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18 Dezembro 2018

O que tem a ver o tráfico de seres humanos com a camiseta que eu visto ou minha conta bancária? Parece pouco ou nada, mas, na realidade, existem conexões, e muitas vezes não temos consciência disso. "Tudo está conectado" é a mensagem básica da Laudato Si’, a encíclica em que o Papa Francisco não se cansa de salientar como não é possível olhar para os vários problemas que afligem a humanidade e o planeta de maneira isolada, mas devem ser olhados em conjunto e com suas conexões. O tráfico de seres humanos está crescendo e afeta grande parte do mundo: segundo dados da ONU pelo menos 150 são os países de origem e 124 aqueles de destino. É um fenômeno difícil de medir e ainda mais difícil de combater, justamente por ser subterrâneo. É definido pela ONU como "o recrutamento, transporte, transferência, acolhimento e hospitalidade de pessoas, sob a ameaça de recurso ou recurso à força ou outras formas de coerção, ou por sequestro, fraude, engano, abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade, ou por pagamento ou recebimento de dinheiro ou outras vantagens para obter o consentimento de uma pessoa exercendo sobre ela a própria autoridade, a fim de exploração".

O artigo é de Alessandra Smerilli, religiosa italiana da Congregação Filhas de Maria Auxiliadora (salesianas),  professora na Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação "Auxilium" de Roma, doutora em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade de East Anglia (Norwich, Reino Unido), também é PhD em Economia pela Faculdade de Economia na "Sapienza" de Roma, publicado por L’Osservatore Romano, 15/16 -12-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

As pessoas são reduzidas à forma de escravidão principalmente para exploração sexual, trabalho, para mendigar e para o tráfico de órgãos. As vítimas são principalmente mulheres e meninas, mas por causa do aumento nos últimos anos de exploração para efeitos de trabalho, também está aumentando o componente de homens e meninos no total.

Muitos foram e são as reações de governos e organizações internacionais, mas também de homens e mulheres religiosos que, estando presentes em todo o mundo, podem entender melhor do que outros os caminhos e as formas de tráfico, e conseguem agir nos lugares de origem e de partida, ficando ao lado das vítimas e, ao mesmo tempo, denunciando a exploração.

As Uniões Internacionais dos Superiores e das Superioras Gerais (UISG e USG - nas siglas em inglês), por meio da Rede Talitha Kum são muito ativos nessas frentes. Perguntamo-nos se cada um de nós deve ser um mero espectador desse problema que parece nos assolar, ou se podemos fazer alguma coisa; em outras palavras, há alguma maneira de combater o fenômeno também da parte da demanda por bens e serviços?

Se delimitarmos a nossa atenção para a exploração para fins de trabalho, os setores mais afetados são a agricultura, a construção, o têxtil, o de alimentos e a pesca, além da produção de componentes para a eletrônica. A exploração existe porque existe uma demanda por produtos de baixo custo, ou, independentemente do preço do produto final, porque há pouca atenção para a cadeia produtiva.

A primeira pergunta a fazer, então, é: quando vou para comprar algum bem, o quanto eu sei sobre a empresa que o produz e sua cadeia de suprimentos? Hoje existem tantos sites de informação sobre as empresas e com um pouco de empenho pessoal se poderia comprar de forma mais consciente.

É verdade que, às vezes, escolher produtos mais saudáveis e de empresas que não exploram os trabalhadores, significa ter um preço final mais elevado. Mas por trás da diferença de preço podem se esconder vítimas inocentes, e uma mudança no consumo para as empresas "saudáveis" também poderia levar a uma diminuição daqueles preços.

Finalmente, hoje há um grande movimento daquela que é chamada de finança responsável ou de impacto: os gestores que, depois de uma avaliação financeira completa das empresas e estados, também realizam uma avaliação dos comportamentos em relação ao meio ambiente, à sociedade e aos trabalhadores (a chamada análise ESG), e escolhem por investir apenas em títulos de empresas e Estados que respeitem critérios mínimos de sustentabilidade ambiental ou se empenham no respeito dos trabalhadores.

A boa notícia é que os investimentos desses fundos também têm bons rendimentos.

O quanto conhecemos, e quanto nos informamos sobre a forma como é gerido e para quem é financiado o dinheiro que depositamos no banco ou que decidimos investir?

Talvez sem saber, com o nosso dinheiro, estamos favorecendo o tráfico de seres humanos. Nesses casos, a falta de consciência pode se tornar cumplicidade.

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