A riqueza dos Emirados Árabes Unidos e a sobriedade do Papa Francisco, porque é útil ir além das meras aparências

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07 Fevereiro 2019

Muitos têm notado durante a viagem do Papa Francisco nos Emirados Árabes Unidos a discrepância entre a riqueza, ostentada e exibida até nos mínimos detalhes, e o magistério do Papa argentino desde sempre centrado na simplicidade e na sobriedade. Como, por exemplo, não notar mais uma vez que o Papa prefere um carro pequeno para seus deslocamentos e não algum outro automóvel de luxo, um daqueles que estamos acostumados a ver cruzar feito raio em nossas capitais europeias ou nas mais famosas localidades da Riviera Francesa ou Esmeralda transportando príncipes herdeiros e sheiks recém desembarcados de iates megagaláticos com seus planteis de empregados. Muitos abertamente se perguntaram como foi possível combinar dois mundos assim tão distanciados. Aquele de quem comercializa petróleo e tem à disposição tanto dinheiro que pode se permitir de tudo, e aquele de um Papa que, ainda guardando dentro o vívido cheiro das favelas de Buenos Aires, sentiu um chamado pelos pobres tão forte que chegou a escolher Francisco como nome. Outros, muito mais maliciosos quando se trata de criticar o cisco no olho do irmão sem reparar na trave no seu próprio, fizeram fácil ironia dessa evidente dissonância, chegando até mesmo a sussurrar a palavra "traição" ou "desvio" para rotular um comportamento do Sumo Pontífice que parece aviltar-se com esse seu contínuo distanciamento entre o mundanismo e as questões de fé.

O artigo é de Damiano Serpi, publicado por Il Sismografo, 06-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Claro, não podemos esconder que o que vimos na TV durante esta viagem apostólica estava totalmente acompanhado pela riqueza. A suntuosidade das roupas tradicionais árabes finamente bordadas com ouro, os palácios de mármore, as fontes e as estradas construídas sem poupar nenhum recurso e os metais preciosos usados para cada acabamento ou adorno sem alguma reserva. E, além disso, os móveis elegantes, os tapetes em todo lugar, os uniformes militares impecáveis e de excelente acabamento, a mais recente tecnologia que, inclusive entre nós, ainda é uma miragem distante. Nada a ver com as visitas às periferias que Francisco nos acostumou durante esses 6 anos de pontificado. Nada de pobres, desabrigados ou outros nossos irmãos em condições econômicas desfavorecidas. Mas, então, que hipocrisia é esta do Papa Francisco que prega para dar tudo para aqueles que necessitam e, depois, aceita o convite dos mais ricos que mostram a maior ostentação ao recebê-lo, sem nem mesmo mostrar respeito pelo seu pensamento? Como pode um Papa assim, que seus detratores adoram definir até mesmo de "comunista", ter emprestado sua imagem de homem de Deus humilde e sóbrio para tal exibição?

Seria muito fácil ficar presos apenas ao valor venal das imagens que, tomadas apenas nesse sentido, não podem deixar de alimentar as nossas mais recônditas invejas e ciúmes. Ao invés de nos preocuparmos com essas riquezas tão abundantes que o petróleo presenteou aos moradores daquela desértica península arábica e, portanto, acusar o Papa e a Igreja de ter traído, de alguma forma, sua própria missão, seria apropriado entender melhor o que nossos olhos viram. Os Emirados Árabes Unidos, todo mundo sabe, são um estado rico, mas não são o único rico neste planeta maltratado. Os nossos estados ocidentais também o são, mais até, se for considerada a influência nas trocas comerciais e a história do colonialismo desenfreado que ainda produz rendimentos indevidos. No entanto, o que nos diferencia já há muito tempo é a inteligência dos governados e dos "ricos" daquela parte do mundo em querer construir novas obras e reinvestir a maior parte do dinheiro que é auferido com a comercialização do petróleo na modernização do próprio país. Mas não é só isso. Em países islâmicos, como os Emirados Árabes Unidos os grandes "ricos", sejam eles governantes ou simples cidadãos, colocam seu dinheiro em muitas contas offshore de paraísos fiscais (como fazem muitos ricos europeus), mas constroem por sua própria conta estradas, hospitais, pontes, infraestruturas e mesquitas de que todo o povo se beneficia. Isso acontece também entre nós?

Nos países árabes e muçulmanos, onde a religiosidade pessoal de cada um é algo muito menos individualista do que se tornou a nossa no Ocidente, existe o Zakat, o donativo legal, ao qual é obrigado cada crente com base e de acordo com as suas possibilidades. O Zakat não é um ato livre como pode ser a nossa oferta ou doação que destinamos todo ano a uma paróquia, ao próprio Pontífice (com o óbolo de São Pedro) ou a uma associação. Nem mesmo é aquele repasse de 8 por mil dos impostos que decidimos, muitas vezes com relutância, doar à Igreja católica ou a outras denominações religiosas em vez de depositar diretamente nos cofres do estado. Afinal, perdido por perdido, é sempre bom acreditarmos ter sido generosos com aqueles que representam Deus.

O Zakat, sendo um dos cinco pilares do Islã que exige a todos contribuir materialmente com uma parcela dos próprios bens (geralmente 2,5% sobre o próprio capital e não sobre a renda), é como uma norma jurídica que comanda a quem tem mais ajudar quem não tem nada. Se existisse entre nós seria chamado por alguns de patrimonial, por outros de “impostos da bondade", que deve ser claramente diferenciada do que aprendemos a conhecer como "imposto sobre a bondade", que recentemente inventamos para explorar também as atividades do voluntariado.

O Zakat é recolhido por preceptores autorizados e, é depois destinado não só para aqueles que dele necessitam, tais como órfãos, viúvas, doentes ou pobres, mas também para a realização de obras e infraestrutura ou para o sustento das atividades de fé. A existência dessa taxa obrigatória permeou toda a sociedade islâmica, claro que não na mesma medida e com as diferenças devidas a condições econômicas objetivas de estado para estado, e muitos entre os abastados e soberanos iluminados destinam a cada ano muito mais do que seu 2,5 % do capital para realizar obras para o benefício de todos. Obviamente, nem tudo que reluz é ouro e existem diferenças locais consideráveis, mas a prática é clara.

Vamos nos perguntar agora se entre nós o mesmo acontece. Para além das ofertas, mais ou menos generosas, que são feitas em silêncio e assim devem permanecer, podemos dizer que entre nós quem mais se beneficia com a economia globalizada ou com o livre comércio, depois reinveste mesmo apenas uma parcela de seu lucro ou capital para o benefício de todos? É claro que alguém também será muito generoso com as ofertas e fará muito mais do que outros, mas costuma-se ir além? Existem, por exemplo, entre nós, magnatas da economia que constroem às próprias custas igrejas, abrigos, hospitais, orfanatos ou outras estruturas semelhantes para doa-las ao povo de que faz parte pela fé? Existe entre nós algo semelhante ao espírito do Zakat que permite ter sempre recursos disponíveis para ajudar quem ficou para trás, ou a cada ano é preciso recorrer à solidariedade expondo com toda pompa o sofrimento de quem está na pior para suscitar aquela necessária piedade que abre as carteiras? É melhor que os nossos "grandes ricos" continuem a empilhar recursos nos cofres e nos bancos para ganhar a cada ano a inútil classificação de "o mais rico tio Patinhas do mundo" ou, ao contrário, seria mais adequado contribuir como rico na realização de obras que, embora descaradamente ostensivamente luxuosas, são de utilidade para todos?

Claro que, para nós, as grandes mesquitas dos Emirates ou do Qatar parecem lugares excessivamente luxuosos, com todo aquele mármore precioso, os ouros, os vidros de Murano e todos aqueles tapetes. Em muitas partes daquele mundo, certamente não nos Emirados Árabes Unidos, aquelas luxuosas mesquitas se chocam depois com a pobreza absoluta das pessoas mais desfavorecidas que vivem com dificuldade em barracos ou na penúria. Mas, com toda a sinceridade, como deveria parecer a Basílica de São Pedro para nossos antepassados? Não era ela própria um lugar de beleza infinita e de grandes riquezas aos olhos daqueles que viveram a miséria dos campos daqueles períodos?.

Nenhum de nós hoje acredita, no entanto, que a Basílica de São Pedro ou uma das muitas outras belíssimas igrejas italianas tenha sido um desperdício, assim como parece-nos, ao contrário, cada mesquita reluzente e bem construída que vemos na TV. E aqui precisamos introduzir outro elemento. Nós, fiéis ocidentais, perdemos aquele entusiasmo natural de fiéis em querer construir nossos templos, as nossas casas de Deus. Aliás, nem nos sentimos mais tão obrigados a contribuir para a preservação e manutenção das mesmas, pois, afinal, "não existe o 8 por mil para isso?".

Aqueles que vieram antes de nós no passado quiseram realizar obras imponentes, muitas vezes custando até sacrifícios humanos, com o único propósito de homenagear Deus com o melhor que podia ser feito. Hoje nossos olhos se regozijam e se preenchem, muitas vezes grátis, daquela beleza que, no entanto, não era um fim em si mesma ou motivada pelo único desejo de se destacar na engenharia ou arquitetura. De fato, não existem apenas as suntuosas basílicas, catedrais ou duomos. Cada nossa pequena cidade e vila tem uma pequena igrejinha, uma capela, um tabernáculo realizado por sua própria conta por quem, indivíduo ou comunidade, oferecia a Deus, a Jesus, à Virgem Maria ou aos Santos seu sacrifício para agradecer por algo que foi recebido, ou simplesmente para magnificar a Deus, realizando algo que aproximasse o homem da fé.

Hoje, entre nós, não é mais assim, mas no mundo islâmico ainda é. Nós perdemos aquele sentimento de gratidão a Deus, aquele querer colocá-lo sempre em primeiro lugar, aquele desejo de louvá-lo e adorá-lo na frente de tudo, inclusive construindo para ele obras de magnificência. Por outro lado, a que serve a Deus o dinheiro, melhor que fique para nós. As estatísticas dos últimos anos nos dizem que em média um fiel muçulmano doa quase 600 dólares por ano, um judeu quase 440, enquanto um cristão católico se resume a apenas cerca de 280 dólares. Um dado que, como crentes, nos deveria fazer refletir.

Então, em relação às acusações veladas direcionadas ao Papa de ter-se prestado ao jogo e aos interesses dos poderosos e ricos emires do petróleo, participando da suntuosidade do acolhimento que lhe foi tributado, só nos resta recorrer ao Evangelho, sempre ao Evangelho. Tantas vezes Jesus foi hóspede de pessoas abastadas e nunca se recusou a entrar em paz em sua casa para consumir a refeição ou, simplesmente, conversar com elas sobre a fé no único Pai. A palavra de Deus é para todos e ninguém pode ser privado dela. Muitas vezes, o Messias encontrou mais compaixão e mais atenção nessas casas que nos templos ou nas sinagogas da época, onde todos esperavam o Filho de Deus, mas poucos o reconheceram. É suficiente lembrar de um exemplo. Quando na casa de um fariseu, uma mulher, uma pecadora, ajoelhou-se para ungir com óleo perfumado de grande valor os pés do Senhor muitos, inclusive entre os próprios apóstolos, falaram a meia voz de desperdício. No entanto, Jesus respondeu: "deixem-na em paz, por que vocês a incomodam? Ela fez uma obra boa para mim".

Todos nós deveríamos ficar felizes com a recepção calorosa tributada ao nosso Bispo de Roma na terra da Arábia, e agradecer a Deus por tudo, e não ficarmos triste ou suspeitosos como foram alguns discípulos de Jesus de então, mais propensas a julgar os outros que a si mesmos.

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