A cautela do Papa com o Islã para salvar o diálogo

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25 Abril 2019

"Nenhuma referência ao Islã nas palavras de Francisco. Apenas proximidade com o povo do Sri Lanka pela comunidade cristã atingida, com a condenação de um ato terrorista e desumano".

O texto é de Paolo Rodari, publicado por "la Repubblica", 24-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

A convicção de Francisco de não cair na armadilha daqueles que querem criar novas tensões religiosas. Nenhuma referência ao Islã nas palavras de Francisco. Apenas proximidade com o povo do Sri Lanka pela comunidade cristã atingida, com a condenação de um ato terrorista e desumano. Como ele, também outros líderes religiosos do mundo, em cujas intervenções se reza pelas vítimas e se pede unidade entre as religiões: "Condenamos firmemente qualquer ataque terrorista, independentemente da sua origem", diz o patriarca de Constantinopla Bartolomeu I.

No Vaticano, bem como na comunidade cristã mundial que também passa por Canterbury e seu líder Justin Welby, a convicção é uma: por trás dos ataques no Sri Lanka existe a vontade de criar um conflito religioso cujo objetivo é desestabilizar o país, minando aquela comunidade que mais do que outras trabalha mais para construir pontes. "Não devemos cair nesta armadilha", diz o cingalês com o grau mais alto da cúria romana, o subsecretário do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, monsenhor Indunil Janakaratne Kodithuwakku.

Para ele, o terrorismo internacional globalizado comete esses massacres para atingir um estado que busca a paz, a sua economia, para fins não muito distantes daqueles que identifica Bernardo Cervellera, diretor da AsiaNews: "Parece-me que o terrorismo segue em frente por conta própria, alimentado tanto pelo fundamentalismo religioso de alguns grupos quanto pelo desejo de grupos ocidentais de ver armas nessas regiões".

Antonio Spadaro, diretor da Civiltà Cattolica, esteve no Sri Lanka em 2015 para acompanhar a viagem de Francisco. Ele visitou a paróquia de Sant'Antônio, atingida na Páscoa, e frequentada, tanto na época como hoje, inclusive pelos não-cristãos: "Era uma igreja-ponte - ele relata -, pronta para curar feridas. Ter atingido aquela igreja tem um significado claro: atacar a reconciliação nacional, desmontar uma ponte em um país que, por mais de 25 anos, de 1983 a 2009, viu um terrível conflito entre cingaleses e tâmeis”.

Tanto os cristãos como os muçulmanos no Sri Lanka são minorias, ao lado das grandes comunidades budistas cingalesa e hindu tâmil: "Recentemente, assistimos a tensões entre budistas e muçulmanos no país - explica Spadaro -. Nesse contexto, os cristãos não fazem parte de uma etnia única: são tanto cingaleses como tâmeis. Eles são uma comunidade que em si reconcilia a sociedade no nome de Cristo. E por isso, por ser é um lugar de reconciliação, considerada perigosa por aqueles que fomentam o ódio e o medo".

Francisco está convencido de que por trás de muitos ataques terroristas no mundo há a vontade de dividir quem sabe viver em harmonia, propondo também o rosto de um Islã que não é o da maioria muçulmana. E, de fato, a redação histórica de um documento sobre a irmandade assinado em Abu Dhabi juntamente com o Grande Imam de al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, e a subsequente assinatura junto com o rei do Marrocos de um apelo para preservar o caráter multirreligioso de Jerusalém, incomodou especialmente as alas mais intransigentes do Islã.

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