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23 Fevereiro 2019

Depois das reivindicações do cardeal Oswald Gracias, para enfatizar a prestação de contas dos membros do clero acusados de pedofilia à Justiça Civil, o arcebispo de Chicago, Blase Cupich, apresentou, nesta sexta-feira, uma série de pontos para melhorar a accountability no interior da Igreja.

A reportagem é de Hernán Reyes Alcaide, publicada por Religión Digital, 22-02-2019. A tradução é do Cepat.

“Tristemente, muita de nossa gente, não só os abusados ou os pais dos abusados, mas também os fiéis em geral perguntam se nós, os líderes da Igreja, compreendemos plenamente essa realidade, particularmente quando veem que pouco cuidado é dado às crianças abusadas, ou pior ainda, quando se encobre para proteger o abusador ou a instituição”, expressou Cupich em seu discurso, no segundo dia de trabalho da cúpula antiabusos, convocada pelo Papa Francisco, no Vaticano.

Continuando com o tom de autocrítica que impregnou o primeiro dia, Cupich expôs hoje que “ esta é a fonte da crescente desconfiança em nossa liderança, sem mencionar a indignação de nosso povo”.

O cardeal estadunidense baseou sua apresentação nas propostas de uma série de medidas para aumentar os procedimentos de prestação de contas dentro da Igreja e melhorar os processos frente as acusações de abusos sexuais de membros do clero.

“A primeira orientação é uma postura perpétua de escuta radical para compreender a experiência aniquiladora daqueles que foram abusados sexualmente pelo clero”, propôs.

Parafraseando o motu proprio do Papa Francisco de 2016, em que endurece as sanções canônicas aos acobertadores, Cupich acrescentou que “a Igreja, como mãe amorosa, deve abrir-se continuamente à realidade angustiante das crianças cujas feridas nunca vão se curar”.

Nossa escuta deve ser ativa, buscando a quem tenha sido ferido e tratando de servi-los, reivindicou aos 190 participantes.

Em outras palavras, a obrigação de prestar contas dentro do colégio episcopal, marcada pela sinodalidade, pode se configurar de tal maneira que se converta em uma rede sólida de orientação, graça e apoio que não deixa o líder individual sozinho em situações difíceis, nem se baseie na falsa impressão de que a Santa Sé deve dar todas as respostas”, propôs.

Nesse marco, o também membro do Comitê organizador do encontro enfatizou que “o princípio orientador final que é essencial para que as estruturas de prestação de contas por abuso sexual do clero sejam efetivas, é o chamado ao acompanhamento”.

“Se a Igreja quiser acolher verdadeiramente as vítimas e sobreviventes do abuso clerical em seus braços como uma mãe amorosa, então toda estrutura de prestação de contas deve incluir um compromisso e acompanhamento que sejam verdadeiramente compassivos”, expôs.

As palavras de Cupich apareceram hoje como a segunda série de propostas concretas, após os 21 pontos que ontem foram entregues pelo próprio Francisco aos participantes como ponta pé inicial dos trabalhos.

“Essas estruturas de prestação de contas também devem ser justas e seguras, produzindo sanções para proteger os vulneráveis quando o acusado é culpado, e declarações de inocência quando o acusado não tem culpa”, acrescentou em seguida Cupich, após traçar um panorama do estado atual do marco normativo na Igreja.

“O chamado da Igreja para acompanhar as vítimas exige uma mentalidade que rejeita categoricamente os acobertamentos ou o conselho para nos distanciarmos dos sobreviventes de abusos por razões legais ou por medo do escândalo, que bloqueia o verdadeiro acompanhamento daqueles que foram vitimizados”, acrescentou em outro ponto que apresentou.

“A tarefa que temos diante de nós é centrar esses princípios no desenho das estruturas institucionais e legais específicas, com a finalidade de criar uma obrigação de prestar contas genuínas em casos relacionados com a má conduta dos bispos e superiores religiosos, e a má conduta dos casos de abuso infantil”, explicou.

“Todos os mecanismos para reportar acusações de abuso ou más condutas de casos de abuso contra um bispo devem ser transparentes e bem conhecidas pelos fiéis, afirmou Cupich nessa direção, incluindo o possível “estabelecimento de mecanismos independentes de informação na forma de uma linha telefônica específica ou de um serviço de portal web para receber e transmitir as acusações”.

Por último, seguindo o pedido dessa semana do arcebispo de Malta, Charles Scicluna, para mudar a cultura do silêncio que arrasta a Igreja nestes casos, Cupich afirmou que “a denúncia de um crime não deve ser obstaculizada pelo segredo oficial ou por normas de confidencialidade”.

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