A classe média é maioria no mundo pela primeira vez na história

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27 Outubro 2018

"A redução da pobreza e o aumento do número de pessoas na chamada classe média é uma notícia boa do ponto de vista do padrão de vida da população mundial. Contudo, o aumento da renda tem ocorrido com base em um crescimento do modelo de produção e consumo insustentável, que extrai recursos dos ecossistemas e devolve poluição e resíduos sólidos", escreve escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 26-10-2018.

Eis o artigo.

O aumento da renda tem ocorrido com base em um crescimento do modelo de produção e consumo insustentável.

O capitalismo é o sistema econômico que mais gerou riqueza na história mundial, fato sem paralelo desde o surgimento do Homo sapiens. Mas também é o modo de produção que gerou os maiores níveis de desigualdade social e de degradação ambiental.

Mesmo com todo o sucesso na geração de riqueza, o capitalismo pode sucumbir devido ao agravamento dos conflitos distributivos, por um lado, e, principalmente, devido ao colapso ambiental que pode se transformar em um apocalipse civilizacional. O capitalismo pode ser vítima de seu próprio “sucesso” antropocêntrico.

Mas o objetivo deste artigo é comentar a mais recente conquista capitalista e apresentar os dados do World Data Lab, com sede em Viena, que mostram o crescimento da classe média mundial e o fato de que este segmento intermediário da população passou a ser, pela primeira vez na história, maioria dos habitantes globais, conforme mostra o gráfico acima.

Pelos cálculos do World Data Lab, a partir de setembro de 2018, pouco mais de 50% da população mundial, ou cerca de 3,8 bilhões de pessoas, vivem em domicílios com gastos discricionários suficientes para serem considerados “classe média” ou “ricos”. Outros 3,8 bilhões de pessoas vivendo em lares pobres ou vulneráveis à pobreza. Setembro de 2018 marca um ponto de inflexão global.

Segundo a classificação adotada, os domicílios na extrema pobreza são aqueles com renda menor do que US$ 1,90 por pessoa ao dia (em poder de paridade de compra – ppp). As famílias pobres (ou em situação de vulnerabilidade) são aquela com renda acima de US$ 1,90 ao dia e menos de US$ 11 ao dia. A classe média foi definida como aquelas famílias com renda pessoal entre US$ 11 e US$ 110 ao dia. Os ricos são aqueles com renda acima de US$ 110 (em ppp).

O grande crescimento da classe média ocorreu na Ásia, especialmente na China e na Índia. O World Data Lab calcula que, entre 2018 e 2030, o número de pessoas na extrema pobreza vai cair de 630 milhões para 450 milhões, o número de pessoas na pobreza (mais de US$ 1,90 a menos de US$ 11) vai se reduzir de 3,16 bilhões para 2,3 bilhões. Já a classe média com 3,59 bilhões de pessoas (47,3% do total de 7,6 bilhões de habitantes globais em 2018) vai passar para 5,3 bilhões de pessoas (63% da população de 8,4 bilhões de habitantes globais em 2030). Os ricos devem passar de 200 milhões de pessoas em 2018 (2,7% do total) para 300 milhões em 2030 (3,6% do total). Ou seja, a classe média e os ricos devem representar 2/3 da população mundial em 2030, conforme o gráfico abaixo.

A redução da pobreza e o aumento do número de pessoas na chamada classe média é uma notícia boa do ponto de vista do padrão de vida da população mundial. Contudo, o aumento da renda tem ocorrido com base em um crescimento do modelo de produção e consumo insustentável, que extrai recursos dos ecossistemas e devolve poluição e resíduos sólidos.

O crescimento exponencial demoeconômico tem lesado o meio ambiente. O genocídio climático pode eliminar milhões de pessoas nas próximas décadas. Se este processo não for revertido, o sucesso da geração de riqueza pode se transformar em um colapso ambiental que pode resultar no fim do progresso civilizacional.

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