“A Igreja não pode ser cúmplice de abusos ou de crimes”, diz novo arcebispo de Lima. Veja o vídeo e o contundente discurso de Carlos Castillo

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05 Março 2019

“Temos que dar esses sinais com transparência, sem esconder os problemas, mas enfrentando-os, reconhecendo nossos erros, pecados e até crimes, se existirem, e enfrentá-los com a justiça e a verdade”, disse o novo arcebispo de Lima, Peru, Carlos Castillo Mattasoglio, durante a cerimônia de posse.

Castillo pediu aos presbíteros e outros bispos para não ser como a orquestra do filme Titanic, que não fez nada e continuou tocando enquanto o navio afundava. Recomendou, ao contrário, “procurar os botes salva-vidas”.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 04-03-2019. A tradução é de André Langer.

A Igreja ou hierarquia eclesial não podem ser cúmplices de abusos ou de crimes, mas devem ter sinais de transparência para serem confiáveis perante os fiéis, disse hoje o novo arcebispo de Lima, Carlos Castillo Mattasoglio.

Em um pronunciamento que fez antes do final da cerimônia de posse de seu cargo, que durou mais de três horas na catedral de Lima, Castillo reconheceu que a Igreja está em um momento “ruim”, em que há muitos sinais para não crer nela.

“Temos que dar esses sinais com transparência, sem esconder os problemas, mas enfrentando-os, reconhecendo nossos erros, pecados e até crimes, se existirem, e enfrentá-los com a justiça e a verdade”, disse, sob os aplausos da assembleia.

Ele indicou que um dos desafios é que a Igreja Católica se abra à sociedade civil, que reconheça suas buscas e que ofereça a verdade do Evangelho com pedagogia, respeitando a legítima autonomia da ordem temporal.

Da mesma forma, considerou ser necessário que a Igreja se una às grandes causas da população, de maneira simples, responsável e alegre e sem pretensões políticas.

Precisamos bater pernas

“Não prejulgar, e isso requer uma grande conversão espiritual de todos. Precisamos bater pernas, andar, gastar a sola dos sapatos, acostumar-nos a caminhar e pedalar. Temos que falar a língua do nosso povo, dos nossos jovens, para saber recolher sua experiência”, disse.

Em outro momento, Castillo pediu aos presbíteros e outros bispos para não ser como a orquestra do filme Titanic, que não fez nada e continuou tocando enquanto o navio afundava. Recomendou, ao contrário, “procurar os botes salva-vidas”.

Também recordou que o Papa Francisco quer uma Igreja para os pobres, uma Igreja missionária, e, para isso, será necessário mudar estilos, horários, o timing eclesial. “Não é uma questão de fazer saídas de vez em quando, devem ser saídas para se encontrar com novos sujeitos, com novos problemas. Devemos reinventar a Igreja sempre com base no espírito de Jesus”.

O que deve ser melhorado?

Finalmente, deixou aos fiéis, sacerdotes, crentes e não crentes, três perguntas para que sejam respondidas ou debatidas: o que deve ser melhorado na Igreja de Lima? Quais são as principais periferias que deveríamos atender e por quê? E que formas a nossa Igreja missionária de Lima deve assumir para ser sinal de esperança?

A posse como arcebispo da Arquidiocese de Lima ocorreu em um ambiente festivo não apenas dentro da catedral, onde alguns cantos tinham ritmos peruanos, mas fora, dado que a Praça das Armas estava adornada com tapetes de flores.

Os atos protocolares começaram pela manhã na Paróquia de San Lázaro del Rímac, onde Carlos Castillo trabalhou como padre durante cinco anos. Ali, nesta manhã, o sacerdote foi ordenado bispo.

Mais tarde, o novo bispo dirigiu-se em procissão para a catedral de Lima, acompanhado por autoridades eclesiásticas, sacerdotes e centenas de fiéis. Entre eles estava Gustavo Gutiérrez, o pai da Teologia da Libertação, com quem se sentou no átrio.

Cabe recordar que Castillo foi nomeado arcebispo de Lima no dia 25 de janeiro passado, depois que o Papa Francisco aceitou a renúncia do cardeal Juan Luis Cipriani, que esteve à frente da Arquidiocese desde 1999.

Notas de IHU On-Line:

- O vídeo da posse do novo arcebispo de Lima, com a presença de Gustavo Gutiérrez, pode ser visto aqui e abaixo. O discurso programático de D. Carlos Castillo pode ser visto e ouvido no mesmo vídeo, a partir de 2:45:43.

- A íntegra do discurso programático de D. Carlos Castillo pode ser lido na íntegra, em espanhol, aqui.

- A imagem acima registra a entrega do báculo de Juan Landázuri Ricketts, OFM (1913-1997), arcebispo de Lima e um dos presidentes da Conferência de Medellín (1968). A entrega do báculo é feita por D. Luis Bambarén,SJ, bispo emérito de Chimbote, Peru e ex-presidente da Conferência Episcopal Peruana. Bambarén fora bispo auxiliar de Lima nos tempos de Landázuri Ricketts.

Um momento de muita emoção no rito de posse do novo arcebispo de Lima, é a imposição das mãos de D. Bambarén. O momento pode ser visto no vídeo, 1:05:00

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