Chile. Cardeal Errázuriz deixa o C9 do Papa

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16 Novembro 2018

Ele explica que não se trata de "uma verdadeira renúncia", mas de fato o cardeal chileno Francisco Javier Errázuriz Ossa, Arcebispo emérito de Santiago de Chile, renunciou ao C9, o conselho de nove cardeais criado em 2013 para ajudar o Papa no governo da Igreja e na reforma da Cúria romana.

A reportagem é de Salvatose Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 15-11-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

O anúncio foi feito pelo próprio cardeal, no centro das polêmicas nos últimos meses por causa dos escândalos de acobertamento de casos de abusos sexuais na Igreja chilena, com uma breve nota divulgada ontem pelos meios de comunicação do país sul-americano. "No final dos cinco anos, o período para o qual fui nomeado membro do Conselho de Cardeais, representando a América do Sul, estive em Roma para despedir-me do Santo Padre e agradecer-lhe pelo trabalho fecundo que nos confiou para reformar a Cúria Romana ", escreve Errázuriz.

No mesmo dia do seu anúncio, o procurador-geral de Rancagua, Sergio Moya, declarou que tinha convocado o cardeal para responder pelo acobertamento no caso do padre Jorge Laplagne, sacerdote de Rancagua acusado de pedofilia em 2005. A informação foi divulgada através da mídia após um interrogatório de cerca de quatro horas do bispo emérito de Osorno, Juan Barros, na última quarta-feira. Moya declarou que se encontrou com o advogado de Errázuriz para entregar-lhe o arquivo da investigação e informá-lo de que o arcebispo seria convocado para testemunhar, em data ainda a ser determinada.

Como o Vaticano informa, o cardeal Errázuriz foi ao Palácio Apostólico na última sexta-feira, 9 de novembro, para uma conversa particular com o Pontífice. Em entrevista à Rádio chilena Cooperativa, o cardeal explicou que foi "recebido cordialmente" pelo Papa que "irradiava muita paz" e se declara grato ao Santo Padre por ter prorrogado seu mandato na equipe cardeais depois de ter passado os 80 anos de idade.

Sobre Errázuriz pesam as polêmicas e os escândalos que há meses assolam a Igreja e a sociedade chilena, nunca colocados de lado, mas sempre investigadas especialmente depois da viagem de Bergoglio em janeiro 2018, a ponto de levar toda uma conferência episcopal a demitir-se 'em bloco'. O nome do arcebispo da capital, assim como o de seu sucessor Ricardo Ezzati Andrello, foi repetidamente indicado por leigos e sacerdotes entre aqueles das autoridades eclesiais que informaram equivocadamente o Papa sobre a incandescente situação no Chile (acusação, esta, sempre negada pelo cardeal) e de ter acobertado os crimes de abuso ao longo dos anos. Em particular aqueles cometidos pelo Padre Fernando Karadima, abusador em série, reduzido por Francisco ao estado laico em 28 de setembro passado.

Justamente as principais vítimas de Karadima, Juan Carlos Cruz, Andrés Murillo e James Hamilton - recebidos privadamente pelo Papa no Vaticano, no começo deste ano - através de seus advogados tinham entrado com uma ação no final de outubro contra Errázuriz, aceita e encaminhada pelo Oitavo Tribunal de Garantia de Santiago do Chile. "Autor do crime de falso testemunho, previsto e sancionado no artigo 209 do Código Penal", consta na acusação.

O processo seguia por poucos dias o primeiro julgamento em que era acusado o arcebispo de Santiago, fechado com uma sentença de conciliação sobre a extensão do ressarcimento por danos causados por Karadima a Cruz, Murillo e Hamilton.

Os advogados das três vítimas - reporta o site especializado il Sismografo - revelaram a existência de uma longa carta de fevereiro de 2009, que o então Arcebispo de Santiago enviou ao núncio no Chile na época, Dom Giuseppe Pinto, na qual ele afirmava duas coisas diferente do que ele sempre declarou publicamente nestes últimos anos. Ou seja, que o processo contra Karadima tinha sido fechado por sua vontade, e de ter pedido expressamente ao Procurador de Justiça do Arcebispado para não interrogar o ex-padre pedófilo.

Cruz, Murillo e Hamilton imediatamente rejeitaram o caminho de um acordo bilateral, afirmando que "a verdade não se negocia por dinheiro". Espera-se, portanto, a conclusão normal do processo, ou seja, um veredicto. Enquanto isso, as três vítimas expressaram sua satisfação com a decisão de Errázuriz de se afastar. De parte da Santa Sé, ao contrário, não foi divulgado nenhum comentário sobre o episódio.

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