Os oito compromissos do Papa Francisco e da Igreja para proteger os menores no final do Encontro no Vaticano sobre a pedofilia clerical

Revista ihu on-line

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Mais Lidos

  • Irmã Dulce, símbolo de um Brasil que está se esquecendo dos pobres. Artigo de Juan Arias

    LER MAIS
  • Aos 15 anos da morte do filósofo francês Jacques Derrida, o último subversivo

    LER MAIS
  • “A ética do cuidado é um contrapeso ao neoliberalismo”. Entrevista com Helen Kohlen

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

25 Fevereiro 2019

Do discurso do Santo Padre no encerramento do Encontro para a Proteção dos menores na Igreja hoje, Domingo, 24 de fevereiro de 2019.

A reportagem é publicada por Il Sismografo, 24-02-2019, A tradução é de Luisa Rabolini

- "O santo e paciente Povo fiel de Deus, sustentado e vivificado pelo Espírito Santo, é a melhor face da Igreja profética que sabe como colocar no centro o seu Senhor ao se doar na vida cotidiana. Será justamente esse santo Povo de Deus que nos libertará do flagelo do clericalismo, que é o terreno fértil para todas essas abominações".

- "Eu faço um apelo sincero para uma luta total contra os abusos de menores no campo sexual como em outros campos, por parte de todas as autoridades e indivíduos, porque se trata de crimes abomináveis que devem ser cancelados da face da terra: é o que pedem tantas vítimas escondidas nas famílias e em diferentes âmbitos das nossas sociedades."

Fazendo uso destas orientações, a Igreja, em seu itinerário legislativo, graças ao trabalho feito nos últimos anos pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e a contribuição deste nosso encontro, irá se concentrar sobre as seguintes dimensões:

1. A proteção das crianças: o objetivo principal de qualquer medida é proteger os pequenos e impedir que eles sejam vítimas de qualquer abuso psicológico e físico.

Portanto, é necessário mudar a mentalidade para combater a atitude defensivo-reativa de salvaguardar a instituição, em vista de uma busca sincera e decidida do bem da comunidade, dando prioridade às vítimas dos abusos em todos os sentidos. Diante de nossos olhos devem estar sempre presentes os rostos inocentes dos pequenos, recordando as palavras do Mestre: "Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!" (Mt 18: 6-7).

2. Seriedade impecável: eu gostaria de reiterar aqui que "a Igreja não vai se poupar em fazer todo o necessário para levar à justiça qualquer um tenha perpetrado tais crimes. A Igreja nunca tentará encobrir ou minimizar qualquer caso" (Discurso à Cúria Romana, 21 de dezembro de 2018). Por sua convicção, "os pecados e os crimes de pessoas consagradas são marcados por tons ainda mais sombrios de infidelidade, de vergonha e deformam o rosto da Igreja, minando sua credibilidade. De fato, a Igreja, juntamente com os seus filhos fiéis, é também vítima dessas infidelidades e desses verdadeiros e próprios crimes de peculato" (ibid.).

3. Uma verdadeira purificação: apesar das medidas tomadas e os progressos realizados em matéria de prevenção dos abusos, é necessário impor um compromisso renovado e perene para a santidade dos pastores, cuja configuração a Cristo, o Bom Pastor é um direito do povo de Deus. Reitera-se, portanto, "a firme vontade de continuar, com todas as forças, o caminho da purificação, questionando-se sobre como proteger as crianças; como evitar tais desgraças, como curar e reintegrar as vítimas; como reforçar a formação nos seminários [...] Vai se tentar transformar os erros cometidos em oportunidades para erradicar tal flagelo não só o corpo da Igreja, mas também daquele da sociedade"(ibid.). O santo temor de Deus nos leva a acusar a nós mesmos - como pessoas e como instituição - e a reparar nossas falhas. Acusar a si mesmos: é um começo sapiencial, ligado ao santo temor de Deus. Aprender a acusar a si mesmos, como pessoas, como instituições, como sociedade. Na realidade, não devemos cair na armadilha de acusar os outros, o que é um passo em direção ao álibi que nos separa da realidade.

4. A formação: ou seja, os requisitos para a seleção e a formação dos candidatos ao sacerdócio com critérios não só negativos, preocupados principalmente em excluir as personalidades problemáticas, mas também positivos na oferta de um processo de formação equilibrada para os candidatos idôneos, voltados para a santidade e compreensivos da virtude da castidade. São Paulo VI na Encíclica Sacerdotalis Caelibatus escreveu: " Uma vida tão inteira e amavelmente dedicada, no interior e no exterior, como a do sacerdote celibatário, exclui, de fato, candidatos com insuficiente equilíbrio psicofísico e moral. Não se deve pretender que a graça supra o que falta à natureza." (No. 64).

5. Reforço e verificação das orientações das Conferências Episcopais: isto é, reafirmar a exigência de unidade dos Bispos na aplicação de parâmetros que tenham valor de normas e não apenas orientações. Nenhum abuso jamais deve ser acobertado (como era habitual no passado) e minimizado, pois o acobertamento dos abusos favorece a propagação do mal e acrescenta mais um nível de escândalo. Em especial, desenvolver uma nova abordagem eficaz para a prevenção em todas as instituições e os ambientes das atividades eclesiais.

6. Acompanhamento das pessoas abusadas: o mal que eles experimentaram deixa feridas indeléveis nelas que se manifestam inclusive em rancores e tendências à autodestruição. A Igreja, portanto, tem o dever de oferecer-lhes todo o apoio necessário, fazendo uso dos especialistas neste campo. Ouvir, eu me permito a palavra: "perder tempo" ouvindo. A escuta para curar o ferido, e até mesmo curar a nós mesmos pelo egoísmo, pela distância, pelo "não cabe a mim", da atitude do sacerdote e do levita da parábola do Bom Samaritano.

7. O mundo digital: a proteção dos menores deve levar em conta as novas formas de abuso sexual e de abusos de todos os tipos que os ameaçam nos ambientes em que vivem e através das novas ferramentas que usam. Seminaristas, padres, religiosos, religiosos, agentes pastorais e todos devem estar cientes de que o mundo digital e o uso de suas ferramentas frequentemente afetam mais profundamente do que pensamos. Aqui é preciso encorajar os países e as autoridades para aplicar todas as medidas necessárias para restringir os sites que ameaçam a dignidade do homem, da mulher e em particular dos menores: o crime não usufrui do direito à liberdade. É absolutamente necessário nos opor com máxima decisão a essas abominações, vigiar e lutar para que o desenvolvimento dos pequenos não seja perturbado ou ameaçado por seu acesso descontrolado à pornografia, que vai deixar sinais negativos profundos em sua mente e em sua alma. Devemos empenhar-nos por que os jovens e as jovens, especialmente os seminaristas e o clero, não se tornam escravos de dependências baseadas na exploração e o abuso criminoso dos inocentes e de suas imagens e o desprezo pela dignidade da mulher e da pessoa humana. Destacamos aqui as novas normas "sobre os crimes mais graves", aprovadas pelo Papa Bento XVI em 2010, onde foi adicionado como uma nova tipificação de crime, "a aquisição, detenção ou divulgação" realizada por um membro do clero "de qualquer forma e por qualquer meio, de imagens pornográficas tendo como objeto menores". Na época se falava de "menores de 14 anos", agora consideramos que devemos elevar esse limite de idade para ampliar a proteção dos menores e insistir na gravidade desses fatos.

8. O turismo sexual: o comportamento, o olhar, o ânimo dos discípulos e dos servos de Jesus deve ser capaz de reconhecer a imagem de Deus em cada criatura humana, começando pelas mais inocentes. É somente atingindo esse respeito radical da dignidade do outro que poderemos protegê-lo do poder invasivo de violência, exploração, abusos e corrupção, e servi-lo de uma forma credível no seu crescimento integral, humano e espiritual, no encontro com os outros e com Deus. Para combater o turismo sexual, é necessária a repressão judiciária, assim como apoio e projetos para a reinserção das vítimas de tal fenômeno criminoso. As comunidades eclesiais são chamadas a fortalecer o cuidado pastoral das pessoas exploradas pelo turismo sexual. Entre estas, as mais vulneráveis e necessitadas de ajuda particular são certamente mulheres, menores e crianças; estes últimos, no entanto, precisam de proteção e atenção especiais. As autoridades governamentais devem dar prioridade e agir com urgência para combater o tráfico e a exploração econômica das crianças. Para tal propósito, é importante coordenar os esforços em todos os níveis da sociedade e também trabalhar em estreita colaboração com as organizações internacionais para a implementação um quadro jurídico que proteja as crianças da exploração sexual no turismo e permita processar legalmente os criminosos.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Os oito compromissos do Papa Francisco e da Igreja para proteger os menores no final do Encontro no Vaticano sobre a pedofilia clerical - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV