Mamíferos não evoluem rápido o bastante para escapar da atual crise de extinção

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27 Outubro 2018

Os humanos estão exterminando espécies animais tão rapidamente que a evolução não consegue acompanhar o ritmo. Um novo estudo mostra que, a menos que os esforços de preservação sejam reforçados, um número tão grande de espécies de mamíferos se extinguirá durante os próximos 50 anos que a natureza precisará de 3 a 5 milhões de anos para se recuperar

A reportagem é da Universidade de Aarhus, reproduzida por EcoDebate, 26-10-2018.

Uma ilustração de como os mamíferos menores terão de evoluir e se diversificar nos próximos 3 a 5 milhões de anos para compensar a perda dos grandes mamíferos. (Crédito: Matt Davis, Universidade de Aarhus)

 

Nós humanos estamos exterminando espécies animais e vegetais tão rapidamente que o mecanismo de defesa inerente da natureza, a evolução, não consegue acompanhar o ritmo. Uma equipe de pesquisa liderada pela Universidade de Aarhus calculou que, se os atuais esforços de preservação não forem reforçados, tantas espécies de mamíferos entrarão em extinção nas próximas cinco décadas que a natureza precisará de 3 a 5 milhões de anos para se recuperar.

Ocorreram cinco cataclismos nos últimos 450 milhões de anos, quando o meio-ambiente de nosso planeta mudou tão drasticamente que a maioria das espécies animais e vegetais da Terra entraram em extinção. Após cada extinção em massa, a evolução lentamente preencheu as lacunas com novas espécies.

A sexta extinção em massa está acontecendo agora, mas dessa vez não devido aos desastres naturais. Tais extinções são obra humana. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Aarhus e da Universidade de Gotemburgo calculou que as extinções estão ocorrendo rápido demais para a evolução acompanhar o passo.

Se os mamíferos se diversificarem em seu ritmo normal, ainda assim eles levarão de 5 a 7 milhões de anos para restaurar a biodiversidade existente antes da evolução do humano moderno, e de 3 a 5 milhões de anos apenas para alcançar a biodiversidade atual, de acordo com a análise publicada recentemente na importante revista científica PNAS.

Algumas espécies são mais distintas que outras

Os pesquisadores utilizaram seu extenso banco de dados de mamíferos, que inclui não só espécies que ainda existem, mas também as centenas de espécies que viveram no passado recente e que entraram em extinção à medida que o Homo sapiens se espalhava pelo globo. Assim, os pesquisadores puderam estudar o impacto total de nossa espécie nos demais mamíferos.

No entanto, nem todas as espécies tem a mesma relevância. Alguns animais extintos, como o leão-marsupial australiano Thylacoleo, com características de leopardo, ou o estranho Macrauchenia sul-americano (imagine uma lhama com uma tromba de elefante) eram linhagens evolutivas distintas e tinham poucos parentes próximos. Quando esses animais entraram em extinção, levaram junto consigo inteiros galhos da árvore evolutiva da vida. Não perdemos apenas essas espécies, mas também as funções ecológicas únicas e os milhões de anos de história evolutiva que eles representavam.

Mamíferos grandes, ou megafauna, como bichos-preguiça gigantes e tigres dente-de-sabre, que entraram em extinção há cerca de 10 mil anos atrás, eram muito evolutivamente distintos. Como tiveram poucos parentes próximos, suas extinções significaram que galhos inteiros da árvore evolutiva da Terra foram decepados”, diz o paleontologista Matt Davis da Universidade de Aarhus, que liderou o estudo. E ele acrescenta:

“Há centenas de espécies de musaranho, então eles podem resistir à algumas extinções. Havia apenas quatro espécies de tigre dente-de-sabre e todas entraram em extinção.”

Longa espera por rinocerontes sobressalentes

Como se já não fosse difícil o bastante regenerar 2,5 bilhões de história evolutiva, os mamíferos atuais também estão enfrentando crescentes taxas de extinção. Espécies em grande risco de extinção, como o rinoceronte-negro, enfrentam grande possibilidade de deixarem de existir dentro dos próximos 50 anos. O elefante-asiático, uma de apenas duas espécies sobreviventes de uma anterior poderosa ordem dos mamíferos que incluía mamutes e mastodontes, tem menos de 33% de chance de sobreviver além deste século.

Os pesquisadores incorporaram essas previstas extinções em seus cálculos de história evolutiva perdida e se perguntaram: Podem os mamíferos existentes regenerar naturalmente essa biodiversidade perdida?

Usando computadores potentes, simulações evolutivas avançadas e dados abrangentes sobre as relações evolutivas e o tamanho dos corpos de mamíferos existentes e extintos, os pesquisadores conseguiram mensurar quanto tempo evolutivo seria perdido por extinções passadas e potencialmente futuras e quanto tempo a recuperação levaria.

Os pesquisadores elaboraram o cenário mais otimista do futuro, onde os humanos pararam de destruir habitats e erradicar espécies, reduzindo os índices de extinção para o baixo nível histórico visto em fósseis. Porém, mesmo neste cenário demasiadamente otimista, levará de 3 a 5 milhões de anos para os mamíferos apenas se diversificarem o suficiente para regenerar os galhos da árvore evolutiva que presumivelmente perderão nos próximos 50 anos. Levará mais de 5 milhões de anos para regenerar o que foi perdido com as espécies gigantes da Era do Gelo.

Priorizando o trabalho de preservação

“Embora nós já tenhamos vivido em um mundo de gigantes, como castores gigantes, tatus gigantes e veados gigantes, agora vivemos em um mundo que está se tornando cada vez mais escasso de grande espécies de mamíferos silvestres. Os poucos gigantes remanescentes, como os rinocerontes e os elefantes, correm o risco de serem exterminados muito rapidamente,” diz o professor Jens-Christian Svenning da Universidade de Aarhus, que lidera um extenso programa de pesquisa sobre megafauna, que inclui esse estudo.

Contudo, a equipe de pesquisa não traz apenas más notícias. Seus dados e métodos podem ser usados para rapidamente identificar espécies evolutivamente distintas e ameaçadas, a fim de podermos priorizar os esforços de preservação e focar na prevenção de extinções mais sérias.

Como Matt Davis diz: “É muito mais fácil salvar a biodiversidade agora do que a re-evoluir mais tarde.”

Referência:

Mammal diversity will take millions of years to recover from the current biodiversity crisis
Matt Davis, Søren Faurby, Jens-Christian Svenning
Proceedings of the National Academy of Sciences Oct 2018, 201804906;

DOI: 10.1073/pnas.1804906115

https://doi.org/10.1073/pnas.1804906115

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