Francisco revela que celebrou missa com cardeal Muller e Gustavo Gutierrez

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15 Fevereiro 2019

O Papa Francisco revelou que já celebrou uma missa no Vaticano com o cardeal Gerhard Müller, então prefeito da congregação doutrinal, e o padre dominicano do Peru Gustavo Gutiérrez, muitas vezes associado à criação do controverso campo da teologia da libertação.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 14-02-2019. A tradução é de Luísa Flores Somavilla

Em uma sessão de perguntas com membros da ordem dos jesuítas no Panamá no mês passado, cujo texto foi publicado pela primeira vez no dia 14 de fevereiro, o pontífice brincou que se alguém previsse isso décadas antes poderiam dizer que “estava bêbado”.

Embora já se soubesse que Francisco tinha encontrado Gutiérrez em privado na Domus Sanctae Marthae, no Vaticano, em setembro de 2013, nada indicava que tinham celebrado a liturgia juntos, ou que Müller também tivesse participado.

O Papa falou sobre Gutiérrez, no Panamá, também lamentando que alguns críticos da teologia da libertação da hierarquia da Igreja não tenham tido um olhar atento, "condenando todos os jesuítas da América Central... sem distinção".

Francisco recordou que estava em um voo para Roma há algumas décadas e encontrou um bispo centro-americano. O futuro papa perguntou ao prelado sobre a causa da canonização do falecido arcebispo salvadorenho Oscar Romero, assassinado em 1980.

"Nem me fale”, disse o bispo, segundo o relato do pontífice na transcrição da reunião divulgada pela La Civiltà Cattolica. "Seria canonizar o marxismo!"

"O bispo passou das críticas a Romero às críticas aos jesuítas da América Central", disse Francisco. "E ele não era o único a pensar assim. Na época, outros membros da hierarquia eclesiástica estavam muito próximos aos regimes da época, eram muito 'inseridos'".

Romero foi baleado ao celebrar uma missa. Ele criticava abertamente o governo salvadorenho que estava no poder até a sangrenta guerra civil que foi de 1979 a 1992.

Nos papados de João Paulo II e Bento XVI, a causa de canonização do arcebispo ficou enfraquecida por muitos anos, mas no papado de Francisco o salvadorenho tornou-se santo em outubro do ano passado.

A teologia da libertação concentra-se no papel de Jesus na remissão da humanidade, não apenas do pecado, mas também de condições políticas, sociais ou econômicas injustas.

Gutiérrez, que publicou A Theology of Liberation (A teologia da libertação) em 1971, foi um dos muitos teólogos da libertação investigados pelo gabinete da doutrina quando Joseph Ratzinger - que seria Bento XVI - era cardeal.

Em várias declarações públicas, João Paulo II disse que o marxismo influenciava indevidamente a obra de Gutiérrez e de outros.

E em 1979 chegou a dizer que seu trabalho "não se coaduna com os catecismos da Igreja".

Francisco reconheceu que alguns teólogos da libertação "se perderam um pouco", mas seu trabalho surgiu no contexto “do terror” da ditadura.

"Hoje, nós, mais velhos, rimos da preocupação que tínhamos com a teologia da libertação", disse o pontífice. "O que faltava na época era a comunicação com o exterior sobre como as coisas realmente funcionavam."

"Deixe-me dizer algo engraçado", continuou o Papa. "O mais perseguido, Gustavo Gutiérrez, o peruano, celebrou uma missa comigo e com o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Müller".

"O próprio Müller o apresentou como seu amigo”, acrescentou Francisco. "Se alguém tivesse dito na época que um dia o prefeito da Congregação para a Doutrina da fé traria Gutiérrez para concelebrar uma missa com o Papa, diriam que estava bêbado."

Muitas pessoas sabem da amizade entre Müller e Gutiérrez. Em 2014, o cardeal publicou um livro explicando e defendendo a teologia da libertação com dois capítulos escritos pelo teólogo.

Na reunião do Panamá, também perguntaram a Francisco a causa da santidade do padre jesuíta salvadorenho Rutilio Grande, que foi assassinado três anos antes de Romero e era amigo do arcebispo.

O Papa disse que o processo de o declarar mártir, que permitiria que fosse beatificado, "está indo bem".

O pontífice também revelou que tem um quadro na entrada dos seus aposentos com um pedaço de tecido manchado com o sangue de Romero e anotações de catequese dadas por Rutilio.

"Eu adorava Rutilio, mesmo antes de conhecer bem a figura de Romero", disse Francisco. "Quando eu estava na Argentina, sua vida mexia comigo e sua morte me comoveu”.

"Ele era um profeta de testemunho", disse o Papa. "Dizia o que precisava dizer, mas foi seu testemunho, o do martírio, que movia Romero. Era a graça."

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