Risco de suicídio triplicado. O que fazer para os jovens homossexuais?

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15 Novembro 2018

Para os adolescentes homossexuais, o risco de suicídio é três vezes maior do que para os seus pares heterossexuais. Para os transgênero é cinco vezes maior. Isto foi afirmado por um estudo da Universidade de Milão-Bicocca, intitulado "Estimando o risco de tentativa de suicídio entre jovens menores de idade por razões sexuais", recentemente publicado no jornal internacional Jama Pediatrics.

A reportagem é de Luciano Moia, publicada por Avvenire, 13-11-2018. A tradução é de Luisa Rabolini

Nenhuma descoberta chocante; mas, o fato de que um estudo científico relate em detalhe, com o apoio de dados estatísticos, as dimensões de uma dificuldade já amplamente conhecida, só pode abrir espaço para uma importante reflexão e questionar de modo ainda mais dramático família, escola, igreja e sociedade. No estudo é reiterado que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre os adolescentes em todo o mundo. "Essas tendências por parte de minorias sexuais já eram conhecidas, mas - explica Ester Di Giacomo, psiquiatra do Grupo de Massimo Clerici, professor e diretor da escola de especialização em psiquiatria da Universidade Bicocca, que realizou a pesquisa - pela primeira vez foi realizada uma avaliação mais precisa da extensão do fenômeno entre adolescentes LGBTQ”. Os resultados falam claramente. Foram realizados 35 estudos acadêmicos sobre o tema e uma amostra de quase dois milhões e meio de adolescentes entre 12 e 20 anos, de dez diferentes nacionalidades.

A análise mostrou que os adolescentes pertencentes ao grupo geral das chamadas minorias sexuais apresentam uma taxa de risco de suicídio superior em três vezes e meio aquela de seus pares heterossexuais. A avaliação do risco de tentativa de suicídio também foi analisada dentro de cada grupo de minoria sexual. Os dados demonstram que os adolescentes transexuais parecem mais atingidos pelo fenômeno (seu fator de risco é 5,77 vezes maior do que seus pares heterossexuais), seguido pelos bissexuais (4,87 vezes maior) e pelos homossexuais (3,71 vezes). "Entre esses fatores de risco - continua a especialista - a sexualidade e questões correlatas foram investigadas, em particular, em relação a abuso e identidade de gênero. Esta última faz parte do 'eu' e contribui para o pleno desenvolvimento de um ser humano adulto. Embora suas raízes afundem na infância, a orientação de gênero expressa-se plenamente durante a adolescência, principalmente devido ao início do desejo sexual. Os adolescentes homossexuais, bissexuais e transgêneros - conclui Di Giacomo - estão geralmente em maior risco de isolamento, exposição à violência e estigmatização, tanto auto-infligida como infligida por colegas ou familiares". Na análise, foram excluídos os chamados "fatores de confusão" para chegar a resultados estatisticamente mais claros.

A área geográfica com as piores condições? O Norte da Europa. Não há dados específicos sobre a Itália porque no país não há pesquisas científicas sobre o assunto. O que fazer? É fácil falar sobre a necessidade de uma maior conscientização da opinião pública, um apoio mais adequado centrado em esforços de inclusão para afrouxar o estigma que paira sobre esses jovens. Mas quem deveria fazer isso?

"Em primeiro lugar, a família", responde padre Pino Piva, jesuíta responsável pela pastoral de fronteira. "Quando esses jovens tomam consciência de sua orientação, pensam primeiro em como vão contar em casa. E se temem não ser aceitos, as consequências podem ser destrutivas". Outro passo forte é a aceitação do grupo, que é essencial para poder se relacionar e identificar.

E a igreja? "Temos um papel decisivo. Primeiro de tudo - continua o padre Piva - o léxico deveria ser purificado. Expressões como "sexualmente desordenado" podem convencer os jovens de que estão irremediavelmente fora de lugar, com consequências muitas vezes pesadas. Mas até mesmo a mensagem que deixamos filtrar às vezes parece sem esperança. As vocações mais imediatas são excluídas para um jovem homossexual: não pode formar uma família, não pode entrar no seminário, não pode pensar em uma vida de casal. O que lhe resta? "Hoje há esperança aberta pelo Documento Final do Sínodo sobre os jovens que - conclui o jesuíta - fala de liberdade, responsabilidade e compromisso para realizar a si mesmos, abrindo caminho para a possibilidade de reflexão concreta. Além de incentivar os grupos de acolhimento já presentes em algumas dioceses. Vamos ver como isso irá se desenvolver”.

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