Vaticano, demissões causam choque - sai a cúpula da mídia

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03 Janeiro 2019

Bombas de fim de ano bastante traumáticas para a equipe que cuida da comunicação do Papa Francisco, talvez entre todos os setores o que tem sido até agora o mais exposto a golpes. De 2013 até hoje - por diferentes razões - essa área sensível e fundamental para o pontificado sofreu estresses muito fortes.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada por Il Messaggero, 02-01-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Divergências, brigas, resistências, mal-entendidos. A complexa máquina nem sempre mostrou estar em sinergia e capaz de lidar com as contínuas demandas do novo pontificado, assim como as mudanças internas que as reformas iniciadas impunham ou, ainda, com os desafios externos que gradualmente se avolumavam com ataques e críticas cada vez mais ferozes contra o Papa.

Protagonistas

No dia de São Silvestre, pouco antes do Papa celebrar o Te Deum, o último ato de uma crise que se respirava no ar, explodiu. Ruidosamente. O porta-voz Greg Burke renunciou ao cargo de chefe da Sala de imprensa. Ao mesmo tempo, a sua vice, a espanhola Paloma Garcia Ovejero, a primeira mulher nomeada por Francisco para co-dirigir a estrutura e a face da renovação do setor fez a mesma coisa, sem que para o lado de fora fosse fornecida qualquer explicação oficial pelo Vaticano. Ao mesmo tempo, era anunciada a nomeação interina do substituto de Burke, Alessandro Gisotti, jornalista da Rádio Vaticano.

Burke e Paloma (Foto: America Magazine)

Burke estadunidense e ex-correspondente da Fox News, membro da Opus Dei, tinha sido chamado para trabalhar no Vaticano em 2012 para cuidar do perfil no Twitter do Papa Bento XVI, e para ajudar a Secretaria de Estado a gerir uma difícil transição de um papado fortemente marcado pelos escândalos do Vatileaks. O Papa Francisco uma vez eleito - escolheu confirmá-lo, encaminhando para a aposentadoria o padre Federico Lombardi, o jesuíta que administrou durante anos a Rádio Vaticano e que nem sempre se mostrou em sintonia com o modus operandi do Bergoglio. Burke, no primeiro dia do ano, em um tuíte, agradeceu a todos que enviaram pensamentos de apreço para ele e Paloma, acrescentando uma frase enigmática: "Antes de tomar essa decisão, ambos oramos por meses, mas agora estamos em paz e serenos."

Problemas

Que uma mudança estivesse no ar já se percebia mesmo do lado de fora. Eram demais os problemas que haviam se acumulado. A partir da traumática saída de cena de dom Dario Viganò, o ex-prefeito da Secretaria de Comunicação, ocorrida no giro de poucos dias após a gafe da carta Ratzinger retocada ad usum delphini (censuradas, NDT), até a recente demissão do diretor do L'Osservatore Romano, Gian Maria Vian, um emérito professor de patrística que, depois de 11 anos de trabalho, acabou sendo demitido pelo novo prefeito das Comunicações, Paolo Ruffini com métodos realmente pouco usuais para os polidos ambientes vaticanos, a ponto de ser preciso colocar um remendo no furo deixado com uma tardia carta papal de agradecimento.

Seu lugar foi para um professor de colégio romano, amigo do Padre Antonio Spadaro, o jesuíta que dirige a Civiltà Cattolica e que montou para si um papel muito importante na comitiva de Francisco como spin doctor no campo da comunicação. A outra recente nomeação que o Papa escolheu para fortalecer a equipe é a de Andrea Tornielli, o correspondente do Vaticano que conheceu quando era arcebispo de Buenos Aires e a quem confiou a coordenação de todos os setores, para dar uma estrutura unitária à informação e garantir maior sinergia.

Iter

Uma missão impossível que no passado foi difícil por causa das tantas realidades (e autônomas): O CTV (Centro Televisivo Vaticano renomeado Vatican media), a rádio, a sala de imprensa, o escritório de informações da Secretaria de Estado e secretaria de comunicação. Vozes demais, cabeças demais e opiniões demais. O setor acabou por desenvolver fraquezas que depois se refletiam negativamente na imagem do pontificado. As divergências sempre foram mantidas sob controle. Até às últimas nomeações e a decisão de Burke e Paloma Garcia Ovejero de entregar as demissões (imediatamente aceitas por Francisco).

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