O que significa ser católica e feminista e por que a Igreja deve abraçar essa ideia

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12 Novembro 2018

Por mais de uma década, fui professora de escrita na interseção entre a música e os movimentos sociais na Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde nasceu o Movimento pela Liberdade de Expressão. No primeiro dia de aula, falamos sobre a história da música de protesto, e eu apresento aos alunos a definição etimológica da palavra "protesto": do latim testari pro, protestar significa testemunhar e manifestar.

O artigo é de Kaya Oakes, professora na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e é autora do livro The Nones Are Alright, publicado por America, 09-11-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Dois anos antes do movimento #MeToo, adicionei ao programa o livro Men Explain Things to Me (Os homens explicam tudo para mim) para que os alunos explorassem as conexões entre a música e o retorno do movimento feminista. Rebecca Solnit, historiadora, ativista e crítica social com grande produção, não criou o termo "mansplaining", mas o ensaio que leva o mesmo nome do livro conta de quando um homem que ela encontrou numa festa se recusou a acreditar que ela tinha escrito um de seus próprios livros. Mansplaining é apenas um exemplo das formas com que se desvaloriza, duvida e silencia o conhecimento e a experiência das mulheres. E infelizmente também está muito presente na Igreja Católica.

Como escritora, uma das coisas que mais me questionam é como posso ser católica e feminista ao mesmo tempo. Geralmente respondo perguntando como poderia ser católica e não ser feminista. Fui criada dentro da igreja e ensinada por mulheres na catequese e nas escolas católicas e minha escrita é inspirada pelo trabalho de grandes teólogas católicas como Elizabeth Johnson, M. Shawn Copeland e Sandra Schneiders, ativistas católicas leigas como Dorothy Day e escritoras católicas contemporâneas como Natalie Diaz, Toni Morrison e Rebecca Brown.

No entanto, as respostas mais frequentes ao meu trabalho em publicações católicas muitas vezes estão repletas de preconceito contra a mulher. Um leitor uma vez me disse que eu não tinha de questionar a Igreja; que meu trabalho era "ajoelhar" e ser grata por pertencer a ela. É só um dos comentários que recebi. Vamos ignorar os mais ofensivos. A ironia é que toda semana eu vou à igreja, rezo e agradeço. Mas isso não significa que eu não deva me posicionar às vezes também.

Escrevo alguns dias antes da celebração de Santa Maria Madalena, conhecida como a "apóstola dos apóstolos". Mas ela é mais do que isso: escolhida por Cristo para ser a primeira testemunha da Ressurreição, Maria Madalena dá o testemunho da boa nova. E a reação dos apóstolos é significativa: eles não acreditam nela. Eles duvidam de seu testemunho. Ela é minha padroeira, que escolhi na crisma, mas também é a padroeira do mansplaining.

O feminismo não quer que as mulheres sejam melhores do que os homens, mas que sejam reconhecidas como iguais, que homens e mulheres trabalhem lado a lado. Isso significa reconhecer nossas realizações e nossas lutas. Acreditar que o testemunho das mulheres é o que faz com que o movimento #MeToo seja tão importante. Para as feministas católicas que muitas vezes ouvem que deveríamos sair da igreja ou nos calarmos, também significa testemunhar a beleza e a graça e também os desafios de ser católica.

O espírito conciliador católico é útil aqui: o feminismo é necessário tanto por ser mulher como por ser católica e uma das razões é que você será testada por ser católica e feminista. Ser conhecido é uma forma de privilégio, e quem tem um papel público em diálogos sobre as mulheres na igreja deve usá-lo para desafiar noções ultrapassadas sobre a inferioridade das mulheres. Somos mulheres e católicas. Deus nos criou para sermos nós mesmas de forma completa e autêntica e é assim que Ele nos vê. E às vezes temos de nos posicionar e dizer: esperamos que a Igreja possa fazer o mesmo.

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