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04 Fevereiro 2019

Recepção oficial em grande estilo no aeroporto de Abu Dhabi para receber Francisco, o primeiro Papa na história que pisa no solo da Península arábica. Nas instalações do aeroporto, Bergoglio foi recebido pelo príncipe herdeiro, assim como pelo Grão Imame da Mesquita do Cairo, um velho amigo, com quem se uniu em um profundo abraço. A reportagem foi publicada por Religión Digital, 03-02-2019. A tradução é de Graziela Wolfart.

A agenda oficial do Papa nos Emirados Árabes começa nesta segunda-feira com uma reunião com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed al Nahyan, no palácio presidencial.

Pela tarde, manterá também um encontro privado na Grande Mesquita Sheikh Zayed com membros do Conselho Muçulmano de Anciãos, um grupo internacional com base nesta cidade e que é presidido pelo Grão Imame da universidade islâmica do Cairo Al Azhar, Ahmed Al Tayeb.

Durante sua estadia nos Emirados, o papa também participará de um encontro inter-religioso intitulado "Irmandade humana" no Memorial do Fundador, visitará a catedral dedicada a São José e celebrará uma missa na Cidade desportiva de Zayed.

No avião rumo a Abu Dhabi, Francisco saudou os jornalistas e faz com que distribuam entre eles uma imagem que reflete a relação entre jovens e velhos. Esta manhã choveu nos Emirados e a chuva, rara nesses países, é considerada um sinal positivo: "Esperamos que tudo seja assim!".

Francisco foi apresentado pelas palavras do diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, que disse: "Santo Padre, parece que foi ontem quando estávamos no voo de volta do Panamá. Entre os muitos cartazes de boas-vindas havia um da comunidade muçulmana no Panamá que dizia: ‘Bem-vindo Papa Francisco, homem de Paz’. Com este espírito creio que o esperam nos Emirados, como homem de paz, para fortalecer o diálogo”.

O Papa agradeceu primeiro aos jornalistas por sua presença, e logo acrescentou: "Esta manhã ouvi a notícia de que estava chovendo em Abu Dhabi e que neste lugar é considerado como um sinal de bênção. Esperamos que tudo ocorra dessa forma".

Depois Francisco continuou dizendo: "Trouxe para vocês uma imagem feita no monastério de Bose, uma cópia, para que a levem para casa. Trata-se do diálogo entre os idosos e os jovens. Estou muito preocupado com isto e creio que é um desafio".

A imagem, distribuída aos jornalistas pelo Prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, mostra um jovem monge carregando um ancião sobre seus ombros.

Na habitual rodada de saudações pessoais aos jornalistas, presentearam o Papa com doces preparados por freiras que cuidam dos doentes pobres. E contaram ao Pontífice a história de um médico dos Emirados que estudou na Itália e que nas últimas semanas, por ocasião da viagem apostólica e em homenagem a Francisco, decidiu operar gratuitamente centenas de crianças vítimas da guerra no Iêmen.

Por sua vez, um fotógrafo da agência ANSA, de origem genovesa, deu ao Papa uma camiseta com a imagem da Ponte Morandi, derrubada no último mês de agosto.

Nos Emirados Árabes Unidos (EAU), país situado no berço do Islã, surgiu uma comunidade cristã cada vez mais numerosa que cresce com milhões de estrangeiros que residem e trabalham aqui, uma igreja multicultural, de imigrantes, desconhecida para muitos.

A primeira visita do papa Francisco aos EAU pode chamar a atenção sobre a existência desta comunidade católica, constituída principalmente por filipinos e indianos, como afirma o padre Troy dos Santos, vigário-geral do Vicariato Apostólico da Arábia do Sul.

"Creio que o mundo católico não se dá conta de que existimos aqui, como uma Igreja migrante, de migrantes", explica à Efe o religioso filipino, que chegou aos EAU há uma década e viu como os fieis de seu país de origem aumentaram consideravelmente até chegar a serem os mais numerosos.

O padre Troy reza missas em filipino, inglês e espanhol na Catedral de São José de Abu Dhabi, que foi inaugurada em 1983 e atualmente conta com aproximadamente 100.000 paroquianos.

"O Governo nos dá o espaço, o complexo da igreja, onde podemos celebrar nossas liturgias e nossos costumes", disse o religioso franciscano em seu gabinete, protegido por uma imagem do Menino Deus, venerado nas Filipinas.

EAU é considerado um dos países mais abertos e tolerantes aos cristãos entre as monarquias conservadoras do Golfo Pérsico, onde se pratica o islã ortodoxo wahabí.

Apesar das leis locais permitirem a construção de igrejas, que não podem ter cruzes em seus telhados ou torres, em dois dos sete Estados que compõem a federação não existe até hoje um templo cristão.

Troy destaca que os cristãos têm liberdade para expressar sua fé, desde que seja dentro do complexo eclesiástico, já que no espaço público é proibido, segundo a lei do país.

A única missa em espanhol em Abu Dhabi acontece no primeiro sábado de cada mês, o que o sacerdote considera suficiente para o momento, já que a comunidade de fala espanhola, composta, sobretudo, por latino-americanos, não é muito grande.

As missas em espanhol atendem entre 200 e 300 pessoas, enquanto que nas liturgias em filipino, que acontecem duas vezes por semana, há até 3.000 fieis, detalha Troy para mostrar a diferença.

A comunidade católica hispânica ocupa o nono lugar, segundo Darío Malaver, um colombiano residente nos EAU há mais de dez anos e encarregado de coordenar o grupo de crentes na paróquia de São José de Abu Dhabi.

Malaver explica que na cidade as igrejas de diferentes cultos estão localizadas no mesmo lugar e todas as comunidades se ajudam entre si "sempre que necessitam, em qualquer situação".

Neste caso, todos se envolveram com a visita do pontífice, a primeira à península arábica e que, de alguma forma, reconhece a importância desta comunidade de aproximadamente um milhão de cristãos, segundo dados da igreja local.

Um deles é Alberto Gálvez, médico espanhol que mora e trabalha há dois anos nos EAU e que relata à Efe que costuma ir com sua família à Catedral de São José uma vez por semana, à liturgia em inglês, porque é a que mais lhe convém em função de seus horários de trabalho e de seus dois filhos pequenos.

"Nós, espanhóis e latino-americanos, somos minoria, por isso só há uma missa por mês" em espanhol, destaca, acrescentando, contudo, que nos EAU pode praticar sua fé sem restrições junto às demais comunidades.

"Só o fato de poder participar da missa e da eucaristia é um sentimento de união entre todos os cristãos", assinala.

Gálvez havia vivido anteriormente na Arábia Saudita e relata que "ali não há igrejas, não há templos católicos", fato pelo qual os fieis se reúnem "de outra maneira", mas se nega a oferecer mais detalhes por motivos de segurança.

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