Como superar a acídia, vício por excelência, segundo os monges? Entrevista com Enzo Bianchi

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23 Abril 2019

Rosto redondo, barba branca e voz rouca, olhos azuis estreitados por um sorriso travesso, Enzo Bianchi, "monge leigo", de bom grado responde às perguntas. O fundador da comunidade monástica de Bose, que há dois anos deixou o cargo de prior, continua, aos 76 anos, a dar palestras e publicar livros sobre espiritualidade.

Filho de um artesão piemontês, Enzo Bianchi era estudante de economia em Turim no início dos anos 1960. No impulso ecumênico do Concílio Vaticano II, formou-se um grupo de oração em torno dele que unia jovens de diferentes denominações cristãs.

Em 8 de dezembro de 1965, dia do encerramento do Concílio, ele foi para Bose, uma aldeia abandonada no Piemonte, com a intenção de fundar uma comunidade monástica ali. Três anos depois, um pastor suíço e dois jovens católicos se juntaram a ele. A regra de Bose foi adotada em 1971. "Você sempre procurará ser um sinal de unidade", está escrito no número 43. Atualmente a comunidade conta com cerca de 80 membros, católicos, protestantes e ortodoxos.

A entrevista é de Clémence Houdaillein, publicada por La Croix, 22-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis a entrevista.

O que é a acídia?

É uma palavra difícil, pouco presente na linguagem atual hoje. É uma forma de preguiça, mas também de desespero, de depressão. É um vazio que sentimos por dentro, que nos paralisa, nos impede de enfrentar a vida e de responder à nossa vocação. Essa falta de paixão, de sensibilidade pode nos levar até o endurecimento da alma. É uma doença mortal. Para Evagrio Pontico, um Padre do deserto que viveu no século IV, a acídia era o vício por excelência do monge. É o que também foi chamado de demônio do meio-dia, referindo-se ao salmo 90, que evoca "o extermínio que devassa ao meio-dia". Mas na realidade é um mal da nossa sociedade contemporânea.

Explique-nos melhor.

Estamos em uma sociedade doente de depressão, na qual não há um verdadeiro passado, um enraizamento, uma verdadeira paixão, e na qual nos perguntamos se vale a pena agir. Falta-nos a força para envolvermo-nos em uma vida autêntica.

É um mal que afeta as jovens gerações em particular. Os jovens que encontro são muitas vezes caracterizados por falta de vontade, de convicção. Cada um não gostaria de estar ali, mas não consegue estar em outro lugar. Por outro lado, estamos constantemente imersos em ruído, mas a solidão nos paralisa. É o sinal de que a situação contemporânea é um atentado contra uma verdadeira humanidade.

Em que sentido essa forma de preguiça espiritual é um pecado?

Se depende de nós, é um vício e um pecado, que impede a vida verdadeira e a esperança. Precisamos aprender a resistir, a lutar, de outra forma seremos presas de pensamentos que se tornam monstros e nos tiram toda a vontade. Nós sempre temos uma responsabilidade. Diante desse tipo de patologia, deveríamos sempre nos perguntar como vivemos com os outros, qual é nossa relação com o outro.

Para vencer a acídia, é necessário entrar em relação com os outros?

Sim, porque o encontro nos tira do nosso amor por nós mesmos. A vida comum, a solidariedade, a comunhão são remédios para a preguiça espiritual. Não por acaso Evagrio dizia que a preguiça é a doença dos solitários. Uma vida de diálogo e de confronto com os outros é um bom antídoto.

Mas em nossa sociedade estamos permanentemente conectados uns aos outros. Ainda assim, você acha que a acídia é um mal atual?

Basta ir a um bar ou restaurante para ver jovens de 18 anos sentados juntos, mas cada uma na frente da tela do seu smartphone. Isso fala muito sobre a solidão em que estão imersos, apesar de sua aparente vida social. A vida contemporânea nega todos os vínculos frutíferos que existiam entre os homens.

Agora, o ser humano é um "homem absoluto", sem dependência dos outros, sem vínculo. Mas, na realidade, esse homem absoluto é mais fraco, porque é incapaz de ser o protagonista de sua própria vida. Vive uma espécie de desumanização. Passos estão sendo dados em direção à barbárie.

Mas também conheço muitos jovens que fazem grandes esforços para encontrar sentido para as próprias vidas, para se agarrarem a uma esperança que os leva a viver. A sociedade atual não incentiva isso, especialmente no Ocidente, onde as necessidades primárias já estão satisfeitas.

Então, o bem-estar material nos faz esquecer de Deus e nos leva à preguiça espiritual?

Hoje os jovens não se interessam por Deus, muitas vezes, o tema de Deus para eles está ligado à violência, ao fundamentalismo. Eles podem ser sensíveis à pessoa de Jesus Cristo, ao Evangelho, mas não a Deus. Enquanto que para minha geração "buscar a Deus" era uma expressão rica em significado, que nos encantava. Mas hoje se quer encontrar alguém que testemunhe que a vida vale a pena ser vivida. Jesus pode ser esse companheiro de viagem.

A acídia atinge os jovens ou os idosos com mais facilidade?

Ambos. Quando você tem um compromisso, um emprego, a tentação é menos forte do que quando você não tem nada para fazer. Na velhice, a tentação da apatia acaba retornando. Não se tem mais projetos de longo prazo. Então, é preciso encontrar no presente um sentido para viver dia a dia, lutar contra a preguiça espiritual na relação com os outros, nos encontros, sair do isolamento em que a velhice nos encerra.

A Esperança cristã não deveria nos proteger?

Naturalmente, temos a Esperança no Reino, na vida eterna com o Cristo ressuscitado. Mas muitos se questionam sobre a vida eterna. A fé não é mais uma rocha inabalável, mas pede para dizer sim todos os dias. Agora temos uma visão científica da vida e da morte e temos dificuldade em acreditar na vida após a morte. E sentimos uma tristeza que alimenta a preguiça espiritual e vice-versa.

E na vida religiosa?

Na vida comunitária, o dia da apatia paradoxalmente é o domingo. Enquanto você trabalha de manhã à noite, continua em frente. Mas no domingo é um dia em que não trabalhamos, um dia em que temos tempo para nós mesmos. Quando um religioso começa a se perguntar como ocupar sua tarde sem querer ficar na comunidade, isso se torna perigoso. O tempo livre de domingo torna-se um fardo enquanto deveria ser uma alegria.

A acídia é, portanto, um risco particularmente importante na vida religiosa, porque a maior crise hoje entre os religiosos está ligada à vida na comunidade. Para colocar as maiores dificuldades não são nem a obediência nem a castidade, mas o individualismo. Este último torna cada vez mais pesada a vida comunitária, que só tem sentido na escuta uns aos outros, no apoio recíproco. O ativismo é uma maneira de esconder o problema. Quando o trabalho nos absorve completamente, fazemos coisas uma após a outra sem deixar espaço para a liberdade.

Como combater a acídia especificamente na vida religiosa?

Às vezes os preceitos dados pelos livros de espiritualidade me incomodam porque eles se contradizem. Não existe um único método, é preciso sempre considerar o contexto, para cada pessoa individual. Convidar para a oração é insuficiente. É necessário ver se a pessoa tem a possibilidade de ter trocas de opiniões, se tem uma amizade.

O remédio também pode ser encontrado na participação aos encontros com a Palavra de Deus. Pode ser útil retomar as relações com a natureza, fazendo caminhadas, prestar atenção às árvores, aos animais. Porque nos traz de volta o sentido da vida. Mas às vezes não se consegue dar conselhos porque se percebe que a pessoa não é capaz de enfrentar a situação.

Então é preciso mudar o contexto de sua vida. Independentemente do estado de vida, se há lugares de silêncio onde seja possível ouvir a si mesmo em paz e se há uma capacidade de se relacionar com os outros, existem os meios para sair da apatia.

Você já sofreu de preguiça? Ou momentos semelhantes? Como você identificou o mal? Como saiu disso?

Sim, eu a conheci, na forma de uma "confusão": sentia-me invadido pelo nada. São as trevas, a noite escura, em que nada parece fazer sentido. Para mim foi uma hora em que as trevas falavam ao meu coração, e minha oração havia se reduzido a uma única invocação: "Junto de vós, Senhor, me refugio. Não seja eu confundido para sempre; por vossa justiça, livrai-me!" (Sl 30,2). Um tempo difícil e longo o suficiente para eu me questionar sobre a minha vocação e o meu relacionamento com Deus.

Mais tarde, chegou a hora de levantar-me novamente, graças à descoberta de uma nova face de Deus, a face da misericórdia: cheguei a poder proclamar: "Cantarei para sempre a tua misericórdia, Senhor, mesmo no inferno!"

Como um Padre do deserto costumava dizer: "Caímos e nos levantamos, caímos e nos levantamos, caímos e nos levantamos de novo! Porque o amor de Deus é uma graça que não deve ser merecida”.

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