França: símbolos cristãos entram nas manifestações dos ''Coletes Amarelos''

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18 Março 2019

Em uma época em que todas as certezas parecem perdidas, o movimento francês dos Coletes Amarelos procura uma linguagem e um simbolismo capazes de uni-los. É impressionante como o cristianismo, frequentemente, é o lugar onde ambos se encontram.

A reportagem é de Wilco Versteeg, publicada por Crux, 16-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um homem usa um colete amarelo exibindo a frase em latim “Deus o quer”, durante uma manifestação em Paris, França
(Foto: Wilco Versteeg/Katholiek Nieuwsblad/Crux)

Na Champs-Élysées de Paris, pessoas com coletes amarelos e turistas se misturam a um frei segurando um ícone de Nossa Senhora em suas mãos. Sua presença, vestido de preto sóbrio e usando sandálias, chama a atenção em uma cidade onde todos os sábados as ruas estão ficando amarelas. Paris está sobrecarregada pela revolta com a injustiça de tudo, a violência dos impotentes e a barbárie dos ativistas.

Manifestantes com coletes amarelos carregam uma cruz em Paris, França
(Foto: Wilco Versteeg/Katholiek Nieuwsblad/Crux)

Nem mesmo o olhar de Maria no ícone pode impedir a multidão de buscar a justiça do presidente e ressaltar as promessas da Revolução Francesa, que muitas vezes não foram cumpridas. Um dos membros da multidão é um autoproclamado mártir arrastando uma cruz ao longo de quilômetros e quilômetros de estradas repletas de gás lacrimogêneo e barricadas em chamas, para exigir liberdade, igualdade, fraternidade, justiça e paz para todos.

Uma imagem da Virgem Maria em um protesto dos “Coletes Amarelos” em Paris, France
(Foto: Wilco Versteeg/Katholiek Nieuwsblad/Crux)

Babilônia em chamas

A França, a filha mais velha da Igreja Católica, está sendo tomada por uma fúria que expõe uma profunda crise cultural. Uma crise resultante da desigualdade econômica, mas também da perda do senso comunitário e da união real. “Babilônia em chamas” é uma das frases escritas em uma parede.

“Babilônia em chamas”, frase escrita em uma parede durante um protesto dos Coletes Amarelos em Paris, França
(Foto: Wilco Versteeg/Katholiek Nieuwsblad/Crux)

A fumaça de dezenas de carros em chamas lança sombras sobre um bulevar com o nome de um general da Revolução Francesa. Os gritos, explosões e luzes brilhantes fazem parecer que o Apocalipse começou. As ruas foram tomadas, e parece que a multidão não descansará enquanto houver pedra sobre pedra.

Cruz de Lorena usada durante um protesto dos Coletes Amarelos em Paris, França
(Foto: Wilco Versteeg/Katholiek Nieuwsblad/Crux)

Nascido para curar

Extrema-direita e extrema esquerda, negros e brancos, velhos e jovens, ateus e fiéis: os Coletes Amarelos buscam uma linguagem e um simbolismo que os unam em tempos sem sentido, uma época em que as faixas parecem nos falar mais do que ícones, uma época em que o cuidado, a cura e o amor parecem ter sido superados pelo ódio e pelo vandalismo. Mas, "o tempora o mores", também um tempo em que a fé, a esperança e o amor ainda perduram em meio à violência: nas paredes, nos carros incendiados, nas roupas das pessoas, na maneira como elas se comportam.

Um médico em atendimento em um protesto dos Coletes Amarelos em Paris, France
(Foto: Wilco Versteeg/Katholiek Nieuwsblad/Crux)

“Nascido para curar” é a frase escrita no capacete branco de um voluntário que oferece os primeiros socorros a uma vítima de uma bala de borracha. "Deus vult", o grito dos cruzados, está escrito em alguns dos Coletes Amarelos: “Deus o quer”. A cruz de Lorena, símbolo da França Livre, choca-se com a bandeira nacional que parece estar manchada pelas promessas rompidas de uma vida digna no mundo moderno. Em um cartaz, até o papa observa a polícia e os manifestantes.

Uma foto do Papa Francisco foi colocada em um protesto dos Coletes Amarelos em Paris, França
(Foto: Wilco Versteeg/Katholiek Nieuwsblad/Crux)

Raiva santa

O Apocalipse. Raiva santa. Uma cruzada por uma nova França. Vandalismo cego pela alegria de demolir tudo no domínio público. Ou um pouco de tudo: as regras do caos. Existe uma linguagem capaz de curar o que foi quebrado, existe uma âncora que nos impede de entrar em deriva enquanto o vento não amansa?

Um frei segura uma imagem de Nossa Senhora durante um protesto dos Coletes Amarelos em Paris, França
(Foto: Wilco Versteeg/Katholiek Nieuwsblad/Crux)

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