassalistas buscam uma visão e um trabalho conjunto que os torne uma presença eclesial na Pan-Amazônia

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28 Mai 2019

A presença dos Irmãos de La Salle na Amazônia remonta no tempo. Estar na região amazônica precisa ser pensado em vista de uma atualização de sua missão, na Bolívia, Peru, Brasil, Colômbia, Venezuela e Guiana Francesa. Podemos dizer que a Rede Eclesial Pan Amazônia - REPAM, a Laudato Si e o Sínodo para a Amazônia fornecem um incentivo a mais para os lassalistas, que estão celebrando um ano jubilar para marcar o 300º aniversário da morte de seu fundador, São João Batista de La Salle, tendo em vista uma conversão ecológica e a vivência de uma ecologia integral.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Foto: Luis Miguel Modino

Na semana passada, de 20 a 24 maio, se encontraram em Tabatinga - AM, na tríplice fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru, religiosos de La Salle e os leigos que participam neste carisma, tendo como motivação, "ter uma visão da nossa casa comum", reconheceu o Irmão Carlos Castañeda, secretário de missão da região latino-americana. Segundo o religioso mexicanos, "La Salle tem muito a dizer, junto com outras congregações religiosas, com a REPAM e com outras instituições que têm essa visão. Queremos alcançar uma visão conjunta, um trabalho conjunto que nos ajude a crescer como Igreja."

O encontro reuniu representantes de nove obras e projetos que realizam a sua missão no contexto da Amazônia, em princípio, de acordo com Carlos Castañeda, "para conhecer e explorar as possibilidades de ação conjunta entre as obras lassalistas, mas também com outras congregações religiosas e com a REPAM", tudo isso, segundo o religioso, na esperança de "encontrar um horizonte que nos permita nos aproximarmos das perspectivas do trabalho lassalista na Amazônia e com outras instâncias que tenham propósitos semelhantes".

Em sua mensagem aos participantes, o conselheiro geral para América Latina, o Irmão Paulo Petry, definia a Amazônia como "um prelúdio para a eternidade", o que exige, segundo ele, "refletir, projetar e amar esta "sala de espera” com amor e paixão, com cuidado e dedicação, para aqui e agora, ir revelando a beleza do paraíso presente no "pulmão do mundo", na floresta, nos rios e nas pessoas queridas e muitas vezes sofridas da Pan-Amazônia". O conselheiro geral sublinhou a necessidade de "ser presença eclesial na Pan-Amazônia", afirmando a urgência de um tempo para "purificar o coração, semear a bondade, esperança, fé, alegria, amor, justiça e paz. É hora de viver a caridade e a compaixão com um coração sábio", uma missão na qual quer se tornar presente, com seu apoio, toda a congregação.

O Irmão Paul Petry vê a prioridade de acompanhar os mais vulneráveis, "se encontrar com o outro, com o diferente, com o outro fora do nosso mundo limitado". Nós também achamos que "na Amazônia, somos chamados a acrescentar, construir redes", tendo "um coração compassivo e misericordioso, que pode abraçar e perdoar, amar e sorrir, capaz de se alegrar com os que vivem além das nossas fronteiras", que chegue nos afastados e excluídos.

Um dos representantes da comunidade local, o irmão Jhonmar Sanchez, que vive com religiosos Brasil, Colômbia e Peru, destacou que a reunião foi destinada "para poder gerar uma presença de missão com os povos indígenas, ribeirinhos, com os jovens, de formação dos catequistas nas comunidades, fazendo missão junto à Igreja local". O religioso venezuelano tem visto como um grande desafio o fato de "poder sair de nossas próprias estruturas, comodidades já estabelecidas dentro da dinâmica escolar ou educativa, para pensar sobre outras realidades, situações que surgem no mundo, especialmente na região amazônica".

Foto: Luis Miguel Modino

Viver na Amazônia "é uma oportunidade de encontrar Deus através da natureza, da selva, da água, dos povos indígenas e de comunidades muito especiais", disse o irmão Andrés Caballero, que vive em San Vicente del Jaguan, na Colômbia. Desde a identidade lassalista, com foco na educação, o religioso reconhece que "a tarefa é grande, e nós temos que ligar todos os jovens, o mais cedo possível, para construir redes interessadas na Amazônia". Isso deve levar os jovens a "estar ciente de que esta casa, que pertence a todos, é realmente muito importante, eles devem aumentar a consciência de que em cada árvore, em cada lago, cada rio, são um mar de possibilidades" de acordo com o lassalista colombiano.

Portanto, "temos que conscientizá-los de que a nova era da educação deve partir da Pan-Amazônia, de lugares especiais que simplesmente transcendem as questões de desenvolvimento, crescimento econômico, dignificando a vida das pessoas, simplesmente se aproximando daquilo que por muitos anos foi ignorado", disse o religioso, que insistia que "hoje os indígenas são nossos principais professores, devemos aprender com eles e começar a cuidar da nossa casa".

O secretário de gestão e organização da região lassalista da América Latina, o irmão Sergio Leal, ressaltou que "este encontro significou a oportunidade de se encontrar como lassalistas e como vida religiosa que está presente aqui na Amazônia. É a primeira vez que nos encontramos em um lugar para refletir sobre o que fazemos e o que podemos fazer". Junto com isso, ele afirmou que era "uma oportunidade de compartilhar essas experiências significativas, mas também para olhar para os desafios que nos atingem desde a realidade, a natureza, os indígenas, a Amazônia, os vários problemas que está sendo experimentados na Pan-Amazônia".

O religioso colombiano também o vê como "uma oportunidade para nós, juntos e por associação, dar uma resposta, não apenas como lassalistas, mas como consagrados e como Igreja Católica presente nesta área do mundo". Referindo-se à Amazônia, reconheceu que "o mais impactante desta realidade e desta reunião é aquilo que os irmãos indígenas nos pedem como Igreja e como lassalistas, o que podemos fazer para proporcionar uma educação adequada para eles, que se adapte às suas necessidades, que não entre em seu contexto, e que lhes permita continuar sendo indígenas e cultivando esse aspecto".

Este tem sido um "encontro de irmãos que trazem toda essa riqueza do carisma e a vitalidade lassalista dentro dessa região amazônica", reconheceu o Irmão Plácido José Bohn, que trabalha em Zé Doca, Maranhão. Em sua opinião, é um desafio "para o cuidado desta região e, junto com a Igreja e outras congregações, assumir este projeto, que, mais do que nunca, ele é importante em todos os sentidos, para a Igreja, para a sociedade". De acordo com o lassalista "nessa região, onde se percebe a fragilidade, mas ao mesmo tempo se vê toda uma vitalidade, onde a vida aparece em tantas frentes, humana, vegetal, animal, se faz preciso enfrentá-la corajosamente".

Do ponto de vista da antropologia, Pedro Rivas, do Instituto Caribe de Antropologia e Sociologia da Fundação La Salle, que tem sede em Caracas, reconheceu que "era hora de coordenar ações em conjunto, ajudar uns aos outros e ajudar todas as comunidades que habitam a Amazônia". Por isso, afirma que "na medida em que trabalhamos de forma participativa, dando-lhes voz para guiar nossas ações, penso que nossas possibilidades de ação social com as comunidades serão mais efetivas". Segundo o antropólogo, "o encontro nos permitiu fazer um resumo histórico das diferentes organizações que fazem vida desta parte importante do nosso planeta, uma reflexão sobre nossas limitações, mas também sobre as vantagens que cada uma de nossas organizações tem, enquanto às experiências, às abordagens metodológicas".

Nessa perspectiva, "na medida em que esta comunicação aumentar, será favorecido o trabalho em rede e a ação transformadora positiva em cada uma das comunidades será aprofundada", segundo Pedro Rivas. Ele reconhece que "algumas prioridades foram detectadas do ponto de vista institucional, no entanto, é necessário trabalhar com as próprias comunidades e ver o que elas percebem como necessidades urgentes". O antropólogo parte da ideia de que "não necessariamente as necessidades identificadas pelas comunidades são as necessidades que nós, com os olhos dos outros, acreditamos serem a prioridade nas comunidades". Portanto, é necessário "reconciliar os dois pontos de vista e, nesse sentido, devemos aprofundar nossa presença no território".

Para realizar este trabalho, "é importante reativar o tema das visitas itinerantes, mas também o monitoramento dos processos e após a execução dos projetos, já que muitas vezes, quando os projetos são concluídos, quando as comunidades assumem de forma autônoma em sua continuidade, pode haver certa decadência, quando são arrastados pelas circunstâncias dos problemas cotidianos, os problemas que exercem situações externas às comunidades", segundo Pedro Rivas. Nesse sentido, afirma que "a presença e o acompanhamento subsequente são importantes".

De sua posição de leigo, ele acredita que "é importante que concordemos que nossas ações, seja de religiosos, de leigos ou de qualquer pessoa que, além das confissões, esteja interessada no bem do planeta e das comunidades, seja realmente eficaz". Isso exige, na opinião do antropólogo, que "esse tipo de encontro continue no futuro e que as conclusões sejam postas em prática, se efetivem gradativamente".

Para alguém nascido na cultura aimara da Bolívia, como o irmão Cristobal Mamani, "tocar o tema da Amazônia é uma necessidade fundamental para fortalecer os valores culturais e também resgatar as práticas dos povos indígenas". Em sua opinião, "lidar com essas questões é fundamental para poder apoiar a humanidade e a própria cultura". É algo que La Salle tenta desde a educação, através da qual "tentamos incutir, fortalecer os valores relacionados à consciência ambiental, com a ecologia global, como o Papa baseia-se com o cuidado de nossa casa comum", diz o religioso indígena.

Este encontro ajudou o irmão Cosme Zambrano, peruano de origem quéchua, a "saber que vivemos em uma casa razoavelmente grande. Esta casa que foi reinada por Deus, e nós realmente precisamos nos integrar". Segundo o religioso, "essa necessidade de integrar, compartilhar a vida, o espírito, o que temos em nosso meio, acho que é uma maneira de viver em paz, de dizer uns aos outros que somos filhos de Deus". Para ele, "esta grande casa não é apenas o verde que vemos ou o rio que passa, mas são as pessoas que lá moram, os animais, que de fato têm comunicação e integração com a parte andina". Esta integração que vemos na Amazônia "é o resultado de uma história que Deus nos permitiu viver, ele nos confiou nesta terra", diz o religioso peruano, que reconhece que "esta reunião, ao fazer nos perceber o quanto há para fazer, leva-me ao compromisso e respostas que devemos dar a essas necessidades que Deus está nos mostrando".

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