Amaladoss, teólogo hindu cristão, narra a si mesmo

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25 Janeiro 2019

Lê-se com vivo interesse este pequeno livro (Michael Amaladoss. Il teologo indù cristiano si racconta [M. A. O teólogo hindu-cristão conta a si mesmo]), que conta, no papel de entrevistador, com o presbítero vicentino Francesco Strazzari, autor, editor e tradutor de muitos textos sobre a situação eclesial em várias partes do mundo. Desta vez, vemo-lo no papel de “confessor” de Amaladoss, um dos mais conhecidos (e discutidos) teólogos indianos, já com mais 80 anos.

O comentário é de Bruno Scapin, publicado em Settimana News, 18-01-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não escapa do leitor a qualificação de “teólogo hindu-cristão”, com a qual o célebre jesuíta indiano Michael Amaladoss se apresenta no subtítulo, porque todo o livro-entrevista gira em torno desses dois adjetivos que nunca devem ser separados. “Não há dúvida: tenho orgulho de ser indiano (...) sou profunda e felizmente indiano”.

“Havia apenas três famílias cristãs no vilarejo de cerca de mil famílias.” No início do seu longo relato, Amaladoss faz questão de frisar esse detalhe, porque precisamente a esmagadora presença de pessoas de outra religião que acompanhou a sua infância será determinante no seu caminho de pessoa de fé.

Repassando o seu currículo de estudos, não pode escapar uma anotação dele: “Para a minha sorte, nunca fui tentado a estudar em Roma pela sua atmosfera clerical”, enquanto “Paris, com a sua atmosfera cultural e artística, é a minha cidade estrangeira preferida”.

Ele também lembra “o famoso Pe. Jacques Dupuis”, seu professor, primeiro, e colaborador, depois. Ele também fala das tentativas de “indianização da celebração eucarística”, assim como da “indianização do ensino teológico”, da introdução dos “métodos indianos de oração” no seminário e, na liturgia cristã, de “cantos tipicamente hindus”, reconhecendo que todas essas novidades “não agradavam aos tradicionalistas”.

A contribuição mais significativa de Amaladoss diz respeito à presença e à pluralidade das religiões. Como jovem estudante, ele fez uma viagem (ele chama de “peregrinação”) “aos lugares santos do hinduísmo”.

“Eu acho – declara – que Deus pode ir ao encontro dos seres humanos também através de outras religiões (...) as religiões não são obra do diabo, mas podem facilitar o encontro divino-humano.”

Com base nessa convicção, ele considera que “o que Deus disse aos nossos antepassados não é, de fato, irrelevante para nós”. Mas, diante do pedido oficial de usar textos do hinduísmo na liturgia oficial, “o Vaticano disse não”. E, por causa dessas suas posições, ele foi afastado de alguns órgãos dos quais fazia parte.

E a relação com a Congregação para a Doutrina da Fé? “Eles estavam preocupados e assustados com a minha abordagem positiva em relação às outras religiões (...) o Vaticano me considerava heterodoxo e me baniu.” Eram duas as principais reservas debitadas ao nosso teólogo: a subestimação da Igreja como sacramento de salvação e a unicidade de Cristo como salvador.

Amaladoss recorda os cinco encontros com os teólogos da Congregação para a Doutrina da Fé. Ele reconstrói o cenário dos processos. E, embora confesse: “Nunca adotei uma abordagem de confronto com o Vaticano”, deixa vazar em suas palavras a consternação diante de um modo de proceder que não buscava um verdadeiro debate, mas sim a rendição do inquirido.

Há um capítulo (dez páginas, pp. 132-142) que eu sugeriria ao leitor para não ignorar. Lá, não é mais apenas o teólogo que fala, mas sim o homem de Deus. Lá, entende-se a riqueza interior que esse teólogo “hindu-cristão” possui e que o motiva na sua busca da verdade.

O sábio capítulo introdutório, “Para ler Amaladoss”, assinado pelo teólogo Brunetto Salvarani, contextualiza o ambiente cultural e religiosa asiático que serve de pano de fundo para o pensamento de Amaladoss, enquanto o “Posfácio”, do professor de missiologia Gaetano Sabetta, detém-se na teologia asiática, afirmando que “a pluralidade religiosa não pode ser liquidada como mero acidente sociológico, mas deve ser reconhecida na sua relevância teológica”.

Por fim, duas iluminadoras declarações de Amaladoss: “É necessário levar as pessoas a entenderem que o único Deus pode ser alcançado de diversas maneiras”; “As religiões não salvam. Mas Deus sim... Deus pode falar por meio de santos e profetas em todas as religiões”. Heresias ou verdades sacrossantas?

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