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31 Março 2019

Muitas vezes os discursos na mídia social lembram o espírito da sociedade das nações: grandes declarações de princípios, enquanto na Alemanha a crise econômica estava dando origem ao nazismo. O debate sobre inteligência artificial concentra-se principalmente sobre as consequências éticas dos novos autômatos: eles nos espionarão (medo antigo e real), eles vão tomar decisões perigosas (carros que dirigem sozinhos e coisas similares). Em ambos os casos, as preocupações são legítimas, mas deixam de lado o fato de os seres humanos parecerem pouco interessados na privacidade, e é por isso que o Instagram prospera, e as máquinas certamente podem errar, mas nunca quanto um bêbado na direção. Mais especificamente, distraem do ponto central.

O comentário é de Maurizio Ferraris, filósofo italiano e professor na Universidade de Turim, publicado por Il manifesto, 28-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

A robótica e a domótica fazem suas experiências na assistência doméstica e no campo militar, mas o objetivo real é a automação de todos os processos de produção. Considerando que um autômato sempre custa menos do que um ser humano, não tendo necessidades, fadigas ou direitos, a automação é sempre vantajosa. Não é difícil prever que num futuro próximo todo o trabalho feito por seres humanos será realizado por máquinas, incluindo aqueles (funcionários da Amazon, entregadores, colhedores de tomate) que são sempre citados para demonstrar a sobrevivência do trabalho como esforço e alienação.

Para compreender e direcionar democraticamente essa transformação em relação à qual a urgência migratória ou a crise ecológica são fatos subordinados, e o populismo uma consequência direta (porque o medo de perder o emprego é a mãe de todos os medos) é de pouca utilidade sustentar que o Capital, entidade demoníaca à qual é atribuída maldade e astúcia imerecidas, consegue nos fazer labutar e alienar vinte e quatro horas por dia. Porque não é credível: se eu assisto a um vídeo, se interajo em uma rede social ou se publico um ensaio sobre a alienação, eu não estou me alienando nem me fadigando. Estou praticando a forma de vida comunista e livre de alienações idealizada por Marx e Engels na ideologia alemã. E se não sou feliz, isso depende em parte da superestimação do humano em Marx (considerado perfeito em si e, portanto, feliz quando está consigo mesmo), mas principalmente pelo fato que trabalho de graça, porém não como alienado e fatigado, mas como um mobilizado e produtor de valor, isto é, de dados. Estes, bem mais do que as finanças, são a capital do século XXI, porque permitem o planejamento dos consumos e o conhecimento das necessidades, crenças e desejos. É por isso que o capital “documedial” é diferente e outro quando comparado ao capital industrial (que precisa do trabalho como esforço e alienação) e ao capital financeiro (que não precisa de esforço nem de alienação, nem de mobilização ou de produção de valor, e que, por essa razão, está exposto a crises recorrentes).

Lastimar-se do esforço e da alienação e não reconhecer a mobilização não é a escolha certa. Em vez disso, é uma questão de reconhecer as características específicas da mobilização e, em particular, o mais-valia “documedial”, ou seja, a diferença entre os dados (genéricos e públicos) que as plataformas fornecem aos mobilizados e os dados (específicos e muito úteis para a distribuição de bens) que os mobilizados fornecem às plataformas. Esse mais-valia, se redistribuído com base em uma taxação europeia das plataformas não apenas sobre as receitas de publicidade, mas sobre a coleta de dados, poderia estimular o consumo de bens (é o que acontece na China); bens que, enquanto isso, e precisamente por causa da automação, custam cada vez menos.

Em um mundo automático para o ser humano, sobrarão dois caminhos. Aquele, raro e fortuito, de criatividade, de fazer o que as máquinas não fazem. Ao lado da exceção, no entanto, a norma deve ser procurada. Cada um de nós é raramente (e às vezes nunca) criador, mas é sempre consumidor, gerador de necessidades, gostos, interesses, que afundam sua motivação em sua camada orgânica (os organismos, ao contrário dos mecanismos, desligam-se para nunca mais ligar, disso decorre a pressa, a ansiedade, o tédio e a historicidade que nos caracterizam). Entender essa nova forma de trabalho é o esforço conceitual exigido para uma esquerda que saiba contrapor esperanças razoáveis contra os medos sobre os quais a direita angaria votos.

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